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100 dias e tudo segue do mesmo jeito na cidade patrimônio mundial

Pedro Luiz Teixeira de Camargo 16 de abril de 2021 às 18:02
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Foto: Mais Minas
Foto: Mais Minas

2021 começou em Ouro Preto com a promessa de novidades, afinal mesmo com a fatídica pandemia que nossa assola, 2020 foi ano de eleição e o mais votado assumiu com a promessa de melhorar tudo que o governo anterior deixou a desejar.

Entretanto, o que vemos, na prática é mais do mesmo, o mesmo estilo de gestão, ultrapassada e fadada ao fracasso, como veremos nesse pequeno texto, o que é lamentável já que muitas pessoas elegeram o atual prefeito na esperança de dias melhores.

Podemos começar nossa seção de horrores citando a inexplicável assinatura da secretaria de turismo em um abaixo assinado enviado ao governo estadual exigindo a flexibilização do Minas Consciente. Vejam bem, o programa, que já foi alterado ao máximo, transformando a onda vermelha em algo natural e tendo que ser criada a onda roxa, precisa ser mexido em mais o quê? Tem pessoas morrendo no estado todo, como é possível pensarmos em turismo quando está em jogo nos mantermos vivos?

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Falando em vida, o conselho de saúde segue jogado às traças, atropelado, desrespeitado e nem ao menos seu papel de fiscalização tem sido possível cumprir, afinal não há boa vontade política de fazê-lo exercer o seu devido papel cidadão.

Se o problema fosse apenas o conselho de saúde, poderíamos achar que é algo setorizado, mas não é. Praticamente todos os conselhos estão abandonados à própria sorte, vivendo de ad referendum, alguns não tiveram nem mesmo os indicados do poder público nomeados até hoje, inviabilizando os seus trabalhos! Como é possível acreditarmos na participação social tão propagada na campanha do atual prefeito se nem mesmo os locais de escuta da sociedade estão sendo respeitados?

Outra promessa de campanha é a tão esperada reforma administrativa. Estamos em 2021 e a prefeitura tem o mesmo organograma de 8 anos atrás, como se nada houvesse mudado. É bem verdade que há obstáculos criados pelo atual governo federal para qualquer alteração esquemática do poder público, mas só isso não justifica. E a promessa de uma secretaria de cultura? E o monte de cargos nomeados?

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Sobre estes, é bem interessante observar que não existem mais cargos a nomear na gestão, haja vista a volúpia de alguns membros do executivo municipal em lotear seus amigos e cabos eleitorais, ou seja, mais do mesmo do que enxergamos na gestão passada, será que a onda verde tem na verdade cor de pimenta?

Outro ponto que merece destaque é a relação quase umbilical com os empresários, em especial os da mineração. Diversos distritos e povoados como Amarantina, Miguel Burnier e Antônio Pereira estão sendo vítimas de joguetes nas mãos dos poderosos, com muitos moradores sem nem mesmo saber se vão poder seguir vivendo em suas próprias casas, a falta de ouvidos para as comunidades tem sido baixíssima! Minerar é preciso, mas qual tipo de mineração queremos? A predatória ou a responsável? Com a palavras, os responsáveis…

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Por último, mas não menos importante, quero tratar da caótica situação que a maior parte da população ouro-pretana vive, que é o desemprego. Houve aumento de arrecadação, será que é tão difícil da prefeitura criar um auxílio emergencial para os mais necessitados? Várias cidades com PIB bem menor que Ouro Preto já fizeram, por que não fazer?

Assim, com muito pesar encerro esse texto conclamando que os gestores municipais revejam os motivos que foram eleitos, por que se era para deixar tudo como estava, era mais fácil deixar o antigo prefeito em seu cargo. A população votou e quer mudanças, não o mesmo de sempre!

Até a próxima.

* Esse texto é um artigo de opinião do colunista e pode não representar à posição do portal Mais Minas sobre o assunto.

Última atualização em 12 de setembro de 2021 às 18:04