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O final perturbador do filme “A Filha Perdida”

Elis Bohrer 4 de janeiro de 2022 às 18:45
Tempo de leitura
4 min
Leda (Olivia Colman) Foto: divulgação/Netflix
Leda (Olivia Colman) Foto: divulgação/Netflix

Com roteiro e direção de Maggie Gyllenhaal, o filme “A Filha Perdida” é um convite para a sociedade observar mais apuradamente a vida da mulher, mãe. O drama tem um final perturbador, porém de livre interpretação. 

Baseado no livro da italiana de codinome Elena Ferrante, o drama traz Leda como protagonista, incorporada pela atriz Olivia Colman.


Leda é uma professora universitária com as emoções à flor da pele, mais do que isso, uma mulher profunda, muitas vezes indecifrável. Que não busca aprovação social, ao mesmo tempo em que não sabe conviver com suas próprias liberdades e escolhas.

Ao viajar de férias para a praia, fixa seus olhares e pensamentos em uma mulher mais jovem chamada Nina (Dakota Johnson), mãe da pequena Elena. Ao se deparar com os momentos “mãe e filha” que as duas vivenciam à beira-mar, Leda não imaginou que desbloquearia lembranças de suas filhas Bianca e Marta. 

Quando Nina perde sua filha na praia, Leda então começa a se lembrar de quando perdeu a filha mais velha, Bianca, também às margens de um mar. Então suas observações em relação a Nina e Elena viram uma obsessão a tal ponto, que Leda encontra a boneca da menina e não a devolve. 

Mesmo vendo toda a família procurar a boneca da criança e Nina narrar que a criança entrou até mesmo em estado febril de saudades da boneca, Leda, uma mulher que já passou da meia idade, não devolve o brinquedo, além disso, compra roupas novas, limpa e dorme abraçada com a boneca. 

Ela se embaraça em suas lembranças, chora muito ao se recordar da infância das filhas. O filme enfatizou as dificuldades cotidianas que Leda enfrentou para criar as, estudando e trabalhando simultaneamente, ao lado do marido, que não se preocupou muito com a carreira da ainda jovem estudante de literatura. 

Quando ainda era jovem e com as crianças pequenas, Leda teve um caso extraconjugal, decidiu abandonar o marido e as filhas, contudo salienta que não foi por causa do crítico literário com quem iniciou o romance e sim pela falta de paciência e dificuldade para gerir tantas demandas. 

Voltando para a Leda mais velha, ao final do filme, depois de ler cartazes espalhados pela cidade em que se oferecia até mesmo recompensa para quem encontrasse a boneca de Elena, Leda resolve entregá-la a Nina. Que fica furiosa e não perdoando Leda a golpeia com um alfinete na barriga, fazendo um corte que parece profundo. 

Com raiva, Leda arruma suas malas e segue viagem em seu carro. Porém, em decorrência de um acidente, para no meio do caminho, onde encontra uma praia e desmaia, devido ao ferimento que Nina lhe causou. 

No outro dia ela amanhece ainda na praia e começa a conversar com suas duas filhas no celular, enquanto descasca uma laranja. Fica em aberto se Leda morreu e aquilo tem um sentido espiritual, se ela sofre de esquizofrenia, se sua filha Bianca que sumiu quando era criança de fato apareceu e estava conversando com a mãe, ou se tudo não passou de um blefe e o golpe com o alfinete não foi tão profundo assim. 

Outra dúvida que fica no ar, quem é a filha perdida? Bianca, filha de Leda, Elena, filha de Nina ou a própria Leda?

O fato é que o longa é recheado de detalhes, que mesclando psicodrama e suspense, deixa o espectador de “orelhas em pé” do começo ao final, além de abordar questões femininas ainda não resolvidas em nossa sociedade, como a maternidade não compartilhada, por exemplo. 

Talvez, lendo o livro, tenhamos maior clareza sobre o desfecho do filme, é exibido na Netflix. Sem dúvida ele mexe com o imaginário dos admiradores do gênero. 

“As coisas mais difíceis de falar são as que nós mesmos não conseguimos entender”, Elena Ferrante.

Veja o trailer:

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