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Natural de Lafaiete e ator da série “El Presidente”, Demétrio Alves fala de forma exclusiva com o Mais Minas

Natural de Conselheiro Lafaiete, o ator Demétrio Alves, de 32 anos, interpretou o Pelé na segunda temporada da série “El Presidente”, da Amazon, que aborda o escândalo de corrupção da FIFA ocorrido em 2015, que ficou conhecido como “Fifagate”. A produção conta com o roteirista argentino e vencedor do Oscar, Armando Bó (Birdman e a Inesperada Virtude da Ignorância), da About Entertainment.

Demétrio também já compôs o elenco da série “Mostra Tua Cara”, exibida no Canal Brasil, em 2018, e “3%”, da Netflix. O ator também esteve no filme “As Órfãs da Rainha”, da diretora Elza Cataldo, gravado na cidade de Ubá, no início do ano passado. Em “El Presidente”, ele teve a oportunidade de trabalhar com atores renomados, como Leandro Firmino, que fez o famoso “Zé Pequeno”, e Maria Fernanda Cândido.

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Em entrevista exclusiva ao Mais Minas, Demétrio contou tudo sobre a série “El Presidente”, seu personagem e seu início de carreira. Confira!

MM: Você gravou lá no Uruguai, não é isso? Como foi encarar essa experiência internacional?

DA: É o meu primeiro trabalho internacional. Inclusive, esse trabalho me proporcionou conhecer o Uruguai, foi a minha primeira viagem internacional e foi uma experiência incrível, conhecer outras culturas, outras pessoas e outra linguagem também. A gente não conheceu só o Uruguai, fomos para Montevidéu e essa série está sendo gravada em vários estados do Uruguai, como San Fernando de Maldonado, Piriápoles, Punta Del Este e tem gente do mundo todo, do Reino Unido, da África. A série vai se passar no Brasil, mas, além dos atores daqui, tem atores do mundo todo. Está sendo gravada lá, mas a produção é argentina, dos Estados Unidos, chilena…

MM: Nessa experiência multicultural você teve que falar outras línguas, como foi essa experiência?

DA: Foi um exercício muito grande, porque o pessoal da produção é de lá e da Argentina também, então a gente teve que fazer um ‘esforcinho’ para falar e escutar em espanhol, aprimorar a escuta. Tanto o espanhol quanto o inglês, porque tem algumas cenas da série que vão ser em inglês. Então, foi um exercício muito grande e que me favoreceu bastante em relação à língua, porque é muito diferente da gente aprender na escola, que ficamos sentado numa cadeira escutando o professor falando sobre outras linguagens. Nós ficamos lá três meses gravando, então era tudo, shopping, supermercado, além da produção do nosso cotidiano. Foi bem legal, aprendi bastante coisa e voltei fazendo aula de inglês.

MM: Pensando em todo o estudo do personagem que é o ex-jogador e tudo o que ele simboliza para o nosso país, como foi interpretar o Pelé?

DA: Eu acredito que o primeiro choque que eu tive foi quando eu recebi esse teste e me falaram do personagem. Eu pensei: “nossa, o Pelé…”, eu não jogo tanto futebol assim, sou meio perna de pau. Jogo basquete de rua e já fui de Seleção, mas no futebol… Tenho até um tio que me falou: “Cara, não fica tão duro igual você jogava bola na quadra não hein”. Então, houve o choque no início, eu pensei: “Como que eu interpreto o Pelé?” Eu falo que interpretei dois personagens ao mesmo tempo, o Pelé que todo mundo conhece, que é o rei do futebol, e o Edson Arantes do Nascimento, que é o outro lado do Pelé e que poucas pessoas conhecem, que é um Pelé mais reservado, sentimental. A gente vê na mídia o Pelé comemorando gol, chorando de emoção, mas tem esse lado do Edson Arantes, então foi um desafio muito grande. Eu dei tudo que eu pude.

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MM: Como foi a sua relação com a equipe, incluindo os diretores (em destaque Armando Bó, vencedor do último Óscar)?

