PAIXÃO ESTETA

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Por vezes se perde no voo das garças, se transforma nelas, transpõe grupo todo em um só e de cima observa o mundo grande. Força inerente nele, pois abarcar a vida tanto na vista quanto na emoção.

Uma enchente o céu azul vem a ser. Irrompe para a alma desse ator no tempo cada ser-em-si, tudo emana seu algo único. Assim, o azul de céu são as cores e as formas, voltado para os que com ele querem sorrir com os olhos ou, simplesmente, pagam o prazer com o silêncio e a placidez profunda. A passividade frente aos raios faz com que talvez venha assustar o bicho inofensivo e selvagem que mira de dentro da alma do poeta da cor, tão sensível por se emocionar, mas se estarrecer também frente à fulminação in natura. Ou mesmo o deixa em êxtase a arquitetura de fábricas, aterradoras e que aos olhos do esteta é um brinde com Antonioni. Le Desert Rosso filmando enormes usinas em seu ato rude, melhor, infeliz enquanto transborda forma e cor, o que ao olhar mais ríspido possui preço por existir e animais que somos são coisas que nos trazem à vida, mostra que não estamos só, por perceber, abranger, estender-se.

Por depender do espaço em que está, vivendo assim, a transformação é constante pela forte presença do mundo visível. “Eu fui ao mundo, o mundo era eu… O MUNDO, MEU GÊMEO, MEU PARENTE”. Como passa um ônibus e a cada momento que da janela vai mudando a paisagem, da qual habita, o esteta varia igualmente, sentindo estrada afora, se alastrando na paisagem.

Monet mesmo tinha um ideal, quando ao escrever a seu amigo Bazille: “aqui estou rodeado de tudo o que amo. Passo o meu tempo ao ar livre na praia rochosa quando há temporal ou os barcos vão à pesca… Graças a este senhor do Havre  que uma vez liberto de preocupações o meu desejo seria ficar sempre assim num canto da natureza, tranquilamente”.

Esmaecido, dorme o esteta como uma dormideira num jardim de diversas rosas, e como sonha.

O bem-estar social e a interioridade do indivíduo

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César Henrique Lemos Santos, nascido no ano de 1995, filho da transição de um milênio para outro, necessariamente um sujeito moderno, sobretudo, admirador da tradição e da velha sabedoria dos antigos. Desde a tenra infância até a juventude decorreu na pequena cidadela interiorana mineira, Acaiaca. Felicito-me pelas oportunidades a uma educação de qualidade que a mim foram concedidas por cursar História no instituto de ciências humanas e sociais da Universidade Federal de Ouro Preto, o que é experiência vasta e profunda no que tange a boa orientação, tanto pelo saber quanto pela prática do mesmo. Leitor e pesquisador assíduo, constante admirador da natureza e daquilo que dela apreendem os artistas. Atento ao tempo, este que é quem abarca todas as coisas, gestos e palavras. Preocupado com os atos e as respectivas consequências, com a vida e suas expectativas. Esperançoso pelo bem-viver do ser humano. Enfim, anseio pelo desenvolvimento pleno e o mais completo possível do nosso Ser que também é o Mundo, afinal é nele que nos estendemos.