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domingo, 29 janeiro 2023

Júlio Dash
Júlio Dash
Júlio Roberto Gomes é psicanalista e terapeuta analítico Jungiano, especializado em Hipnose e Inteligência Social, atuando na área há quase 5 anos. Tem como formação base o curso de Tecnologia em Recursos Humanos e estudos a parte de Criminalística.

Medusa – menina veneno, o mundo é pequeno demais pra nós 2

Resuminho maroto pra contextualizar: Medusa era uma criatura mitológica que tinha serpentes no lugar dos cabelos e que transformava todos que olhassem nos olhos dela em pedra. Perseu, usando objetos dados pelos Deuses, principalmente um escudo de Athena, ao qual ele usou pra se aproximar de Medusa, olhando pra ela através do seu reflexo, conseguiu eliminá-la. Depois usou sua cabeça como arma para petrificar os inimigos…

Ok. Passado o ano novo, sempre sobra muita comida, então vamos viajar na maionese, beleza?

Todos os dias você vai se deparar com coisas que vão te amedrontar, te fazer tremer na base, te paralisar como se fosse de pedra. Eu sei disso, eu passo por isso, todo mundo passa, mas alguns acham formas de enfrentar esses medos, buscam formas de ir adiante.

O contrário do medo não é coragem, é estupidez. Medo é algo natural, é uma projeção que sua mente faz ao futuro e analisa resultados de ações e consequências. A questão é que o medo, que é uma emoção, não deveria ser mais forte que você, que é o ser que tem a emoção.

Emoções são diferentes de sentimentos, emoções são automáticas, hormônios, impulsos elétricos e toda uma série de coisas acontecendo no seu organismo muito rápido, baseado em anos e anos de evolução e em uma vida totalmente subjetiva somados que resultam na sua pessoa.

Sentimentos são o resultado da interpretação e racionalização das emoções. Você sente algo, sua mente analítica entende aquilo como bom ou ruim, então essa coisa pode ser um desafio que te faz desistir ou ser um motivador pra se esforçar mais.

Inteligência emocional, resumidamente é isso.

Enfim, o medo é natural, enfrentar o medo é uma habilidade. E enfrentar o medo às vezes é apenas encará-lo e entender que tudo bem sentir medo, aquilo ali, aquela situação é pra se temer, é pra se afastar, encontrar outro caminho. Como eu disse, o oposto de medo é a estupidez. Você tem o medo como forma de avaliar o que deve ou não fazer.

Assim como Perseu, todos podemos acessar armas que nos foram dadas ao longo do tempo. Você tem uma mente funcional, por mais que as vezes ela pareça estar contra você e te fale coisas muito ruins ao seu próprio respeito… Não se preocupe, você não é doido, é inseguro, talvez, baixa autoestima ou talvez seja doido mesmo, só te avaliando pra saber…

Mas, as chances são de que você só está com a mente inquieta demais e precisa aprender a lidar com isso.

O seu escudo contra a Medusa, simbolicamente, é olhar o reflexo dela, e qual o reflexo do medo? Suas atitudes, sentimentos, conversas internas, resultados… Ou seja, o reflexo do medo é sua vida.

Você precisa se ver como de fato é, mas sem olhar pro medo, porque ele te paralisa, você tem de olhar pro significado dele. Encontrar o que dá forças pra esse monstro e então arrancar isso, simbolicamente, ok?

Arrancar a cabeça do medo, arrancar o medo da cabeça, tirar essas serpentes barulhentas da sua mente e usá-las a seu favor.

Quantos artistas são incrivelmente tímidos, Keanu Reeves, por exemplo, e aprenderam a usar essa introspecção a seu favor, considerado carismático por muitos, quando na verdade ele só ta sendo ele, um cara quieto e meio sem jeito. Ele ta usando a própria timidez como forma de cativar.

Existem muitas pessoas por aí que aprenderam a lidar com os próprios demônios, aprenderam a usá-los como ferramentas. Vítimas de violência que seguiram a carreira de policial, bombeiro, advogado, artista, enfermeiro, médico ou qualquer outra profissão com o intuito de proteger os outros.

Não são seus monstros que te fazem fraco, são eles que te fazem forte. É só uma questão de ao invés de se render e paralisar, você aprender a enfrenta-los, torna-los sua arma mais poderosa.

Quando eu vim pra área de desenvolvimento pessoal, alguns muitos anos atrás, o que culminou em eu me tornar terapeuta, o intuito era ajudar outros Júlios que estão espalhados pelo mundo.

Por muito tempo eu estive perdido, por muito tempo haviam monstros lá que eu não sabia como enfrenta-los e não sabia a quem recorrer, a internet hoje em dia é uma coisa maravilhosa se soubermos usar.

Eu trilhei um caminho solitário por muito, muito tempo e sempre que escrevo ou gravo um vídeo, faço uma postagem em redes sociais eu estou lançando foguetes praquele EU que fui. Imagino que de alguma forma, em algum momento, essas coisas vão chegar em quem precisa e ajudar quando necessário.

Aprendi a lidar com meus monstros, não todos ainda, mas isso me tornou mais forte, menos inseguro e dependente dos outros, me fez gostar mais de mim. Então, encontre alguém que te ajude a ver seus monstros refletidos e comece sua jornada para ser aquilo que você quer ser.

* Esse texto é um artigo de opinião do colunista e pode não representar a posição do portal Mais Minas sobre o assunto.

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