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segunda-feira, 6 fevereiro 2023

Cheyenne Duarte
Cheyenne Duarte
Professor Universitário há 10 anos em diversos cursos. Bacharel em Administração. Licenciado em Pedagogia. Atualmente atuo como Orientador Educacional em uma Unidade Municipal de Educação Infantil.

Pelé: gestão da imagem e parâmetro de excelência

No “apagar das luzes” do ano de 2022 o Brasil e o mundo foram impactados com o falecimento de Edson Arantes do Nascimento, o Pelé! Para milhares, assim como para mim, ele é o maior jogador de futebol de todos os tempos. Não somente: o atleta do século XX. Números pessoais, títulos, o quase gol do meio de campo, performance, atenção midiática – durante e após a carreira – apontam de forma vigorosa de que a mística monárquica se justifica.

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Embora não tenha tido a oportunidade de vê-lo atuar profissionalmente, assumo que o conjunto de sua obra aponta para certo nível de legado que transcende as quatro linhas de um campo de futebol. Considerado por muitos como pioneiro no marketing esportivo, a marca “Pelé” reuniu em torno de si a evocação da excelência.

A força da marca “Pelé” nos traz à mente o quão trabalhoso é construir uma imagem de credibilidade. Uma imagem, seja ela pessoal ou corporativa associada à excelência, não se constrói de forma instantânea; ela requer tempo. Em tempos de redes sociais e tecnologias digitais de comunicação, não podemos confundir o “viralizar”, o quase instantâneo, com o processo complexo e demorado de construção/fortalecimento de uma marca.

Por falar em redes sociais e no seu bojo à internet, Edson Arantes do Nascimento se tornou Pelé bem distante da rede mundial de computadores. Com recursos midiáticos escassos em comparação ao tempo presente, Pelé consolidou-se como jogador, atleta e esportista pelo seu talento incomparável, mas também por interessantes movimentos associados ao marketing esportivo. No próximo parágrafo elenco alguns episódios…

Em 1958 na Suécia foi fotografado bebendo algo em uma embalagem industrializada. Ou quando amarrou sua chuteira ao vivo em campo na Copa do México em 1970. E também quando assinou um contrato para comercialização de um café com seu nome. Ou ainda mesmo quando decidiu atuar pela liga americana de futebol (soccer) em 1975, iniciando uma trajetória futebolística vinculada ao entretenimento.

Pelé, como um fenômeno do futebol e dos esportes, o maior – o verdadeiro fenômeno brasileiro – nos deixou um legado técnico extremamente valioso: O do parâmetro de excelência. Como assim? Vou explicar! Grande parte dos mínimos entendedores de futebol, sejam os que assistiram a Pelé jogar (meu pai), assim como os que não, são quase unânimes – exceto muitos hermanos – em dizer que ele atingiu o padrão máximo de excelência no esporte.

Tal padrão de excelência na prática do futebol tornou-se com o passar do tempo uma referência para avaliar se um jogador se aproxima de ser um craque (ou não). Embora parte da impressa (torcedora) esportiva brasileira tenha banalizado a expressão “craque”, ou seja, se um jogador faz alguma coisa de diferente em campo já é considerado um fora da média. Para muitos especialistas e entusiastas do futebol, Pelé é o “estado da arte” no esporte.

Pelé era muito bom em todos os fundamentos do futebol: cabeceio, falta, chute de fora da área, arrancada, drible… um jogador completo! Esse “estado da arte” habita a consciência coletiva de quem pratica/praticou ou acompanha futebol como uma referência, uma medida confiável para análise e classificação de outros jogadores. Tal paradigma é utilizado até mesmo em outros esportes – embora seja desproporcional comparar fundamentos de atletas de esportes distintos – como já escutei dizerem que tal jogador é o “Pelé” do tênis ou do basquete.

Sendo uma referência confiável do que é ser um verdadeiro craque ao praticar futebol, Pelé tornou-se inspiração para diversos jogadores. Muitos conseguirão chegar ao patamar que ele chegou? Provavelmente não! Porém, a qualidade ou excelência é muito mais um trajeto, uma longa caminhada do que um destino final. Para os atuais jogadores ou meninos que almejam tornarem-se atletas reconhecidos, vale a pena se inspirar em Pelé como um destino final, mesmo inalcançável!

P.S.: Os hermanos vivem dilemas de tempos em tempos no futebol. Muitos ainda debatem se o maior jogador argentino de todos os tempos foi Maradona ou Di Stéfano. Agora a polêmica gira em torno se é Maradona ou Messi. Se eles ainda não se resolveram no tocante a isso –  quem é o maior deles – como podem defender que Pelé não foi o melhor jogador de todos os tempos? Ah, os hermanos

* Esse texto é um artigo de opinião do colunista e pode não representar a posição do portal Mais Minas sobre o assunto.

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