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sábado, 1 outubro 2022
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Caos da Saúde na Região dos Inconfidentes: A culpa é de quem?

Pedro Luiz Teixeira de Camargo
Pedro Luiz Teixeira de Camargo
Pedro Luiz Teixeira de Camargo (Peixe) é Biólogo e Professor, Dr. em Ciências Naturais e Docente do IFMG.

Sem dúvida, um dos temas que mais causam polêmicas e embaraço nas pessoas se dá quando se fala em Saúde. Pauta importante em todo lugar, com alguma frequência este assunto é debatido de maneira incorreta.

Por que afirmo isso? Em tempos onde o discurso de ódio e a demonização da política estão em alta, não é simples realizar uma análise profunda de algo tão complexo. O mais simples é bradar palavras de ordem simples, do tipo: “todo parlamentar é corrupto” ou “odeio política”. Como sou uma pessoa responsável, prefiro me afastar deste tipo de ideia protofascista, indo sempre à raiz do problema.

Para irmos à essência da questão, é preciso fazer um rápido registro histórico: três meses após o golpe que derrubou a presidenta Dilma, foi encaminhado por Michel Temer, o ilegítimo, ao Congresso Nacional o projeto de emenda constitucional (PEC) 241 que foi, na época, denominada de PEC do Fim do Mundo.

Para quem não se lembra, esta PEC 241 foi o tiro de misericórdia do governo golpista ao Sistema Único de Saúde (SUS), pois congelou os recursos a serem gastos com saúde (e educação) por 20 anos.

Ora, paralisar o aumento dos repasses a serem gastos com a saúde dos trabalhadores brasileiros significa o que? Deixar desamparados 150 milhões de contribuintes que dependem exclusivamente do SUS!

Agora, um ano e meio após este projeto de lei se tornar a Emenda Constitucional (EC) 95, é possível sentir na pele os efeitos desta legislação que favorece única e exclusivamente os planos de saúde privados, pois enviar recursos federais aos municípios nos mesmos valores de 2016 significa faltar dinheiro para o básico! Este é o cerne da questão! Por isso tanto caos!

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Os mais desavisados tem se apressado em afirmar categoricamente que a saúde de nossa região é mal gerida, entretanto, esta é uma análise rasa, pois em tempos onde existe contenção de gastos pelo governo federal, deixando os municípios asfixiados pela falta de recursos, não é possível dizer absolutamente nada (nem a favor nem contra), pois a essência do problema se dá pelas ações irresponsáveis do governo federal em prejudicar os mais pobres!

É preciso um grande movimento municipalista, suprapartidário e amplo a ser feito pelos gestores públicos estaduais e municipais de modo a pressionar o presidente (golpista) Michel Temer e sua bancada no Congresso Federal a suprimirem esta emenda 95, esta é a solução real para os nossos problemas locais com a saúde, se apenas um ano e meio após a PEC da Morte está esse caos, imagina daqui a 20 anos que é o tempo que vai durar o congelamento dos investimentos? Será que sobreviveremos? Ou vamos virar o Haiti?

Parodiando o grande cientista francês René Descartes, é importante lembrar que não existem saídas simples para problemas complexos, quem vende ideias simplórias para resolver situações adversas difíceis, não é um propositor de soluções, mas apenas mais um oportunista que quer se dar bem enganando os mais humildes. Saber enxergar isso é fundamental!

Até a próxima.

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* Esse texto é um artigo de opinião do colunista e pode não representar a posição do portal Mais Minas sobre o assunto.

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