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Falta de equipamento é o principal problema do ensino remoto, aponta pesquisa

Uma pesquisa feita pela TIC Educação, realizada através do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETIC), mostrou que a falta de equipamentos, como computadores, smatphones e tablets foi a maior dificuldade para 83% das escolas brasileiras

Rômulo Soares 4 de setembro de 2021 às 17:45
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4 min
Foto: Biblioteca de Imagens do Canva
Foto: Biblioteca de Imagens do Canva

Uma pesquisa feita pela TIC Educação, realizada através do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETIC), mostrou que a falta de equipamentos, como computadores, smatphones e tablets foi uma das principais dificuldades para garantir o prosseguimento das atividades escolares de forma remota durante a pandemia. Segundo o estudo, 83% das escolas brasileiras enfrentaram tal dificuldade.

O estudo se embasou em entrevistas com pessoas de 3.678 escolas. O problema da falta de aparelhos para acompanhar as aulas foi maior em escolas públicas estaduais e municipais (95% e 93%, respectivamente) do que nas particulares (58%). O obstáculo também foi mais presente nas áreas rurais (92%) do que nas urbanas (83%) e mais encontrado no Norte (90%) do que no Sudeste (80%).

Também foram listados como problemas enfrentados o apoio aos alunos em casa por pais e responsáveis (93%), o aumento da carga de trabalho dos professores (73%), o atendimento a alunos que vivem em áreas isoladas (70%) e a dificuldade de atividades para alunos em alfabetização e nos primeiros anos do ensino fundamental (69%).

Os participantes da pesquisa também apontaram o atendimento de alunos com vulnerabilidade social como um desafio. O estudo mostra que 65% dos estudantes não têm acesso à alimentação em casa, 61% não possui conhecimentos dos professores para usar as tecnologias digitais e 59% tem problemas para ofertar as aulas a alunos com deficiência.

Entre as escolas ouvidas, 87% relataram utilizar alguma forma de tecnologia para a realização de atividades na pandemia. Esse recurso foi utilizado por todas as unidades particulares, 94% das unidades na rede estadual e por 69% na rede municipal.

Para tentar viabilizar a continuidade dos estudos em formato remoto durante a pandemia, as escolas adotaram algumas medidas, como a distribuição de materiais pedagógicos para os pais (93%), a criação de grupos em redes sociais (91%) e a gravação e disponibilização de aulas em vídeo (79%).

Também foram empregados métodos como realização de aulas por videoconferência (65%), parcerias com líderes comunitários para envio de materiais e famílias (62%), envio de atividades e materiais por e-mail (60%) e uso de plataformas virtuais de educação (58%).

As diferenças também foram destacadas quanto ao uso de redes sociais. Os grupos para comunicação entre alunos, professores e escolas foi relatado por 91% escolas, em 98% na área urbana e 79% na rural, sendo 97% nas capitais e em 88% no interior. Tal dado também se refere a 96% na rede particular e em 88% na municipal.

A adoção de plataformas virtuais de aprendizagem se tornou uma tendência necessária no ano passado, com a pandemia. Enquanto em 2019, apenas 28% das escolas faziam uso deste recurso. O crescimento no ano passado corresponde a 66%.

O emprego de plataformas de videoconferência para veiculação e aulas foi relatado em 65% das escolas, mas também com diferença. A prática foi reportada por 79% no Centro-Oeste e por 30% no Norte, por 78% nas áreas urbanas e por 39% nas rurais, e em 88% das unidades de grande porte (mais de mil alunos) e 43% nas de pequeno porte (até 50 alunos). Neste caso, houve desempenho semelhante entre as redes particular (88%) e estadual (86%).

Desigualdade como destaque

Segundo a coordenadora da pesquisa, Daniela Costa, o estudo apontou como as vulnerabilidades e desigualdades são notórias, tanto aquelas de caráter social e e financeiro quanto as de acesso às tecnologias digitais.

“A gente tem as desigualdades sociais e a elas se somam as digitais, e são basicamente os mesmos grupos que vivenciam essas desigualdades, o que agrava o hiato entre aqueles que têm mais oportunidades de enfrentar uma situação como a pandemia e a aqueles que vão ficando cada vez mais para trás”, disse Daniela.

A pesquisadora acrescenta que a pandemia evidenciou essas desigualdades. Ela defende que é preciso olhar com mais atenção tal disparidade e que sejam pensadas medidas para os segmentos e localidades com mais dificuldade de acesso, como as áreas rurais, as pequenas escolas e a rede municipal. “São os pequenos municípios que demandam maior atenção”, finaliza.

Em audiência pública ocorrida em julho na Câmara dos Deputados, o Ministro da Educação, Milton Ribeiro, disse que o ministério investirá ao menos R$ 320 milhões em ações de conectividade estabelecidas por da 14.180/2021, que instituiu a Política de Inovação Educação Conectada.