Angelo Oswaldo vence, mas governará com o “pimentismo” em “stand by”

Angelo Oswaldo vence, mas governará com o "pimentismo" em "stand by"
Angelo Owaldo foi secretário de estado de Cultura durante o governo de Fernando Pimentel - Foto: Angelo Oswaldo/Facebook/Reprodução | Júlio Pimenta deixou a prefeitura de Ouro Preto no último dia 31 - Foto: Kinderlly Brandão/Mais Minas

Eleito para o seu quarto mandato a prefeito de Ouro Preto, Angelo Oswaldo conquistou uma importante vitória frente a um adversário que tinha, principalmente, a máquina pública em mãos. Contudo, o resultado apertado e algumas perspectivas da união de forças politicas, agora desabrigadas, podem ser ameaças aos planos do prefeito eleito, e até mesmo daqueles que visam nele uma oportunidade de um “upgrade” político, pensando já na próxima eleição.

Em um cenário em que o prefeito Júlio Pimenta mexeu em uma das mais polêmicas pautas, que foi a da chamada “privatização da água” e da cobrança pelo consumo, assunto esse considerado de “alta rejeição” popular, usado por muitos dos últimos anos politicamente, principalmente nos períodos eleitorais, Júlio deixa a prefeitura, no mínimo, com uma força política incômoda ao já atual prefeito Angelo.

É fato que, estando à frente da prefeitura, é sempre uma derrota não conseguir se eleger. Mas pensando em um cenário de oito anos atrás, em que o ex-prefeito Zé Leandro sequer tentou à reeleição, Júlio conseguiu sua sobrevivência política. Aliás, Júlio é o segundo prefeito consecutivo que não consegue se reeleger, o que mostra que é preciso trabalhar mais com pautas de apelo popular e menos para a elite ouro-pretana e menos com o marketing das redes sociais e nos jornais, pagos muitas vezes para se calarem frente aos problemas do município – o que é bom e ruim ao mesmo tempo, pois um líder político precisa também se mostrar apto a enfrentar problemas na sua gestão, e a falta de denúncias na imprensa podem passar a impressão de “inércia” do governo, em que não há posicionamento do prefeito em “coisas que realmente importam”, mostrando oportunismo eleitoreiro quando o político aparece só para “inaugurar coisas” e “mostrar benfeitorias”, além da perda da real dimensão da rejeição ou aprovação do seu governo.

+ Volta à Câmara, relação com Angelo Oswaldo e jeito menos “explosivo”: Após eleito, Kuruzu concede entrevista exclusiva ao Mais Minas

Um dos principais problemas em município pequeno e médio no Brasil é a falta de um segundo turno. Isso faz com que a maioria dos prefeitos eleitos nessas cidades já tenham um mandato fragilizado, pois foram eleitos com a minoria dos votos. Por exemplo, Angelo, apesar de eleito, não teve mais votos do que somados todos os votos dos demais candidatos. Isso não é nada bom porque faz, primeiro, que o político eleito trabalhe principalmente para o seu “gueto”, aquele grupo que o acompanha e que só os votos dele é o suficiente para uma eleição. Em segundo, é que já se entra um governo com uma alta taxa de rejeição, mesmo que nada ainda tenha sido feito.

Com o eventual fim da provável carreira política de Zé Leandro, vide o seu desempenho pífio na última eleição, o grupo chamado “leandrista” está órfão de uma liderança, e podem ver em Júlio uma oportunidade de voltar a ativa, o que seria uma agrupamento forte e interessante já na próxima eleição. Ademais, Júlio tratou de deixar um “legado visual” e de obras ao final do seu mandato ao inaugurar obras como a nova UPA, a reforma do Beco dos Bois, asfaltos em vários distritos, inauguração dos trevos de Santa Rita e Jacuba, entre outras. Ou seja, fará com que o seu governo volte à consciência do ouro-pretano a cada vez que esses pontos forem vistos, utilizando uma estratégia muito bem empregada por Zé Leandro em seus tempos áureos.

Angelo Oswaldo terá que gerenciar muito bem um município ainda em plena pandemia do coronavírus, com um adversário trabalhando à espera de uma oportunidade para voltar e ainda lidar com a rejeição. Não será uma tarefa fácil, principalmente considerando que o prefeito já iniciou fazendo escolha, no mínimo polêmica, pois denunciou durante a campanha atos de corrupção no governo de Júlio, mas anunciou uma pessoa condenada em segunda instância por contratação de funcionário fantasma para a pasta de Planejamento e Gestão, Secretaria essa responsável por todo o funcionalismo municipal.

Deixe um comentário

Rodolpho Bohrer

Rodolpho Julio Marci Bohrer é socio-fundador e diretor geral do Mais Minas. Estuda jornalismo na Universidade Cruzeiro do Sul e atualmente é repórter de política, cidades e loterias.

Contato: comunicacao@maisminas.org