Todos os dias serão 08 de Março: Mulheres por desenvolvimento, trabalho digno e democracia


Todos os dias serão 08 de Março: Mulheres por desenvolvimento, trabalho digno e democracia
Fotos: Divulgação Adufop/ Assufop/ Simone Ribeiro

Escrevo ainda em êxtase após nossa Greve Internacional de Mulheres, nosso ato das “Marias de Ouro Preto”. Quando fazemos movimento social nos acostumamos a estar nas ruas, cotidianamente em contato com a população, mas, sem dúvida alguma, o ápice das atividades de qualquer movimento social sempre é um ato público. Que energia!

O Dia Internacional das Mulheres, comemorado no dia 08 de Março, é uma data altamente simbólica para os movimentos feministas. Foi instituído na 2a Internacional das Mulheres Socialistas, acontecido na Dinamarca, no ano de 1910. Segundo estudos de Clara Zetkin, feminista alemã, este provavelmente foi o dia em que operárias em greve, teriam morrido no ano de 1857, em Nova York, Estados Unidos.

Seria impossível falar das origens da data sem citar sua relação com as mulheres operárias russas, que em 23 de fevereiro de 1917 (calendário russo – 08 de Março calendário gregoriano), saíram às ruas para se manifestar contra a fome e a Primeira Guerra Mundial. Tal protesto histórico é considerado até hoje o pontapé inicial da Revolução Russa.

“As mulheres desempenharam um papel central em ambas as revoluções de 1917, e em muito maior extensão do que já haviam desempenhado em 1905. O levante de fevereiro foi, na verdade, desencadeado por uma greve de mulheres na indústria têxtil em seu duplo papel como trabalhadoras, e, em muitos casos, esposas dos soldados do front. Essas mulheres convocaram os metalúrgicos para se juntarem a elas e, no fim do dia, mais de 50 mil trabalhadores, marchavam pelas ruas da capital. Donas de casa saíram em passeata com elas até a Duma, reivindicando o pão”. [1]

Até hoje as conquistas das mulheres na Revolução bolchevique são para nós referência. Mulheres russas já votariam em 1918, a Revolução Russa foi a primeira a incluir a s mulheres e seus interesses como parte integrante da coalizão e do programa revolucionários. Alexandra Kollontai foi ministra de estado e inúmeras outras mulheres bolcheviques tiveram papel de destaque. Entretanto, isso não significou a emancipação da mulher, que mesmo em cenário de grandes conquistas ainda precisava brigar por espaços de poder.

O Dia internacional das Mulheres seria oficializado pela Organização das Nações Unidas em 1975 e desde então, tornou-se a principal data do calendário de luta das mulheres, na qual as mulheres de todo o planeta ocupam as ruas para clamar por igualdade de gênero.

Na atual conjuntura de nosso país, é importante rememorar o vínculo desta data com a questão do trabalho e do desenvolvimento. Pois nos momentos de crise, somos nós mulheres as primeiras a sermos prejudicadas. Os avanços e conquistas recentes e lentos ocorridos no século XX, estão sob grave risco. As contrarreformas trabalhista e previdenciária impostas pelo governo golpista são um duro golpe para as mulheres brasileiras. Ainda ocupamos apenas 10% dos Parlamentos e estamos longe da equidade de gênero nos poderes executivos e judiciário.

Foi por isso que as “Marias de Ouro Preto”, movimento unificado dos diversos grupos de mulheres e feministas da cidade, assim como sindicatos e outros movimentos sociais, foram as ruas. Fomos porque queremos ter vez e voz, queremos opinar no destino de nossa cidade, estado e país.

A primavera feminista resiste desde 2015 e mostra que não há transformação social possível que não considere a metade feminina da população. Nós mulheres seguiremos nas ruas protestando, cantando, interpretando… Mulheres na resistência… Mulheres em movimento… Mulheres por um projeto de nação.

Marias de Ouro Preto por um projeto de nação: por democracia, trabalho digno e desenvolvimento.

Marias de Ouro Preto por todas as mulheres! Nenhum passo atrás, nenhum direito a menos!

  1. 1917: o ano que abalou o mundo/ organização Ivana Jinkings e Kim Doria. – 1. Ed. – São Paulo: Boitempo: Ed. SESC SP, 2017. P.79
Fotos: Divulgação Adufop/ Assufop/ Simone Ribeiro
Fotos: Divulgação Adufop/ Assufop/ Simone Ribeiro
Fotos: Divulgação Adufop/ Assufop/ Simone Ribeiro
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Fotos: Divulgação Adufop/ Assufop/ Simone Ribeiro
Fotos: Divulgação Adufop/ Assufop/ Simone Ribeiro
Fotos: Divulgação Adufop/ Assufop/ Simone Ribeiro        
Sou Arquiteta e Urbanista, especialista em Patrimônio Cultural, ouro-pretana por opção e servidora pública da Prefeitura Municipal de Ouro Preto. Desde aqui me instalei luto por uma cidade mais justa e com menos desigualdade social.
Paralelamente à minha carreira profissional, adotei a pauta das mulheres, pois acredito que é preciso subverter as relações de poder instituídas em nossa sociedade. Foi por isso que, em 2017, fundei em Ouro Preto o núcleo Municipal da União Brasileira de Mulheres, do qual atualmente sou Presidenta Municipal.
Se tem uma frase em que acredito é: “Devo dizer, correndo o risco de parecer ridículo, que o verdadeiro revolucionário é movido por sentimentos de amor.” (Che Guevara)9

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