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Retorno presencial da educação: um erro que muitos não têm dimensão

Pedro Luiz Teixeira de Camargo 1 de março de 2021 às 17:58
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3 min
Foto: Canva
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Nesses tempos tão difíceis, uma das maiores lendas que se escuta é que o professor está em casa sem fazer nada. Grande engano, afinal de contas ele está trabalhando muito mais que no ensino presencial e gastando seus próprios recursos. Duvida? Vamos aos fatos.

Antes de mais nada é preciso deixar claro que desde que as aulas presenciais foram suspensas os professores de todas as esferas estão em serviço remoto. O que significa isso? Que eles estão fazendo todo o serviço de casa sem parar nenhum segundo.

Estão sendo produzidos cadernos de atividades, aulas em formas de lives, gravação de vídeo-aulas, envio de exercícios por e-mail, plataforma própria e, até mesmo WhatsApp como o caso da rede básica estadual.

O mais revoltante é pensar que tudo isso está sendo feito sem as escolas gastarem nem um centavo a mais, afinal quem paga a conta de luz, a internet, o computador, o microfone entre outros é quem? Claro, o professor.

Para uma categoria que é majoritariamente feminina, o desgaste é ainda maior, pois as educadoras precisam ser ao mesmo tempo mães, cuidadoras, lavadoras de roupa, cozinheiras, limpadoras de casa, etc.

Portanto, não bastasse tudo isso que os profissionais da educação estão passando ao mesmo tempo, temos agora a ideia genial, tirada em reuniões remotas, de pressionar para o ensino presencial retornar.

Ora bolas, qual profissional fica em média de 5 a 6 horas dentro de uma sala de aula com mais 40 crianças ou jovens? Só os professores mesmo, será que não tem nenhum risco, logo agora que a pandemia está avançando levar todo esse pessoal para a sala de aula? Claro que tem!

Mais do que isso, é importante perguntar: as escolas estão preparadas para receber os estudantes? Existe espaço físico para distanciamento social, álcool gel, água em garrafa ou copo descartável, ventilação e, principalmente, VACINA para um retorno seguro? Óbvio que a resposta é não, então por que insistir em colocar em risco essa gama de pessoas por puro capricho?

Nem computador direito tem na maior parte das escolas, como vai exigir presença dos profissionais da educação? Se eles não usassem seu próprio equipamento nem ensino remoto teríamos!

E o caso daqueles que são grupos de risco? Como vai ser feito? Vão ter que colocar a vida em risco? Ou vão voltar só alguns para adoecerem e ficar faltando funcionário no quadro de servidores?

Evidentemente que o ensino remoto não é o melhor dos mundos, mas beira a irresponsabilidade colocar uma gama tão grande de pessoas, sendo a maioria crianças, em risco.

Estamos lidando com vidas e tanto as escolas particulares como públicas precisam lembrar que o ano letivo se repõe, mas e as vidas? Elas são muito mais importantes que qualquer outra coisa.

Para concluir, repito: sem ampla vacinação da população não existe como se cogitar o retorno presencial das escolas, quem defende isso ou não possui filho pequeno ou não tem o mínimo de empatia pelo outro, em especial pelos profissionais que formam todas as outras profissões.

É hora de ficar em casa, se cuidar e pressionar o poder público pela ampla e urgente vacinação, isso sim é imediato!

Até a próxima.

* Esse texto é um artigo de opinião do colunista e pode não representar à posição do portal Mais Minas sobre o assunto.

Última atualização em 12 de setembro de 2021 às 18:00