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Perdemos o mais humano dos deuses do futebol

Pedro Luiz Teixeira de Camargo 1 de dezembro de 2020 às 17:49
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3 min
Foto: Diego Maragona/Facebook/Divulgação
Foto: Diego Maragona/Facebook/Divulgação

O dia 25 de novembro de 2020 nunca mais será o mesmo, perdemos Diego Armando Maradona Franco, que ficou conhecido como Maradona no meio futebolístico. Nascido em Lanús, na Argentina em 30 de outubro de 1960, ele morreu de parada cardiorrespiratória em sua própria residência.

Jogador de brilho raro, Maradona encantou toda uma geração que assistia futebol nas décadas de 1980 e 1990, não à toa, para os portenhos ele foi o maior jogador de todos os tempos, estando à frente, inclusive do rei Pelé.

Famoso não só dentro de campo, fora dele o argentino também dava o que falar. Dono de opiniões políticas firmes, tinha tatuado no braço a imagem do guerrilheiro Ernesto “Che” Guevara e na perna do também já falecido comandante da Revolução Cubana, Fidel Castro. Defensor de variados governos de esquerda na América Latina, Maradona apoiou os governos Chávez na Venezuela, Morales na Bolívia e Lula no Brasil.

Se no campo de futebol e no meio político o ex-jogador era alguém a se espelhar, infelizmente em sua vida pessoal não era da mesma forma. Dependente químico, pego em variados exames anti dopping no final da carreira com destaque para a partida de sua seleção contra a Grécia na Copa do Mundo de 1994, Maradona lutou a vida toda contra essa doença.

Ao contrário do que muitos pensam, dependência química não é falta de força de vontade, “sem-vergonhice” ou algo do gênero. Como descrevi acima é uma doença, que tem um tratamento que pode durar a vida toda, por isso é fundamental que se entenda e não se julgue o ex-jogador por seus deslizes pessoais, afinal somos todos seres humanos, por consequência sujeitos a errar.

Condenar Maradona apenas por sua relação com as drogas é de uma sordidez imensa, pois ele era muito mais que isso, estamos falando de um dos maiores futebolistas da história (para muitos o maior), um ídolo do povo argentino e de toda a torcida do Napoli e Boca Juniors, dois dos principais times que ele atuou como jogador. Prova disso foi o clube italiano ter mudado o nome de seu estádio para Diego Armando Maradona, como forma de homenagear eternamente o seu maior atleta.

Se foi o mais humano dos super-heróis do futebol e fica o nosso desafio: enxergar muito mais do que aparenta nossa vã visão, pois ninguém é digno de julgar os erros do outro, seja os de Maradona, seja de qualquer ser humano, enxergar as qualidades é muito mais importante e muito mais bonito, afinal para apontar os erros está cheio de gente, mas para elogiar são poucos.

Até a próxima.

* Esse texto é um artigo de opinião do colunista e pode não representar à posição do portal Mais Minas sobre o assunto.

Última atualização em 12 de setembro de 2021 às 17:52