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segunda-feira, 6 fevereiro 2023

Cheyenne Duarte
Cheyenne Duarte
Professor Universitário há 10 anos em diversos cursos. Bacharel em Administração. Licenciado em Pedagogia. Atualmente atuo como Orientador Educacional em uma Unidade Municipal de Educação Infantil.

A eliminação da seleção brasileira da Copa do Mundo de 2022: algumas lições gerenciais

Bem, vamos lá… A “poeira” da eliminação baixou, talvez possa com mais equilíbrio e imparcialidade tecer comentário. 

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Confesso que acompanho o futebol brasileiro e suas eliminações nas últimas Copas com sentimentos cada vez mais amenos de indignação. 

A eliminação em 2006 para a França de Zidane foi um divisor de águas em minha vida: Jamais havia presenciado a seleção brasileira fora de uma final de Copa do Mundo.

De lá para cá, me surpreendo cada vez menos! Talvez em 2014 tenha sido o momento mais chocante. Ah, o 7X1… Ele ainda não acabou! 

Talvez como forma de amenizar certo sofrimento pela eliminação para Croácia, na circunstância em que foi, quero extrair desse fato algumas lições gerenciais. Lições estas não propriamente de um exímio ex-jogador de futebol (que não fui!), mas de alguém sensível aos fatos

Acredito que as lições não venham a se resumir aos pontos elencados a seguir. Pode haver mais tópicos a serem explorados que escapam ao meu olhar.

Quero dizer também que minha posição não é a do “profeta do passado”, em que depois que os fatos ocorreram, venho com a minha retórica procurar culpados. Não é isso!

Avancemos… 

Comissão técnica: Ausência de um psicólogo(a):

Tite perdeu uma ótima oportunidade de contemplar em sua comissão o que chamamos em gestão de “sistemas sócio-técnicos”, equilibrando a dimensão técnica/talento dos jogadores com a dimensão relacional-psicológica. O jogador de futebol possui uma mente que comanda seu esforço técnico!

Convocação: O desequilíbrio na equipe de trabalho:

Quase um terço dos jogadores convocados foi para o ataque. A equipe de trabalho era desequilibrada no meio de campo, com poucas opções para controlar o jogo. Uma forma de equilibrar uma equipe no ambiente organizacional é aliar juventude tecnicamente capacitada com indivíduos experientes profissionalmente.

Confiança X Meritocracia: O caso Daniel Alves:

O lateral direito estava a cerca de dois meses sem jogar uma partida oficial. Sem dados e rendimentos para analisar, parece-me que Tite convocou Daniel Alves mais pela confiança e o histórico de um passado distante do que pelo (não) futebol apresentado recentemente. O ideal seria conjugar confiança com produtividade!

Coach paizão”: A confusão no papel gerencial:

As frases motivacionais no Centro de Treinamento e os objetos que remetiam à vida familiar/profissional colocados no quarto de hotel dos jogadores são indicativos disso. Tite ampliou sua atuação para além do futebol. Poderia ter deixado a parte motivacional com um psicólogo (a). Se lá estivesse…

Falta de resiliência no plano de jogo:

Sem variação tática – Tite foi do início ao fim da Copa do Mundo no esquema 4-2-3-1 – a seleção brasileira ficou refém de uma única forma de fazer as coisas, sem um plano B. Quando as coisas não foram bem, tivemos dificuldade em mudar o quadro. Não podemos fazer as mesmas coisas em situações/contextos diferentes!

A dificuldade em adaptar “processos”:

Sem variação tática, Tite não conseguiu adaptar seu esquema de jogo ao domínio croata da bola “girando” no meio campo, por exemplo. Diferentemente do técnico da Argentina que adaptou seu esquema de jogo – processos – à realidade dos seus adversários. Em gestão, processos devem ser adequados constantemente!

O desequilíbrio emocional ao tomar o gol de empate: Cadê o líder?

O gol de empate da Croácia foi uma surpresa, mas não algo fora das possibilidades reais de um jogo de futebol. Porém, o mais problemático foi a forma como os jogadores reagiram a isso. Aparentemente não tiveram um líder à maneira Zagallo contra a Holanda em 1998 para trazer os jogadores a realidade dos pênaltis!

A falta de raciocínio lógico em um momento crucial: “Cadê o Neymar batendo o pênalti?”

Digo aos meus alunos de que Gestão não é somente razão, mas também feeling. Mas, continua sendo razão! A disputa de pênaltis contra a Croácia foi um grande erro de estratégia de Tite ao deixar o melhor batedor por último, que não bateu. Talvez Neymar não fosse o primeiro, mas teria que ter sido o quarto, ao menos!

Um elogio à Felipão: Em socorro aos seus jogadores

Recordo-me do técnico Felipão entrando em campo após o fatídico 7 x 1 para a Alemanha consolando seus jogadores e chamando a responsabilidade para si pelo resultado. Parabéns Felipão! Tite não conseguiu agir assim. Lição que fica: Cada um responde de uma maneira única as situações, Felipão conseguiu, mas Tite não!

* Esse texto é um artigo de opinião do colunista e pode não representar a posição do portal Mais Minas sobre o assunto.

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