Estrada de Ferro Vitória a Minas chega aos 120 anos e já gerou 3,2 mil empregos diretos

Vale utiliza Inteligência Artificial, realidade virtual, simuladores e recursos tecnológicos nas operações e formação de pessoas para atuar na ferrovia

por Redação Mais Minas

A Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) chega aos 120 anos nesta segunda-feira, 13 de maio, como uma das ferrovias mais modernas e seguras do país. Entre as tecnologias que a Vale, concessionária da malha, utiliza na operação e formação de pessoas para atuar na ferrovia estão inteligência artificial, realidade virtual, simuladores, sistemas de monitoramento e equipamentos de alta performance.

Estrada de Ferro Vitória a Minas chega aos 120 anos e já gerou 3,2 mil empregos diretos
Porto de Tubarão - Locomotiva da EFVM (Estrada de Ferro Vitória a Minas) em área de manobra. Foto: Márcia Foletto

A inovação está presente na inteligência Artificial, por exemplo, uma das principais ferramentas utilizadas na inspeção de vagões. Por meio de algoritmos avançados, câmeras e sensores ao longo da via são capazes de identificar com precisão se os componentes e estruturas estão dentro dos padrões esperados. Cerca de três mil vagões são inspecionados de forma automática diariamente, o que antecipa necessidades de manutenção, aumenta a segurança e a eficiência operacional, além de prolongar a vida útil dos equipamentos.

“A Estrada de Ferro Vitória a Minas traz a inovação em sua essência. Sempre à frente do seu tempo, atuou como mola propulsora do crescimento de diversas cidades e ainda hoje é essencial para a economia do país. Ela antecede à criação da Vale e integra um sistema logístico fundamental para as atividades da empresa. Além de contribuir para o desenvolvimento econômico, a ferrovia tem um importante papel na vida de trabalhadores e moradores de municípios por onde passa. Nos últimos 10 anos, cerca de 8 milhões de pessoas utilizaram o trem de passageiros”, diz Gildiney Sales, diretor da Estrada de Ferro Vitória a Minas.

Outro exemplo de inovação utilizada é o carro controle, um veículo ferroviário de última geração com equipamentos de medições da geometria da linha que torna possível programar manutenções preventivas com base em suas leituras. Outro exemplo é o carro ultrassom, que percorre a linha para identificar e prevenir futuras fraturas de trilhos.
Ao longo do trecho ainda são empregados recursos tecnológicos que fazem a leitura de todo material rodante, observando as condições dos rolamentos, a performance dos truques (eixo que sustenta as rodas, rolamentos e freios), a temperatura e o perfil de rodas.

Minas Gerais (MG), Brasil, 12/03/2014 – Testes verificam desempenho do novo trem de passageiros da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). A frota, de 56 carros, foi fabricada na Romênia e obedece a padrões europeus de qualidade. Na foto, os novos carros percorrendo o trecho de 664 km que liga Porto Velho, em Cariacica, (ES) até Belo Horizonte (MG). Foto: Gabriel Lordêllo / Mosaico Imagem

Todas as informações são repassadas ao Centro de Controle Operacional (CCO), em Vitória (ES), que gerencia a movimentação diária de dois trens de passageiros e, pelo menos, 40 tipos de mercadorias, entre minério de ferro, aço, soja, carvão e calcário ao longo de toda a ferrovia.

Até mesmo as condições climáticas são avaliadas. Por meio de sistemas de pluviometria e temperatura é possível reforçar os cuidados em épocas de chuvas e temperaturas elevadas.

Os sistemas de controle de tráfego também garantem a segurança da circulação dos trens pelo adequado distanciamento entre eles. Esse sistema prevê, inclusive, a parada automática dos trens em casos de alguma falha ou desvios de operação.

Trem de Passageiros ajuda a conectar histórias

Quem viaja pelo Trem de Passageiros nem sempre percebe quanta tecnologia é empregada ao longo dos 664 quilômetros de trajeto. A composição inclui as classes executiva e econômica, além de elevador para o acesso em cadeira de rodas e um espaço dedicado a pessoas com mobilidade reduzida.

