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Rodolpho Bohrer
Rodolpho Julio Marci Bohrer é socio-fundador e diretor geral do Mais Minas. Estuda jornalismo na Universidade Cruzeiro do Sul e atualmente é repórter de política, cidades e loterias. Contato: comunicacao@maisminas.org

Plataforma Coletiva Queerlombos lança primeiro site dedicado à cultura LGBTQIA+ de Minas Gerais

A Plataforma Coletiva Queerlombos lança no dia 27 de julho a primeira plataforma de conteúdo LGBTQIA+ de Minas Gerais (https://queerlombos.org/). O lançamento será acompanhado da realização de rodas de conversa pelo Zoom e YouTube entre os dias 27 de julho e 1º de agosto, sempre às 20h. Chamado de Canjerê de Ideias, esse ciclo de bate-papos gratuitos contará com artistas que abordarão temas como outras possibilidades de existência e a participação de outros corpos na arte. 

O projeto conta com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura e lançará mais três produtos até setembro de 2020. São eles: o podcast Canjerê de Ideias, o produto audiovisual EscutaQueer e uma revista digital. 

O intuito é oferecer de forma pública e gratuita conteúdo sobre e para a comunidade LGBTQIA+, fomentando e estimulando discussões. “Esperamos que ações coletivas como essa possam aproximar a multiplicidade existente dentro do nosso movimento”, diz Fredda Amorin, produtora geral do projeto. 

A Plataforma Coletiva Queerlombos surgiu em 2016 a partir do encontro de vários artistas, profissionais da cultura e pesquisadores em Ouro Preto. Em 2019, estendeu a sua atuação para capital mineira. Já realizou cinco eventos em Ouro Preto e Mariana, promovendo a reflexão e troca sobre as temáticas e pautas relevantes para a cultura LGBTQIA+.

Site 

O site (https://queerlombos.org/) será lançado no dia 27 de julho e tem como proposta oferecer conteúdos produzidos por e para comunidade LGBTQIA+, ampliando o diálogo com artistas e coletivos de Minas Gerais, assim como parceiros do projeto. O objetivo é que a rede potencialize as vozes desses sujeitos e as trocas entre eles. Os temas consideram as interseccionalidades entre os movimentos sociais, levando em conta questões para além da sexualidade, como raça, gênero e classe. 

O espaço na web reproduz as cartografias e percursos que a Coletiva Queerlombos e as pessoas parceiras realizam nos territórios. O espaço é a transposição da proposta territorial/organização social para um site, ou sítio. A forma de navegação é uma experiência cartográfica, na qual quem navega pode escolher uma tag ou assunto e explorá-lo a partir de diversos percursos, podendo interagir com todos os links inscritos. Uma outra possibilidade é navegação pelos blocos temáticos desta edição do evento: encontros, afetos e (re)existências. 

As postagens que já estão disponíveis no site abordam temas como direito, políticas públicas, subjetividades e outras possibilidades de existência a partir de um diálogo com as expressões artísticas, entre elas a performance, teatro, fotografia, vídeo, poesia e literatura. É possível também conferir relatos sobre projetos e ações no âmbito da educação e reflexões sobre as edições anteriores de eventos realizados pela Plataforma Coletiva Queerlombos. O site aceita colaborações. Para enviar o seu conteúdo, acesse a aba respectiva no site. 

Além de espaço de troca, o portal funciona como um mapeamento das pessoas e coletivos que desenvolvem trabalhos com cultura, arte, políticas públicas e movimento sociais e culturais. “É uma possibilidade para que artistas que ainda não tenham tanta visibilidade possam construir redes, constituindo esse território virtual enquanto um espaço de apresentação e documentação de seus trabalhos e pesquisas, garantindo a pluralidade de conteúdos e, portanto, de público e visitantes no nosso portal”, afirma Túlio Colombo, articulador sociocultural e proponente do projeto em Belo horizonte. 

Canjerê de Ideias 

No dia 27 de julho, junto ao lançamento do site, tem início o Canjerê de Ideias, um ciclo de bate-papos gratuitos pelo Zoom e YouTube. Entre os dias 27 de julho e 1º de agosto, sempre às 20h, artistas conduzirão conversas sobre outras possibilidades de existência e a participação de outros corpos na arte. A ideia é criar um espaço de encontro, escuta e fala. 
Canjerê é um dos nomes dados à uma reunião de pessoas de Axé, candomblecistas, umbandistas. É nesse sentido, uma celebração da possibilidade das pessoas estarem juntas, cultivando a energia da vida (asé). É o encontro para o estudo da magia e da ritualística africana na diáspora brasileira.

