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Rodolpho Bohrer
Rodolpho Julio Marci Bohrer é socio-fundador e diretor geral do Mais Minas. Estuda jornalismo na Universidade Cruzeiro do Sul e atualmente é repórter de política, cidades e loterias. Contato: [email protected]

CBH Rio das Velhas visita estrutura de contenção de rejeitos da Vale em Itabirito

O Grupo de Trabalho de Barragens do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas) realizou uma visita técnica à Estrutura de Contenção à Jusante (ECJ), obra que a mineradora Vale está construindo para conter lama em caso de rompimento de barragens Forquilha I, II, III, IV, V e Grupo, localizadas em Ouro Preto. A visita foi realizada no dia 11 de novembro, em São Gonçalo do Bação, distrito de Itabirito. A ECJ é uma das ações da Vale para levar mais segurança em áreas que possuem barragem em nível 3, o mais alto para o risco de ruptura. Ao todo serão três estruturas.

CBH Rio das Velhas visita estrutura de contenção de rejeitos da Vale em Itabirito
Foto: Léo Boi/TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social

A ECJ está em construção e tem previsão de ser finalizada em fevereiro de 2021. No caso das barragens de Forquilhas e Grupo, os moradores atingidos seriam da cidade vizinha de Itabirito, que fica na região Central de Minas.

A mineradora informou que está investindo R$ 1, 2 bilhões na construção da muralha em Itabirito. “A contenção será uma grande estrutura física, que vai garantir que, em caso extremo de rompimento da barragem, todo esse material seja contido, reduzindo bastante o perímetro de impacto tanto ambiental como social do eventual rompimento. É como se fosse um grande muro. A estrutura e Itabirito é a maior das três e vai alcançar 94 metros de altura por 350 metros de extensão”, explicou Alexandre Valinhas, gerente de projetos da Vale, responsável pela construção dos muros.

Alexandre Valinhas informou que a muralha localiza-se na região do Ribeirão Mata Porcos, a 11 Km do complexo de barragens Forquillha I, II, III, IV, V e Grupo.

As barreiras já foram finalizadas na região de Macacos e Nova Lima, para conter os rejeitos das barragens B3/B4, da Mina Mar Azul, e em Barão de Cocais referente a Sul Superior, da Mina Gongo Soco – esta última já na Bacia do rio Doce.

CBH Rio das Velhas visita estrutura de contenção de rejeitos da Vale em Itabirito
Foto: Léo Boi/TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social

De acordo com Alexandre Valinhas, os moradores que seriam atingidos pela mancha de lama já foram retirados de suas residências. Além disso, ele garante que as estruturas em risco estão sendo monitoradas 24 horas por dia e, em caso de colapso, o plano de evacuação seria imediatamente acionado. “Em caso de ruptura, os operários, por exemplo, teriam 25 minutos para evacuar a área. Até o término da obra estamos trabalhando para garantir a segurança da população”, afirmou.

Nelson Guimarães, conselheiro do CBH Rio das Velhas e representante da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) no GT de Barragens, falou sobre a obra. “O muro de contenção, que está sendo feito pela Vale em Itabirito, surpreende pela magnitude do canteiro de obras e tempo de execução”.

O representante da Copasa destacou também a preocupação de um rompimento de barragem à montante da captação de água da companhia em Bela Fama. “O Alto Rio das Velhas é responsável pelo abastecimento da região metropolitana de Belo Horizonte. Um rompimento de barragem na região seria o colapso. O abastecimento da RMBH é feito pelo Rio das Velhas e pelo Paraopeba que já está comprometido em virtude do rompimento em Brumadinho. Sendo assim, o Rio das Velhas é essencial para abastecer a população de BH e região”.

O representante da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), Valter Vilela, disse que a obra é inédita no Brasil. “É uma megaestrutura pioneira para conter rejeitos de mineração. Estamos diante de uma situação nunca antes vista que visa a segurança da população e do meio ambiente”.

Descaracterização

Além das obras de contenção, a Vale também informou que aplicará R$ 7,1 bi para fazer o descomissionamento das nove barragens em Minas Gerais que funcionam com o chamado alteamento a montante, método utilizado nas estruturas que se romperam em Mariana, em novembro de 2015, e em Brumadinho, em janeiro de 2019.

As barragens de Macacos, Barão de Cocais e Itabirito – consideradas mais críticas – serão descaracterizadas entre três e cinco anos. O prazo para descomissionar as demais não foi detalhado pela empresa.

UTE Rio Itabirito

O Ribeirão Silva nasce na Serra da Serrinha, próximo à fábrica da Coca-Cola, em Itabirito se junta ao Ribeirão das Almas. Os dois, então, formam o Ribeirão Mata Porcos. Este se junta ao Ribeirão Sardinha (que nasce em Ouro Preto) para formar o Rio Itabirito. Por sua vez, o Itabirito é afluente do Rio das Velhas.

A Unidade Territorial Estratégica (UTE) Rio Itabirito localiza-se no Alto Rio das Velhas, possui uma área de 541,58 km² composta pelos municípios de Itabirito, Ouro Preto e Rio Acima. A população é de aproximadamente 32 mil habitantes. O município de maior porte populacional é Itabirito, que concentra 90,1% do total. Os rios principais são Rio Itabirito, Ribeirão Mata Porcos e Ribeirão do Silva, com extensão de 73 km dentro da área delimitada para a Unidade Territorial.

Fonte: CBH Rio das Velhas

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