DA: A gente fez uma pesquisa bem intensa sobre a vida dele, principalmente nos anos da juventude, porque eu vou interpretar o Pelé jovem, então o diretor me ajudou, teve um preparador de elenco da Argentina, o Gabriel, que também me ajudou para caramba. Essa sensação de “como eu vou interpretar um rei do futebol?”. É uma figura tão grande e importante para o Brasil e para o mundo. Aos poucos, a ficha foi caindo e eu fui tentando entrar mais no personagem possível, mas eu acredito que essa ficha só vai cair quando a série estrear. No set de filmagem a galera ficava sempre brincando, quando eu chegava eles falavam “olha o rei”, mas para eu entrar no personagem. Foi uma equipe que me ajudou bastante. O Armando Bó é o vencedor do último Óscar e a gente, às vezes, têm até medo de chegar perto da pessoa e ele me ajudou para caramba a entrar nesse personagem.

MM: Como você fez para desempenhar o papel em pouco tempo para aperfeiçoá-lo?

DA: Eu fui lapidado com o tempo, lendo o roteiro, assistindo os filmes do Pelé, vi alguns jogos e isso tudo eu fui levando para o personagem. Fui, também, adquirindo essa maldade na rua, gosto de construir o meu personagem na rua, porque eu acho isso muito importante. Como o Pelé anda, como ele cumprimenta as pessoas, como ele olha, abaixa, sorri, grita, porque ele já é uma entidade pronta que todo mundo conhece, mas tem o Demétrio ali por trás interpretando ele. Então eu fiz como faço nas minhas pesquisas, nos meus laboratórios cênicos de sempre e ir para a rua. Às vezes você dá uma volta no supermercado e começa a encarar aquilo, incorporar isso para o seu corpo, como o Pelé dá bom dia, agradece e nesse meio tempo que eu estava aqui no Brasil e chegou a aprovação. Quando cheguei lá no Uruguai, tem testes, conversas com o diretor, o que ele quer que desconstrói no personagem, o que ele quer colocar. Então, os meus personagens eu levo para o meu cotidiano.

MM: Como surgiu essa oportunidade?

DA: Eu já trabalho com cinema desde 2016, foi quando eu me mudei daqui de Lafaiete para ir para Belo Horizonte para fazer teatro. Então nesse ano surgiu uma oportunidade de fazer um personagem em uma série, mas eu não passei no teste. A partir daí eu comecei a fazer mais testes, curta-metragem, filmes, séries, então a gente vai ficando um pouco conhecido. Nessa questão de ator você vai montando um portfólio, vai fazendo teste, monólogo que é colocado em um banco de dados e, então, somos conhecidos por vários produtores de elenco, tem toda essa questão de começar a fazer trabalho e começar a ser conhecido. Eu faço parte de um banco de elenco de atores do brasil todo, quando eles estão precisando de um certo tipo de personagem. Chegou esse teste para mim (para interpretar o Pelé) em fevereiro deste ano. Eu estava até aqui em Lafaiete e fiz, me joguei. Foi um mês de teste, porque aí eles já filtram o que eles estão buscando e o diretor já escolhe alguns atores para fazer mais testes. Foi um mês de tensão e dedicação.

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MM: O que se pode esperar da segunda temporada da série e do seu personagem?

DA: É louco, porque quando eu voltei para o Brasil, o pessoal me perguntou se iria ser um documentário sobre o Pelé, se eu iria só jogar futebol, mas não. Para quem tiver a oportunidade, assista a primeira temporada de “El Presidente”, que é muito massa. Além do futebol, vai ter corrupção, arma, crime, emoção, família, vai ter muita coisa. E vão ter muitos atores ótimos aqui do Brasil também interpretando outros personagens, como o Leandro Firmino que fez o famoso “Zé Pequeno” e Maria Fernanda Cândido. E sobre o que esperar do Pelé, será o outro lado dele que poucas pessoas conhecem. Ninguém sabe que o Pelé parou uma guerra na África, lá em Biafra, por 48 horas. Então, muita coisa vai ser mostrada.

Carreira

MM: Você sempre quis ser ator?

