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"Um absurdo", diz mulher sobre aglomeração após ficar internada com Covid-19

Elis Bohrer 6 de julho de 2020 às 16:19
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Michele Cristiane da Silva, de 36 anos, passou por 24 dias de angústia após contrair o novo coronavírus. Entrevistada pela reportagem do portal Mais Minas, a manicure contou com detalhes sobre a experiência ruim que teve com o novo vírus e disse achar “um absurdo” as aglomerações pelas ruas.

Mãe de um menino de 12 anos, Michele, além de contar sobre os danos físicos, relatou também sobre o estado emocional que ela ficou durante todos os dias que esteve doente. “Parecia que nunca ia chegar o dia de eu sair do isolamento. Eu fiquei dias tratando como se fosse uma infecção urinária, mas no oitavo dia eu piorei, foi quando me internei. A experiência que eu tenho de ficar 24 dias longe do meu filho e longe da minha família? Meu Deus do céu! Eu não desejo isso pra ninguém (emocionada). É uma eternidade, é uma solidão muito grande. Eu tive todos os sintomas da Covid, todos! Diarreia, vômito, tudo o que imaginar. Mas o meu isolamento foi muito triste, eu fiquei muito deprimida, só queria chorar”.

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Para a sobrevivente, o pesadelo começou no dia 31 de maio, data em que ela começou a sentir calafrios nos pés e o corpo frio. Já no dia 1º de junho ela teve diarreia, e, no mesmo dia, Michele buscou atendimento no posto de saúde próximo da sua casa. “Fiz o exame do cotonete no nariz e fui pra casa com os sintomas piorando”, contou a manicure.

No dia 2 de junho, Michele acordou com febre alta, e foi encaminhada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde foi realizado um exame que constatou que ela estava com uma bactéria. “Falaram que era uma bactéria de infecção de urina. Começaram a tratar infecção de urina, me dando os remédios para infecção de urina, mais um remedinho laranjado usado para Influenza, voltei pra casa no mesmo dia”. Depois disso Michele ficou mais cinco dias tratando infecção de urina em casa.

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Chegou a segunda-feira (8/06), Michele voltou a sentir-se mal, com falta de ar. “Senti falta de ar ao ponto de sentir que eu ia desmaiar, meu esposo me levou para o posto de saúde e me levaram de resgate pro hospital e me internaram na hora. Meus sintomas foram todos. Eu tive diarreia, febre muito alta, vômito, eu tive náuseas, eu tive dor de cabeça, muita dor no corpo, muita dor nas costas, muita fraqueza, eu não conseguia ficar em pé, coriza, tosse e tive alta no dia 15/06”, detalhou Michele.

Paciente com Covid-19 internada. Foto: Michele Cristiane da Silva

Para salvar a vida de Michele, a equipe da Santa Casa de Misericórdia de São José do Rio Preto/SP precisou entubá-la. “Eu fiquei três dias com balão, que é aquele com uma máscara e uma bolsinha de ar. Depois dos três dias ele me colocaram um cano. Nos três primeiros dias eu não conseguia respirar sozinha porque eu perdi 30% do meu pulmão do lado direito. Eu tava muito ruim! Depois dos três dias que minha respiração voltou ao normal e os antibióticos começaram a fazer efeito foi que eu troquei de ar. Então eu usei dois procedimentos diferentes”, explicou a manicure.

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Veja o vídeo do momento em que Michele deixou o hospital:

Michele, que é uma esperança viva, deixou para os nossos leitores e leitoras uma mensagem de inspiração:

“Tem valor em cada minuto vivido. Pra mim a frase que eu tenho mais usado nesse tempo que eu fiquei doente é essa, que a gente possa aproveitar cada minuto vivido. Deus é maravilhoso, é onipotente, onipresente, onisciente, e que as pessoas não tenham medo, que elas tenham mais fé que tudo vai passar, assim como eu sobrevivi, que todos possam sobreviver a essa pandemia”.

Certificado e alta hospitalar de paciente com Covid-19

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