Debate político: emocionalidade e racionalidade

Pesquisas evidenciam que as emoções ocupam lugares célebres nos debates atuais, precipuamente naqueles em que a discussão é sobre o espectro político. Assim, os debatedores tendem a concordar ou discordar das asserções em razão de sua origem, não pelos méritos e deméritos que abarcam essa proposição, na qual deveriam ser coeficientes concludentes do posicionamento, valendo-se da racionalidade. À vista disso, as pessoas começam a posicionarem-se, acriticamente, recorrendo-se as emoções e esquivando-se do senso crítico. Logo, essas pessoas passam a acreditar, com veemência, que seus posicionamentos são derivados de análises absolutamente objetivas.

Ademais, as discussões hodiernas caíram em conformismos, uma vez que as pessoas ou os debatedores não estão dispostos a mudarem de ideia ou posição, acreditam e defendem seus posicionamentos com tenacidade, como se fossem verdades universais e absolutas. Você se lembra da última vez na qual mudou de posição acerca de uma temática que acreditava estar totalmente certo a despeito dela? Qual a última vez você deparou com um argumento contrário a suas crenças e se dispôs a compreendê-lo e não rechaçá-lo imediatamente? Indagações como essas nos expõem como os debates estão cada vez mais escassos e comprovam e ratificam a polarização de seguimentos sociais.

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Comumente deparamos com a reprodução da opinião sobre determinada temática do meio no qual estamos inseridos, prova da falta do exercício genuíno de crítica e da formação de opinião, tornando esse arbítrio um posicionamento por afeto. Vale ressaltar a primordialidade do domínio das emoções para que possamos, deliberadamente, aplicar a racionalidade, e assim, os debates gozarão de um elemento além dos prós e contras, contará com a eventual possibilidade de encontro de espaço para a construção conjunta de uma nova interpretação à luz da discussão. Logo, a minimização das emoções nos leva a apreciação do mundo da forma como ele se apresenta e não da maneira como gostaríamos que ele fosse. Quando indagamos as nossas certezas sobre o mundo, viabilizamos a criação de uma visão própria e crítica dele e abdicamos de uma visão incorporada.

Em virtude das análises supraditas, é imprescindível que tenhamos claro em nossas mentes que nenhum ser humano é estritamente racional, bem como é substancial sabermos controlar as emoções para que elas não se tornem limitadoras das nossas ações. Portanto, esse controle das emoções torna-se uma odiá libertadora, que nos proporciona autonomia para que não sejamos escravos das nossas emoções, assim como propicia a soberania da construção do pensamento crítico individual e alonginquando a reiteração de opiniões prontas. Em suma, o controle das emoções oportuniza a estruturação de alternativas para um amanhã mais prospero, crítico e autônomo.

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