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Saúde Nunca Sai de Moda

Franciele Santana 28 de dezembro de 2016 às 02:52
Tempo de leitura
5 min

Ao longo da história ocorreram importantes mudanças no padrão de beleza,
principalmente feminino. A todo instante são lançados novos modismos, os quais são muitas vezes entendidos como o ideal a ser alcançado.

A sociedade atual é fortemente influenciada pela mídia, que constrói e impõe
um padrão de beleza que valoriza a magreza e rejeita o corpo gordo¹
². Enquanto antes a gordura era vista como sinal de poder e
abundância, hoje ela está associada a atributos negativos como falta de
força de vontade e não conformidade com a sociedade contemporânea³.


Como consequência da busca incessante por se encaixar nos padrões exigidos
pela sociedade surge a insatisfação das pessoas com a própria aparência,
podendo causar distúrbios da imagem corporal a qual pode ser definida como
a percepção que o sujeito tem do próprio corpo com base nas sensações e
experiências vividas ao longo da vida³. Muitas vezes, a pressão para
atingir o suposto corpo ideal leva a piora da imagem corporal, podendo
causar o aumento do comer desordenado, transtornos alimentares como
anorexia e bulimia, e tentativas malsucedidas de controle de peso.

As influencias socioculturais podem induzir ao desejo de um corpo magro e
acarretar na insatisfação corporal, uma vez que não se consegue alcançar a
esse ideal 4. Na tentativa de se satisfazer com a sua imagem
corporal cada individuo agrega hábitos em suas vidas com o objetivo de
moldar o seu próprio corpo a fim de obter o resultado desejado; entre as práticas mais comuns da época atual estão as dietas, cirurgias plásticas, bodybuilding entre outros exercícios específicos para a forma que se deseja adquirir.

Para as mulheres fica cada vez mais forte o culto ao corpo magro, digno dos
padrões Barbie®, enquanto para os homens cresce a cada dia a valorização
de um corpo musculoso tal qual os super-heróis vistos na TV.

Para Martin Lindstrom 5; o cérebro humano atua em nosso comportamento por meio da ação de “neurônios espelhos” que, conforme experiência feita por um cientista italiano chamado Giacomo Rizzolati e sua equipe de pesquisas, são “neurônios que se ativam quando uma ação está sendo realizada e quando a mesma ação está sendo observada” 6;.Por exemplo: quando uma mulher vai ao shopping e vê um manequim com alguma roupa que lhe interessa, para a mulher, o manequim está lindo, em perfeita forma, e seu subconsciente lhe diz que apesar de ter engordado ou algo do tipo, ela também pode ficar da mesma maneira caso compre aquela roupa.

Isso é o que o cérebro está dizendo, independente dela achar isso ou não.
A mulher entra na loja, e logo depois sai com as roupas do manequim, assim
inconscientemente ela não queria comprar uma roupa bonita, mais sim uma
imagem ou atitude que não é dela 5.

Pode-se dizer que é devido à atuação dos neurônios espelho que muitas vezes
se absorve um comportamento promovido pela mídia, devido a ser um ato
praticado por uma pessoa admirada, como quando se nota o elevado número de visualizações de publicações que tem como destaque: “como ter o corpo
daquela famosa” ou “saiba o que aquele galã faz para manter o abdome
definido”, manchetes estas que levam o leitor a desejar adquirir o mesmo
comportamento a fim de se assemelhar ao artista admirado.

Nos tempos atuais em que a cultura do belo vem ganhando cada vez mais espaço é de extrema importância enfatizar que o corpo ideal é o corpo saudável.

Bonito mesmo é ter saúde; sentir-se bem por ser quem é, sem precisar
submeter-se a comportamentos alimentares sacrificantes ou procedimentos
invasivos. A forma mais eficiente de se exterminar a insatisfação com a
imagem corporal é aceitar que as pessoas são dotadas de características
peculiares que as tornam únicas e é isso que garante a verdadeira
beleza, não é necessário adequar-se ao padrão que é imposto pela sociedade
e transmitido pela mídia; o seu principal objetivo deve ser sua felicidade
e auto aceitação, a maior ostentação de beleza é estar bem consigo mesmo,
mantendo hábitos saudáveis, almejando predominantemente o bem estar, dessa forma o resultado estético vem como uma consequência, como o símbolo de uma conquista pessoal bem maior, em vez de demonstrar apenas uma escultura construída à custa de sofrimentos e privações.

Padrões de beleza mudam constantemente no decorrer do tempo, mas a
boa resposta que um organismo saudável dá às necessidades individuais
permanece e vai além de aparências, pois garante bem estar e qualidade de
vida de forma duradoura.

Referências

1. Pereira EF, Graup S, Lopes AS, Borgatto AF, Daronco LSE. Percepção da
imagem corporal de crianças e adolescentes com diferentes níveis
socioeconômicos na cidade de Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.Rev
Bras Saúde Mater Infant 2009; 9(3):253-262.

2. Novaes JV. O intolerável peso da feiúra: sobre mulheres e seus corpos. Rio de Janeiro: PUC – Rio; 2006.

3. Schilder P. A imagem do corpo: as energias construtivas da psique. São
Paulo: Martins Fontes; 1981

4. Neighbors LA, Sobal J. Prevalence and magnitude of body weight and shape
dissatisfaction among university students. Eat Behav. 2007;8(4):429-39.

5. LINDSTROM, Martin. A lógica do consumo: verdades e mentiras sobre por que compramos. Martin Lindstrom; tradução Marcello Lino. – Rio de Janeiro:
Nova Fronteira, 2009 p.59

6. LINDSTROM, Martin. A lógica do consumo: verdades e mentiras sobre por que compramos. Martin Lindstrom; tradução Marcello Lino. – Rio de Janeiro:
Nova Fronteira, 2009 p.55.

* Esse texto é um artigo de opinião do colunista e pode não representar à posição do portal Mais Minas sobre o assunto.

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Última atualização em 14 de dezembro de 2021 às 01:53