A atividade reforça a oralitura como um dos canais de transmissão de ideias nas culturas africanas e afrodiaspóricas. A Plataforma Coletiva Queerlombos é um Canjerê, um terreiro de ideias em ebulição que gira para a esquerda, no sentido contrário ao do próprio tempo. Há algum tempo, a Queerlombos vem erguendo espaços de sonho e discussão, de delírio e de razão. 

Confira os temas e participantes convidados pela curadoria do projeto: 

Canjerê de Ideias 1 – Arte TransviadaCom Titi Rivotril e mediação de Fredda Amorim 
Data: 27/07/2020
Horário: 20h

Canjerê de Ideias 2 – A Cena Transmasculina Com João Maria Kaisen e Mediação de Théo Mantelato 
Data: 28/07/2020
Horário: 20h

Canjerê de Ideias 3 – Pretas e arte queer Com Nickary Aycker e mediação de Karla Ribeiro 
Data: 29/07/2020
Horário: 20h

Canjerê de Ideias 4 – Corpa Caminhão Com Jamine Miranda (@pretacaminhao) e mediação de Mayra Pietrantonio 
Data: 30/07/2020
Horário: 20h

Canjerê de Ideias 5 – Outras Corpas Produzindo Moda Com Dyony da @trashrealoficial e mediação de Vina Jaguatirica 
Data: 31/07/2020
Horário: 20h

Canjerê de Ideias 6 – A Corpa é Uma Festa Com as DJS Pat Manoese e Kingdom e mediação de Jahi Amani Data: 01/08/2020
Horário: 20h

Podcast Canjerê de Ideias 

Os temas que nortearão os bate-papos do Canjerê de Ideias, assim como a apresentações artísticas, ganharão uma nova roupagem e serão transformados em uma série de podcasts com seis episódios, com a duração de 40 minutos a 1 hora cada. Os podcast serão lançados nas plataformas de streaming e também no site. A previsão de lançamento é em agosto de 2020. 

EscutaQueer 

A série audiovisual, com quatro episódios de 10 a 15 minutos cada, abordará quatro eixos temáticos: produção cultural, direito à cidade, teatralidades e políticas públicas. A curadoria do projeto selecionará as perguntas que serão enviadas para pessoas de quatro espaços culturais da cidade. São eles o Centro Cultural de Venda Nova, Centro de Referência da Juventude, o Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD) e o Teatro Espanca! Os participantes enviarão os vídeos com suas respostas que servirão de material para a série. Os vídeos estarão disponíveis no canal do YouTube da Coletiva Queerlombos e armazenados no site do projeto. A previsão de lançamento é em setembro de 2020.

Revista Digital 

Ao final do projeto, a Coletiva organizará a produção editorial de uma revista que reflita as discussões desenvolvidas durante as atividades. Além da versão online para download gratuito, será confeccionada uma tiragem impressa limitada, que será entregue para quem participar das oficinas que serão realizadas após o período de reclusão social devido ao coronavírus. 

Plataforma Coletiva Queerlombos 

A Plataforma Coletiva Queerlombos surgiu em 2016 a partir do encontro de artistas, profissionais da cultura, pesquisadoras e pesquisadores em Ouro Preto. Em 2019, estendeu a sua atuação para capital mineira. Já realizou cinco eventos em Ouro Preto e Mariana: três edições da Semana da Diversidade (nos anos de 2016 e 2017), duas edições da Queerlombos (nos anos de 2018 e 2019). Estas ações levaram para a Região dos Inconfidentes artistas e pessoas que pesquisam e atuam com políticas e movimentos sociais, proporcionando a reflexão e troca sobre as temáticas e pautas relevantes para a cultura LGBTQIA+. 

A proposta original para o projeto aprovado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, com execução em 2020, seria a da realização em formato presencial, que abrangeria quatro territórios capital mineira. Diante da pandemia de coronavírus, foi necessária a readequação do evento para o formato online. A curadoria teve o cuidado de manter o escopo inicial, assim como as temáticas e parcerias previstas. 

Na esperança de que essa situação consiga ser revertida em um futuro próximo, a Queerlombos optou por manter em formato presencial as oficinas nos territórios. Estas serão realizadas quando o período de quarentena terminar e os órgãos de saúde recomendarem a retomada das atividades. 

Projeto Queerlombos: Afetos, Encontros e (Re)existências, nº 1572/2018, aprovado no Edital 2018-2019 oriundo da Política de Fomento à Cultura Municipal (Lei nº 11.010/2016). 

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