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terça-feira, 31 janeiro 2023

Júlio Dash
Júlio Dash
Júlio Roberto Gomes é psicanalista e terapeuta analítico Jungiano, especializado em Hipnose e Inteligência Social, atuando na área há quase 5 anos. Tem como formação base o curso de Tecnologia em Recursos Humanos e estudos a parte de Criminalística.

Júlio Dash: “Viver é melhor que sonhar”

Há 1 milhão de sonhos em cada um de nós. Sonhos, desejos, tristezas, dores, arrependimentos… A maior parte do que somos é invisível aos outros. De fato, nós mal nos conhecemos, quem dirá conhecer os outros. Isso leva tempo e a maioria não está disposta a prestar atenção ou se importar.

Desde sempre aprendemos a nos esconder de nós mesmos para que pudéssemos nos esconder do mundo, criamos nossa sombra e deixamos uma parte nossa fazer casa lá.

Acredito que por isso smartphones e redes sociais se tornaram tão indispensáveis pra maioria das pessoas, é uma luz que acendemos a qualquer hora e lugar e que nos distrai da escuridão que temos por dentro.

Fingir que não somos maus, invejosos, covardes, ignorantes e tantas outras coisas, por medo da rejeição, nos torna piores, não melhores. Eu não posso mudar se não aceito quem sou, não posso voar, se não me permito ver o que devora minhas asas.

Muito mais do que admirar pessoas que tem qualidades que gostaríamos, nós odiamos e atacamos aqueles que têm os mesmos defeitos que nós. Cancelamos os que nos lembram que somos falhos, nos cercamos de avatares de moralidade, mas ainda nos afogamos no nosso inferno particular.

+ Júlio Dash: “É hora de deixar ir”

Drogas, sexo, álcool, redes sociais, festas, BBB, copa… Temos nos entorpecido de tudo que podemos, nos dedicando a consumir qualquer migalha que nos permita esquecer por algum tempo que não somos quem gostaríamos.

É curioso que nossa sociedade para ser funcional, necessite que seus habitantes não sejam reais, mas apenas personagens que desempenham um papel definido por outras pessoas. Você não escolhe quem é, o mundo te diz isso: Seu nome, religião, nacionalidade, poder aquisitivo e tantas coisas mais que se você não pensar sobre, vai achar que de fato, é escolha sua.

A dor de encarar a sombra é grande, principalmente para quem cresceu em um ambiente punitivo, seja físico ou mental, mas as mudanças virão apenas quando você olhar lá e descobrir o que habita em ti.

Digamos que você segue sua vida normal, não tem tudo que quer, mas não lhe falta o essencial. Um dia um conhecido aparece com um carro novo, após uns meses compra uma baita casa, começa a frequentar lugares finos e ter muitos admiradores.

Uma parte de você vai ter inveja, mas você não vai admitir. Talvez faça piadas dizendo que ele só pode ter ganho na loteria ou está traficando para estar ganhando tanto dinheiro. Você vai tentar desmerecer a pessoa e os esforços dela pra não admitir que você queria ter aquilo ali também.

No entanto, se você se permitisse sentar sozinho em casa e admitir que quer aquele estilo de vida, poderia deixar a sombra lhe dar algumas respostas: Por que eu quero isso? É o dinheiro, a fama, a casa, o carro? O que me atrai nisso, o que eu de fato quero?

Para algumas pessoas, de fato seriam os bens materiais, mas para muitas seria o reconhecimento. Ser acolhida pelo trabalho que faz, se sentir importante para os outros. Talvez ela não se sinta valorizada no dia a dia e ver que alguém está crescendo porque outros gostam do que ela faz, lhe desperte inveja.

A sombra tem aquilo que somos, desejamos, odiamos, mas não admitimos. Quantas vezes escondemos partes boas de nós pra não parecermos bobos diante dos olhos alheios? Quantas vezes não abraçamos aqueles que gostamos, fingimos indiferença, por medo de sermos julgados?

Há muito poder em nos conhecermos.

Se temos o que temos hoje, sendo apenas uma fração do que de fato somos, imagine quão grande você poderia se tornar na sua vida se conhecesse 100% de si mesmo e usasse esse saber para viver e construir seu futuro.

De todos os presentes que você pode dar a si nesse natal, dê essa chance de se conhecer.

* Esse texto é um artigo de opinião do colunista e pode não representar a posição do portal Mais Minas sobre o assunto.

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