DA: A minha vontade de ser ator partiu de Chiquititas, que eu sempre curti muito. Eu estava na primeira série e então eu falei: “Eu quero fazer o que aquele moleque ali faz”. Eles eram da minha idade e estavam decorando texto e atuando, eu achava muito massa, sempre gostei. Eu lembro que quando eu era pequeno eu peguei um livro da minha mãe e falei que iria decorar ele. Decorei algumas páginas do livro, brincando sabe? Mas eu fiz pouco teatro, tive pouca oportunidade de me apresentar em peças de escola. Teve uma peça que eu me apresentei e esqueci o texto na frente da escola toda, aí eu falei que não queria ser aquilo mais. Esse sonho adormeceu. Minha família sempre foi bem cinéfila, todo final de semana a gente ia numa locadora, pegava várias fitas k7 e assistia todos os filmes, até de terror que eu tinha medo. Minha avó era muito noveleira e eu sempre curti demais também. Então, desde pequeno eu acho que já analisava isso, mas não sabia como faria aquilo, porque Lafaiete está num polo muito próximo de Belo Horizonte, mas era difícil naquela época, não tinha internet, era pouca gente que tinha acesso a computador. Então isso foi adormecendo, me formei como técnico ambiental, fui trabalhar no Instituto Municipal de Florestas, depois fiz SENAI em Ouro Branco e esqueci a arte. Trabalhei seis anos na CSN, de 2010 até 2016, quando foi minhas férias de 2016, eu falei: “Quer saber? Vou vazar disso aqui”. Um ano antes, mais ou menos, uma agência de Belo Horizonte me chamou para ser modelo e eu pensei “Como que eu vou? Trabalhando de turno em outra cidade, vai ser punk”. Mas nessas férias de 2016 minha melhor amiga já era desse ramo da moda, conhecia pessoas influentes e me falou para ir para São Paulo fazer foto com a Larissa Daré, uma fotógrafa bem conhecida, e eu decidi arriscar, não tinha nada a perder, estava de férias. Fiquei um mês lá e fiz um book maravilhoso, a fotógrafa disse para eu me mudar para São Paulo, mas eu estava muito inseguro, voltei para Lafaiete, trabalhei um mês mais ou menos, mas saí daqui e fui para Belo Horizonte, comecei a fazer teatro, morei numa república de atores e diretores que me apoiaram e foi aí que comecei a trilhar meus caminhos. Entrei no coletivo “Segunda Preta”, que me empurrou para frente, a agência que eu estava começou a me dar alguns trabalhos de publicidade e comecei a fazer os testes de cinema.

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MM: Você fez alguns outros trabalhos em séries conhecidas, como “Mostra Tua Cara”, exibida no Canal Brasil em 2018, e “3%”, da Netflix. Nos conte como foram esses trabalhos?

DA: Meu primeiro trabalho no cinema foi o “Mostra Tua Cara”, que fala sobre os protestos que tiveram para abaixar o preço das passagens, a galera do black block foi para as ruas quebrar as paradas, foram protestos muito significativos para o Brasil, então decidiram fazer uma série, dirigida pela Silvia Godín. Eu fiz o amigo da jornalista Bianca e desde então não parei mais. Comecei a estudar na PUC por conta própria, a galera lá me fortaleceu demais para eu fazer teste e atuar na frente da câmera, que é muito diferente de teatro. Por sempre gostar de performance, o cinema foi me chamando e foi rolando organicamente, até que eu comecei a fazer uns trabalhos que eu pude ficar mais reconhecido na cena. O meu primeiro trabalho foi em “3%”, da Netflix, eles tinham me chamado para fazer a segunda temporada, mas eu não tinha DRT, então me colocaram no elenco de apoio. Quando foi em 2019 eles me chamaram de novo para a quarta temporada e aí eu tinha tirado o DRT há cerca de três semanas, então pude trabalhar em um personagem coadjuvante. Foi só em uma cena, mas eu fiquei muito feliz, porque sair do interior, se jogar no mundo e depois se ver é muito bacana.

MM: O que a pandemia afetou no seu trabalho?

DA: A arte é muito desvalorizada nesse país, na pandemia, teatro fechou, não pudemos mais gravar. Eu estava tão feliz, porque 2020 ia ser um ano de bastante trabalho. Eu ia apresentar uma performance na Bahia, eu estava com o meu primeiro longa-metragem como personagem principal, um curta-metragem e uma série, todos foram cancelados. Eu fiquei muito frustrado, em desespero. Mas aos poucos começaram a aparecer alguns trabalhos e agora em 2021 apareceu essa surpresa.

MM: Quais serão os seus próximos trabalhos?

DA: A gente tem o próximo curta da “Vovó” para fazer que é da “Companhia LiberArte”, de Belo Horizonte, que vai rodar em agosto e tem uma série policial de Belo Horizonte que está para rodar no segundo semestre também. Como a gente está em momento pandêmico ainda não está garantido quando vai começar a rodar. Mas o curta da “Vovó” está bem legal, fala também sobre a história da barragem de Mariana e Brumadinho, tem essa ligação, sobre o processo escravocrata de Minas Gerais, vai ser bem legal.

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