A velocidade máxima é supervisionada de forma automática e ao alcance do maquinista estão recursos como computador de bordo, sistema de freio eletropneumático que proporciona uma rápida e uniforme resposta de frenagem gerando paradas suaves, o que torna a viagem mais confortável. Há ainda um sistema de comunicação de dados via satélite e uma rede de rádio para comunicação direta e exclusiva entre o maquinista e equipe de bordo, além da comunicação com o Centro de Controle de Operações.

Segurança das comunidades

A Vale também investe em recursos para garantir a segurança de pessoas nas proximidades da ferrovia. Cabe destacar os sistemas de controle de Passagens em Nível (PN), conhecidos como PN’s automáticas. Por meio deles é possível detectar automaticamente a aproximação dos trens, sinalizando sua chegada por meio de sinais sonoros e interrompendo o tráfego rodoviário com cancelas. A tecnologia passou a ser adotada na Estrada de Ferro Vitória a Minas em 2018.

Com a prorrogação da concessão da Estrada de Ferro Vitória a Minas, em 2020, a Vale se comprometeu a realizar obras que aumentam ainda mais a segurança e a mobilidade urbana nas comunidades por onde passa a ferrovia. Entre elas estão viadutos rodoviários, passarelas de pedestres, acessos, muros de proteção e outras intervenções.

Realidade virtual e simuladores na formação profissional

A formação dos profissionais que atuarão na ferrovia também utiliza recursos tecnológicos. Três Centros de Operações de Aprendizagem são utilizados para a qualificação de maquinistas, oficiais de operação, controladores de pátios, controladores de tráfego, entre outros profissionais da empresa.

Todos eles possuem cabines, capazes de simular todas as funções que o maquinista executa durante uma viagem real do trem, em um ambiente seguro e controlado. O cenário é programado para que ele seja desafiado a executar a melhor condução possível e todas as suas ações são avaliadas de forma automática.

“Além do traçado fiel ao da ferrovia, é possível antecipar condições geográficas e construções compatíveis com o trajeto da Estrada de Ferro Vitória a Minas, como a proximidade com rios, túneis e pontes. Também conseguimos prever diferentes condições climáticas. Podemos comparar com um simulador para obtenção de carteira de motorista, porém adaptado a realidade da ferrovia”, diz Gildiney Sales.

Este modelo de simulador foi desenvolvido no Brasil, fruto de uma parceria entre a Vale e a Universidade de São Paulo. Está presente na Unidade Tubarão, em Vitória (ES), Ipatinga (MG) e nas operações da empresa no Maranhão, onde é usado no treinamento de equipes que atuam na Estrada de Ferro Carajás (EFC). Desde que passou a ser utilizada pela empresa, há 11 anos, a tecnologia contribuiu para a realização de 1,5 mil capacitações na Estrada de Ferro Vitória a Minas.

O Centro de Operações de Aprendizagem na Unidade Tubarão também possui óculos de realidade virtual para a capacitação de profissionais que atuam na manutenção de redes elétricas ao longo da ferrovia. Por meio deles, é possível simular a execução de todas as ações necessárias em uma subestação de energia em um ambiente controlado, sem riscos.

Ferrovia possui melhor desempenho ambiental do país segundo ANTT

A Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), sob concessão da Vale, recebeu a melhor avaliação ambiental entre as ferrovias brasileiras, de acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O Índice de Desempenho Ambiental (IDA) é aplicado pelo órgão federal responsável pela concessão, fiscalização e regulação das ferrovias brasileiras. Nesta edição, divulgada recentemente, a Estrada de Ferro Vitória a Minas ficou na 1ª colocação, com a melhor pontuação entre todas as ferrovias brasileiras com 0,91 em uma escala de 0 a 1. Esta é a pontuação mais alta desde a criação do índice.

O índice permite à ANTT acompanhar e incentivar as ferrovias a desenvolverem ações sustentáveis e de proteção ao meio ambiente. O indicador é formado a partir de quesitos como correta destinação de resíduos; reuso de água; controle de emissões; eficiência energética; relacionamento com moradores de cidades vizinhas às ferrovias; e iniciativas de preservação do meio ambiente. Ao todo, o IDA avaliou 15 indicadores de desempenho socioambiental e 34 critérios, como: Política Ambiental Institucional, práticas e resultados obtidos pelas concessionárias.

