Elis Bohrer
Elis Bohrer
Elis Bohrer é estudante de jornalismo e réporter de entretenimento e cidades no Mais Minas. Contato: elis@maisminas.org

Queda por interesse em lives pode gerar crise no setor artístico

O mal do modismo é que ele cansa, e quando satura, “quem bebeu bebeu, e quem não bebeu vai ficar com sede, pois toda fonte um dia seca”. Estamos falando sobre as lives musicais, que já não são tão procuradas mais, o que pode levar a uma queda brusca na economia no que tange à classe artística. E quando escrevemos “classe artística”, nos referimos a muitos trabalhadores, desde os que aparecem na frente das telas até aos que carregam cabos, nos bastidores.

O fenômeno das lives musicais ascendeu no Brasil já no início da pandemia pelo coronavírus. Impossibilitados de trabalhar, muitos produtores e os próprios artistas optaram pro explorar o mundo virtual, em que era possível continuar sendo patrocinados e lançarem seus trabalhos. Durante os meses de abril e maio, as lives alcançaram o seu auge, mas logo após iniciou-se o momento de declínio. A palavra chave “live” deixou de ser pesquisada na internet, o que ocasionou na queda no número de espectadores.

O enfraquecimento das lives pode se dar a diversos fatores, o principal deles, a reabertura gradual do comércio. Antes, a maioria das pessoas não estavam saindo de casa sequer para ir ao supermercado, e as compras estava sendo realizadas por delivery, o que não está mais acontecendo. Agora, a população começa a sentir a necessidade de sair de casa, nem que seja para ir ao mercado. Em São Paulo, por exemplo, já é possível frequentar restaurantes.

Com o evidente desinteresse do público em relação às lives, o setor artístico cultural fica comprometido, pois ao mesmo tempo em que tornou-se mais difícil realizá-las, eles não podem promover shows presenciais, a não ser por drive-in, um modelo de show em que o público pode participar de dentro do carro. Entretanto, o drive-in segmenta bastante o público, e ao que tudo indica, não pegou no Brasil.

Com a palavra chave “live” sendo 67% menos procurada e com os artistas não podendo se apresentar presencialmente, o que restou para a classe artística? Nada! Quem fez o seu pezinho de meia, e aproveitou até mesmo o momento de ascensão das lives, vai conseguir passar por meses sabáticos, e olha que estamos nos referindo aos artistas de grande porte, pois para os de médio e pequeno porte, as possibilidades já se esgotaram faz tempo.

Um exemplo caro de como a economia para este setor também está sendo balançada é o do cantor sertanejo Luan Santana, que decorrente da falta de shows, precisou demitir 20 funcionários de uma só vez da sua empresa. Através de nota, a empresa do artista informou que rompeu o contrato com os colaboradores que atuavam nas estradas, são integrantes da banda, técnicos e produção em geral.

A maioria das empresas que patrocinam as lives no Brasil são as de bebidas alcoólicas, mais especificamente de cerveja, setor que também sofreu queda 11,5% do faturamento no primeiro semestre deste ano. Aqui a queda se dá pelo fechamento dos bares e restaurantes devido às medidas de isolamento social.

Como podemos perceber, a pandemia do coronavírus tira não apenas vidas, como empregos também.

Leia também: Na Grande BH, número de mortes por Covid-19 aumenta 40% em uma semana.

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