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O ininteligível discurso municipal: ainda sobrevive alguma ideologia político-partidária?

O ininteligível discurso municipal em Ouro Preto: ainda sobrevive alguma ideologia político-partidária ou apenas a rivalidade entre “os que estão fora versus os que estão dentro?”

Quem já não está cansado dos discursos extremos laterais a nível nacional? Pois é, enquanto a nossa política nacional encontra-se movimentada e bastante odienta, com ataques e mais ataques e agressividade quase que o tempo todo, o mesmo já não é visto a nível municipal.Vejamos…
Nacionalmente, militantes da esquerda acusam o PMDB de traíra, parasita, sanguessuga, dentre outros “elogios” cabíveis. Porém, vários partidos municipais dessa mesma esquerda, muitas vezes acusatória, batalham numa brava disputa para mostrar serviço e emplacar um vice na chapa do que eles mesmos chamam de o “traíra e sanguessuga” partido PMDB. Senão um vice, pretende-se uma coligação forte sem deixar o mínimo de chances para a reeleição do atual mandatário, e pelo o que se observa nas redes, não há tempo e espaço para nenhuma dúvida ou quaisquer outras especulações, porque isso colocaria o “todo trabalhado e original projeto de governo” abaixo.
Formou-se assim um aglomerado de grupos que estão fora da coalizão, entende-se como mistura, da atual gestão, parecendo não se preocuparem com o que se passa em Brasília. E é desse raciocínio que emerge um pergunta feita com total honestidade: somos tão subestimados assim a ponto de se acreditar fielmente que nós seremos tão facilmente convencidos dessa história toda de que no nosso município não se deve levar a sério e que não se releva o que se passa no planalto?
Por que então existem a nível municipal atos “pela defesa da democracia”, levando em consideração tudo que se passa na esfera federal?
Aí quando é dito que hoje a política municipal resume-se única e exclusivamente na polaridade dos que estão dentro versus os que estão fora, causa-se sentimentos diversos e repugnantes. Talvez pela carapuça ter servido direitinho, sem sobra dos lados.
Assumamos as evidências de que a política contemporânea é um jogo de interesses pessoais, pois é muito menos vergonhoso assumir que se está insatisfeito por estar fora da gestão por ter perdido as eleições ou qualquer outro motivo do que querer encontrar motivos plausíveis para tamanho bacanal político (antecipando já pedidos de desculpas pela linguagem chula).
É certo que o tempo passa, as pessoas mudam, e mudam também suas percepções sobre quase tudo. Mas até qual frequência as mudanças de discurso são aceitáveis? Sabe-se que até o camaleão precisa de tempo pra mudar de cor novamente.
Alguns “especialistas da esquerda” afirmam que a nível municipal “o buraco é mais embaixo”, pois nesta política não se deve considerar a rivalidade nacional, “a política é outra”, afirmam.
Entretanto, basta voltar alguns meses atrás e veremos o tamanho do drama e pressão política feita contra um grupo de esquerda que se alinharam ao governo municipal de partido de oposição, dizendo ser uma vergonha contra as raízes ideológicas partidárias. Oras, até que ponto vale mudar tanto o discurso em tão pouco tempo? Os que se alinham ao PMDB agora, já não fazem o mesmo? E com principal agravante de que esses “especialistas da esquerda” podem ter sua presidenta “impeachmada” por uma estratégia totalmente orquestrada a quem eles se ajuntam no município.
Será mesmo que a política necessita ser uma ciência extremamente teórica? vemos essa mesma conversa se aplicando no Direito e assim viabiliza-se conduções coercitivas, já que tudo é interpretativo.
Por qual razão a política e as leis não podem ser entendidas? (entendidas não é o mesmo que interpretação oportunista).
Ademais, deixamo-nos a singela pergunta: por que não se aliar ao PDT, ao PCdoB, dentre outros, e realizar uma junta dos partidos de esquerda (ou da base nacional) versus os de direita, sem considerar nomes envolvidos? A resposta talvez seja como uma parábola da Bíblia: “onde houver dúvida se estará garantido o meu lugar, ali não me misturarei”. (Oportunitense: Capítulo 1, Versículo 1).
Um velho e bom ditado popular resume quase isso tudo acima. Quem nunca ouviu a frase “Se não pode derrotá-los, junte-se a eles” ? É um ditado bonito, mas nada poético. E como preferimos a poesia, gostaria de ouvir um outro ditado que parece estar sumindo com o tempo, que diz mais ou menos assim:
“É melhor perder com classe e orgulho do que viver com medo da derrota” ou até mesmo quem sabe ou não, “vencer com ousadia?”
Afinal de contas, perder na política é tão feio assim? ou será que feio é não estar nela? Pensemos.

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