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Funcionários da Saneouro serão treinados para hidrometrar nas áreas tombadas de Ouro Preto

Há pouco menos de um mês, o Departamento de Fiscalização de Ouro Preto relatou que foram recebidas diversas denúncias de irregularidades praticadas pela Saneouro, concessionária responsável pelo serviço de água e esgoto no município, ao realizarem a hidrometração nos perímetros históricos tombados da cidade. A empresa foi multada no valor de 20 UPM’s (Unidade Padrão Municipal) por 27 vezes entre os dias 17 e 23 junho, valor correspondente a mais de R$ 53 mil, além de ser colocada a obrigação de refazer os serviços, realizando os reparos necessários afim de cumprir com as orientações contidas em Parecer Técnico do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A hidrometração nas áreas tombadas foram paralisadas até que a Saneouro apresente os nomes dos profissionais de arquitetura e/ou engenharia responsáveis técnicos pela recomposição dos passeios. A empresa já começa a tomar as suas devidas ações e já contratou um escritório de arquitetura especializado em patrimônio histórico para acompanhar a instalação dos hidrômetros no Centro Histórico de Ouro Preto, como foi orientado pelas secretarias de Cultura e Patrimônio e Defesa Social do Município, para que fosse retomada a hidrometração.

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De acordo com a Saneouro, a ação descrita está em andamento e, além do acompanhamento, o escritório está capacitando as equipes. E ainda, está previsto um treinamento a ser ministrado pela Secretaria de Patrimônio de Ouro Preto para as equipes em geral da concessionária.

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Em entrevista à TV Top Cultura, a Secretária de Cultura de Ouro Preto, Margareth Monteiro, disse que a ideia do treinamento com os funcionários da Saneouro é mostrar a importância e história do local em que eles estão trabalhando, pois, segundo ela, só se preserva quando se conhece o espaço em que se está inserido.

“Nós pensamos em uma forma para fazer com que esses servidores, funcionários e contratados pela Saneouro conhecessem um pouco mais sobre a história da cidade e que percebessem que eles estão trabalhando e intervindo num cenário de 310 anos. Então, cada pedra da rua, cada laje das calçadas traz uma história e é muito importante que eles conheçam essa história e a importância de preservar essa memória e aí sim informar de onde saíram essas pedras, como elas foram colocadas, o que elas representam para que a hidrometração seja feita de forma adequada para que não interrompa nenhuma pedra, para que não quebre nenhuma laje na introdução do hidrômetro”, disse a secretária ao canal de televisão.

Porém, Margareth defendeu a hidrometração, considerando que o abastecimento de água se trata de um trabalho industrial.

“Todos nós sabemos da importância da hidrometração, considerando que a água é um bem que chega às torneiras e chuveiros por meio industrializado, ninguém vai numa fonte buscar água para tomar banho ou cozinhar. Então, a gente compreende que é necessário, mas é igualmente necessário que essa hidrometração seja feita nos parâmetros de uma Cidade Patrimônio Mundial”, disse Margareth.

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Por fim, a secretária de Cultura explicou com detalhes como vai funcionar esses treinamentos, ressaltando a preservação dos protocolos sanitários adotados para a execução dessas ações em conjunto com a Saneouro.

“A nossa proposta é reunir pequenos grupos, considerando os protocolos sanitários por conta da pandemia, no auditório da prefeitura, onde serão exibidas imagens e, numa conversa, vamos contar um pouco da história para que cada um desses trabalhadores se sintam, também, guardiões desse patrimônio e a gente só preserva quando a gente conhece”, finalizou.

Em contato com a redação do Mais Minas no dia 29 de junho, a Saneouro disse que apresentou um projeto de execução que foi avaliado e autorizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e pela Secretaria de Cultura e Patrimônio de Ouro Preto para iniciar as obras de hidrometração. Além disso, de acordo com a empresa, entre as recomendações foi acordado o envio de um relatório fotográfico quinzenal com imagens de antes e após a hidrometração, ação esta que está sendo cumprida desde o início dos trabalhos.

Porém, no dia 1 de julho, o IPHAN ressaltou à nossa redação que “não compete ao instituto se posicionar favorável ou contrário à hidrometração”, informando que “cabe ao Instituto apenas emitir à prefeitura e à empresa orientações de ordem técnica para que o serviço cause o menor impacto possível às edificações e materiais de revestimento”. Além disso, o IPHAN disse que as intervenções “não estão acontecendo à revelia do instituto”.

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