Sobre a Estrada de Ferro Vitória a Minas

A Estrada Ferro Vitória a Minas possui 905 quilômetros e interliga o Espírito Santo a Minas Gerais. É classificada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) como uma das ferrovias mais seguras do Brasil. Responsável por 30% do transporte de produtos por meio ferroviário no país.

O volume transportado em 2023 foi de 105,3 milhões de toneladas, sendo 85,1 milhões de toneladas de minério e 20,2 milhões de toneladas de carga geral (soja, milho, calcário etc.).

Ferrovia em números

  • 3,5 mil empregos diretos
  • 317 locomotivas
  • 12.123 vagões de minério
  • 905 km de ferrovia, sendo 601 km de linhas duplas
  • 45 túneis (27,5 km)
  • 127 pontes
  • 185 passagens de nível
  • 43 passarelas
  • 27 Equipamentos de via permanente (EGP)

Trem de Passageiros

  • 30 Estações de Vitória a Belo Horizonte
  • 42 municípios atendidos
  • 664 km percorridos em 13,5 horas
  • 740 mil passageiros em 2023

Curiosidades

  • O projeto da EFVM foi aprovado em 1902 e as obras começaram no ano seguinte. Em 13 de maio de 1904 foi inaugurado o primeiro trecho com 30 quilômetros entre as estações Porto Velho, em Cariacica (ES), e Alfredo Maia, no município de Santa Leopoldina, na região serrana do Estado.
  • O trem de carga e de passageiros já circularam juntos! As operações tiveram início com duas locomotivas do tipo Mogul Hartman fabricadas na Alemanha, 12 vagões abertos e um fechado, além de um carro de passageiros.
  • Embora considerada o ponto de partida da EFVM, a estação Pedro Nolasco só foi inaugurada em dezembro de 1905, um ano depois do início da operação da ferrovia, que então parava na Estação Porto Velho, em Cariacica, a cerca de sete quilômetros dali. Logo depois da construção da estação Pedro Nolasco, Porto Velho foi desativada.
  • O traçado original da ferrovia não passava por Itabira. Com topografia acidentada e difícil acesso mesmo após a descoberta de jazidas de minério na região.
  • Em 1º de julho de 1942 o presidente Getúlio Vargas fundou a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), mais tarde simplesmente Vale. A Vale incorporou a Companhia Brasileira de Mineração e Siderurgia (que havia absorvido a EFVM) e a Companhia Itabira de Mineração, que estava em fase de organização. Também recebeu do governo federal a posse das jazidas de minério de ferro de Minas Gerais.
  • Em 1943, finalmente, eram entregues as estações que faltavam para completar o trajeto — uma no município de Nova Era (Estação Capoeirana) e três em Itabira (estações Oliveira Castro, Engenheiro Laboriau e Itabira).
  • Em 1970, entrou em circulação o maior trem do mundo em bitola métrica, com 150 vagões e 1.550m de extensão, puxado por locomotivas diesel elétricas de 3.900 HP (1 HP equivale a aproximadamente 746 Watts). Em 2002, passou a ser utilizado o trem de 320 vagões, composição com quase três quilômetros de extensão. Um ano depois, a Vale alcançou o recorde de 119,7 milhões de toneladas de carga transportadas na ferrovia.
  • Na década de 1970 seria feito um grande investimento em duplicação, tornando a EFVM a primeira ferrovia totalmente duplicada das Américas.
  • Um dos benefícios mais visíveis da operação da ferrovia foi a ocupação efetiva de extensas regiões do Vale do Rio Doce, fazendo surgir cidades como Colatina, no Espírito Santo, e as mineiras Aimorés, Resplendor, Governador Valadares e Coronel Fabriciano, antes pequenos arraiais.
  • A EFVM movimenta por ano cerca de 30% de toda a carga ferroviária do país.
  • Desde que foi criada a operação e manutenção da ferrovia passaram por grandes mudanças. A troca de dormentes ao longo da ferrovia era feita manualmente. Atualmente é feita de forma mecanizada, por meio de equipamentos específicos que auxiliam na retirada e substituição dos dormentes, sem risco para as pessoas. Os empregados atuam na operação diretamente de cabines ou inspecionando as máquinas.
  • No passado, a retirada de trilhos para troca era feita manualmente. Várias pessoas se reuniam para levantar um único trilho. Hoje, todo o movimento é feito com auxílio de guindastes.

Fonte: Vale

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