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Rodolpho Bohrer
Rodolpho Julio Marci Bohrer é socio-fundador e diretor geral do Mais Minas. Estuda jornalismo na Universidade Cruzeiro do Sul e atualmente é repórter de política, cidades e loterias. Contato: comunicacao@maisminas.org

Catas Altas completa 31 anos como Patrimônio Histórico Estadual

No próximo dia 21 de abril, completam-se 31 anos que Catas Altas integra a lista dos patrimônios históricos do Estado. Foi nessa data, em 1989, que o Núcleo Histórico do município foi tombado.

Além do tombamento estadual, Catas Altas conta com dois outros municipais:

– 9 de abril de 1999 –  tombamento do Núcleo Histórico como Patrimônio Histórico Municipal.

– 14 de abril – tombamento do Conjunto Arquitetônico de Catas Altas como Patrimônio Histórico Municipal.

O Núcleo abriga importantes construções coloniais do século 18, entre eles: a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, a Capela de Santa Quitéria e a Capela do Senhor do Bonfim.

Trecho de relatório da Fundação João Pinheiro, datado de 1981 e que integra o Plano de Preservação e Valorização do Centro Histórico de Catas Altas do Mato Dentro, ressalta a importância destes monumentos: “Catas Altas se distingue, não só pela sua imponente matriz e pelo sítio de implantação da própria cidade, mas também pelo seu conjunto de edificações civis, bem homogêneo e característico da arquitetura colonial mineira.”

O relatório ainda completa que “(…), a harmonia e homogeneidade deste conjunto, as poucas construções descaracterizadas, o tornam bastante expressivo”.

O Plano de Preservação e Valorização destaca que o centro histórico de Catas Altas é “dotado de um rico acervo edificado (…) e é uma das principais expressões do urbanismo colonial mineiro. (…) Catas Altas é um dos raros núcleos urbanos de Minas onde ainda se faz legível a conjugação do erudito com o popular, que se integram e se completam, definindo um todo harmônico.”

Tendo como objetivo a preservação do Centro Histórico, com suas características artísticas, arquitetônicas, urbanísticas e paisagística, o Plano, porém, não foi colocado em prática até a emancipação do município, em 1997.

Por conta disso, nesses quase 20 anos, muitas das edificações foram descaracterizadas, outras entraram em ruínas e se perderam no tempo.

Um pouco de história –  A origem do arraial de Catas Altas está vinculada ao grande fluxo de povoamento das Minas Gerais ocorrido no fim do século XVII e início do XVIII.

Por volta da 1730, a importância do arraial e o tamanho da sua população já justificavam a construção de um templo com capacidade para acolher os habitantes da freguesia.

Como todos os arraiais mineradores do seu tempo, Catas Altas sofreu as consequências do esgotamento das minas. Os testemunhos registram, invariavelmente, a fisionomia desolada de um arraial abandonado e em ruínas.

Auguste de Saint-Hilaire, que passou por Catas Altas em 1816, ressaltou o bom gosto e esmero com que Catas Altas e outros arraiais foram construídos: “Catas Altas, Inficionado, e outras muitas vilas dos cantões auríferos da Província de Minas foram edificadas com muito, mas muito cuidado, do que a maior parte daquelas que se vê na França e mesmo na Alemanha. Foram em outros tempos ricas e florescentes, mas, hoje, eles representam, bem como todos os seus contornos, a imagem do abandono e da decadência.”

Nos primeiros anos do século XIX o arraial contava com cerca de 200 casas, enfileiradas em duas ruas.

A devoção religiosa dos habitantes de Catas Altas tinha abrigo na matriz de Nossa Senhora da Conceição e em mais dois templos. Na época, assim e como quase todos os outros edifícios, em péssimo estado de conservação.

Na década de 1960, com a retomada das atividades mineradora na região, o dinamismo econômico revitalizou em parte a vida local.

No final da década de 1990 e início dos anos 2000, iniciou-se um trabalho de recuperação e conservação desses patrimônios.

Esse trabalho resultou ao município o prêmio “Rodrigo Melo Franco de Andrade” na categoria “Preservação de Bens Móveis e Imóveis”. A premiação foi uma promoção do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) entregue em 2002.

Após vários anos sem ações voltadas para a preservação e recuperação do patrimônio histórico, em 2017, com a nova gestão, o núcleo tombado com todo seu casario colonial voltou a receber a devida atenção.

Desde então, diversas medidas foram adotadas. Uma das mais importantes está o Projeto Preserve, que objetiva preservar e recuperar o patrimônio religioso e cultural por meio de intervenções nos templos católicos e no acervo sacro do município.

O projeto incluiu a restauração de 100 peças sacras tombadas das capelas de Santa Quitéria e do Bonfim e da igreja de Nossa Senhora do Rosário. Um investimento de cerca de R$ 1 milhão.

Também fizeram parte a reforma e a pintura das igrejas Matriz (em fase de finalização) e do Rosário e a capela do Bonfim. Ainda foram feitas intervenções no Chafariz, no Cruzeiro e nos sinos.

Para completar, devem ser iniciadas em breve a pintura e a reforma em casarões históricos como a Casa do Professor e as Secretarias de Educação e de Desenvolvimento Social. Todos no núcleo tombado de Catas Altas.

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