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terça-feira, 16 agosto 2022

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De holofotes a fofocas, criamos o desrespeito

Pedro Luiz Teixeira de Camargo
Pedro Luiz Teixeira de Camargo
Pedro Luiz Teixeira de Camargo (Peixe) é Biólogo e Professor, Dr. em Ciências Naturais e Docente do IFMG.

Vimos na última semana o cúmulo do absurdo: uma jovem atriz que foi violentada, engravidou e, seguindo todos os termos legais, colocou a criança para adoção e foi achincalhada pelas redes sociais.

Além de prestar solidariedade a moça, é inimaginável pensar a que pontos chegamos em troca de cliques, curtidas e audiência. Como pode uma pessoa ao saber de uma história tão íntima e triste agir dessa forma?

Segundo relatos da imprensa, o marido da enfermeira do hospital onde a criança nasceu ofereceu a mais de um veículo de imprensa a história em troca de grana, além do óbvio crime do casal, afinal afronta a conduta ética do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), ficamos nos perguntando: vale tudo por dinheiro?

Em uma sociedade patriarcal onde as mulheres são condenadas simplesmente por serem mulheres, esse caso mostrou mais uma vez a faceta cruel de muitos brasileiros, que ao invés de censurar os programas sensacionalistas e, obviamente, o estuprador, preferiram julgar a jovem, demonstrando como o nosso juízo de valores parece perdido, afinal de contas, qual o sentido de atacar a vítima?

O que precisa ser combatido, de fato, são esses tipos de programas, que brotam na TV aberta o tempo todo e vivem de explorar a vida de famosos, expondo histórias constrangedoras que nada trazem de importante e, pior, espalham fake news a torto e a direito em busca de audiência.

Já passou da hora de termos uma mídia regulamentada que acabe com este tipo de coisa, expor as pessoas para o Brasil todo, como se elas não tivessem família ou sentimentos é algo sórdido, que não pode ser aceito com normalidade, até quando será assim? No momento que escrevo este texto nem mesmo os fofoqueiros que soltaram a notícia na mídia foram censurados em seus veículos de comunicação por conduta inadequada, ou seja, nem responsabilizados foram!

É importante lembrarmos que em um caso como esse só existe porque tem pessoas dispostas a assistir tais programas, ou seja, se você se revolta com tudo isso que aconteceu, não pode simplesmente dar audiência a estas pessoas, pois além de incoerente, você é responsável por este comportamento condenável seguir acontecendo.

Jornalismo não pode ser confundido com isso, noticiar não é expor a vida íntima de famosos, é preciso mudança de conduta e uma legislação que acabe com essa bagunça, já que tudo isso aconteceu, que sirva para  que os nossos legisladores tomem providências e acabem com esse show de horrores na TV brasileira!

* Esse texto é um artigo de opinião do colunista e pode não representar a posição do portal Mais Minas sobre o assunto.

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