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Feijão ou fuzil?

Franciele Santana 2 de setembro de 2021 às 01:09
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3 min
Fotos: Biblioteca de imagens do Canva
Fotos: Biblioteca de imagens do Canva

De acordo com o relatório do Fundo da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), divulgado em julho deste ano, a insegurança alimentar grave atingiu 7,5 milhões de brasileiros entre 2018 e 2020. Entre 2014 e 2016, esse número era de 3,9 milhões de pessoas no país.

Segundo a FAO, insegurança alimentar se refere ao acesso limitado que uma pessoa ou uma residência possuem à comida, seja por falta de dinheiro ou outros recursos. Quando uma pessoa não possui disponibilidade de alimentação durante um dia ela já vive uma situação de insegurança alimentar grave.

Em 2020 houve um considerável aumento na fome mundial, provavelmente por consequência da pandemia da COVID-19 que trouxe consigo uma crise econômica que possivelmente ainda gerará impactos na segurança alimentar por tempo indeterminado.

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Na última sexta-feira (27), no Palácio da Alvorada, em conversa com apoiadores, o presidente Jair Bolsonaro ao estimular a compra de armas de fogo pela população, aconselhou a compra do fuzil 762, sob a justificativa de que “Povo armado jamais será escravizado”, descrevendo, ainda, como idiota quem defende que é preciso comprar feijão em vez de fuzil.

Se colocarmos em números ambas as opções temos que:

  • O fuzil 762, o qual foi recomendado pelo presidente, não sai por menos do que R$ 12 mil. Além disso, para adquirir um fuzil, o comprador antes de tudo precisa de um Certificado de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC), o que demanda tempo e dinheiro.
  • Em contraponto, conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor – Amplo 15 (IPCA-15) do mês de agosto, o setor de alimentação e bebidas teve variação de 1,02%, ficando acima do registrado em julho: 0,49%, o que faz com que o brasileiro tenha dificuldades para adquirir até mesmo os alimentos componentes da cesta básica.
  •  Com o valor necessário para a aquisição de um fuzil seria possível que uma família garantisse os produtos básicos de alimentação por mais de 1 ano e meio.
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Por questões financeiras e de saúde, e sob respaldo da lógica de uma matemática básica, garantir a compra do arroz e feijão do dia a dia seria mais lucrativo e útil; afinal, quando se fala em segurança, a alimentar sempre deveria ser tida como prioridade, sobretudo durante o visível aumento da situação de fome em nível mundial.

* Esse texto é um artigo de opinião do colunista e pode não representar à posição do portal Mais Minas sobre o assunto.

Última atualização em 2 de setembro de 2021 às 01:10