Antonio Brandão
Antonio Brandão
Antonio Brandão é Professor de Educação Física (UFRJ), especialista em Treinamento de força (UFRJ) e Biomecânica (UFRJ). Atua na área de avaliação e preparação física.

Crianças e adolescentes também podem fazer musculação?

Quando se trata de musculação na infância e adolescência, por muitos anos ficou estabelecido um mito que contra indicava tal prática para este grupo. A justificativa era que os exercícios de força muscular e sua sobrecarga, poderiam prejudicar o desenvolvimento saudável do adolescente, atrapalhando seu crescimento físico e podendo aumentar as chances de lesões.

Essa crendice nasceu, pois, a prática da musculação sempre foi muito relacionada com as altas cargas e a utilização de uma quantidade grande de pesos, o que de fato existe, mas a evolução da ciência do esporte possibilitou que pudéssemos utilizar diferentes estratégias dentro do treinamento de força, que seja específica para cada público, para crianças e adolescentes inclusive.

O que sabemos até hoje é que, na ciência, não foi encontrado uma relação entre a prática da musculação neste público, com a redução do crescimento. Na verdade, crianças costumam brincar de correr, pular, jogar futebol e inúmeras outras brincadeiras com o próprio peso corporal. Por outro lado, existe o grupo de crianças e adolescentes que usam de forma excessiva as tecnologias como telefone celular, vídeo game e computadores. Para o primeiro grupo, o ganho de força muscular traria uma maior capacidade para que se sustente tal demanda de todas as brincadeiras do dia a dia. Já no segundo grupo, a prática da musculação faria com que não fosse adotado um hábito sedentário e que tivesse mais horas de exercício físico durante a semana.

Podemos destacar outros benefícios como, redução no risco de lesões relacionados ao esporte, diminuição do risco de fraturas, melhora da auto estima, aumento do interesse no condicionamento físico, controle do percentual de gordura corporal e outros. Em contra partida, toda criança precisa de uma atividade muitas vezes lúdica e prazerosa, a sua obrigatoriedade pode reduzir o interesse. Por esse motivo, muitos professores de educação física utilizam algumas estratégias mais dinâmicas e divertidas, não deixando de lado o desenvolvimento do condicionamento físico da criança e adolescente.

É imprescindível que a prescrição e acompanhamento seja realizado por um professor de educação física capacitado, pois devido à pouca maturidade desse público, muitos exercícios podem ser reproduzidos de maneira errada e alguns equipamentos usados de forma displicente.

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