Prefeitura de Ouro Preto passa vergonha nacional ao tentar fazer “na marra” evento na Praça Tiradentes e colocar patrimônio histórico em risco

por Rodolpho Bohrer

A cidade histórica de Ouro Preto, em Minas Gerais, é um tesouro nacional que carrega consigo séculos de história e cultura. Recentemente, a suspensão do evento de gravação do DVD de Dilsinho na Praça Tiradentes trouxe à tona uma discussão importante sobre a preservação desse patrimônio e a segurança dos cidadãos.

Prefeitura de Ouro Preto passa vergonha nacional ao tentar fazer "na marra" evento na Praça Tiradentes e colocar patrimônio histórico em riscoq
Foto: Du Evangelista

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) tomou a iniciativa de ajuizar uma Ação Civil Pública contra a realização do evento, alegando a falta de autorização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e os riscos que um evento desse porte poderia representar para o patrimônio histórico da cidade. O juiz plantonista, João Batista Ribeiro, da Vara Federal Cível e Criminal da SSJ de Ponte Nova, endossou essa preocupação e suspendeu o evento.

A decisão do juiz é acompanhada pelo descontentamento de muitos moradores de Ouro Preto, que já vinham enfrentando transtornos no trânsito do centro da cidade e arredores devido à preparação e montagem do evento. Essa situação, somada à recomendação do Ministério Público Federal (MPF) e do MPMG, exigindo a elaboração de um Plano de Gestão de Risco para eventos na cidade, criou um ambiente de preocupação.

É importante ressaltar que a preservação do patrimônio cultural e a segurança dos cidadãos devem ser prioridades. As construções antigas e as fiações elétricas precárias nas proximidades da Praça Tiradentes são elementos que requerem cuidado e atenção especial. A cidade já enfrentou tragédias no passado, como o incêndio que destruiu o Hotel Pilão em 2003, e é vital evitar a repetição de tais eventos.

A prefeitura de Ouro Preto manteve sua decisão de prosseguir com o evento até o início da montagem, mas a Justiça Federal interveio em prol da preservação do patrimônio e da segurança pública. Uma multa significativa de R$ 500 mil foi determinada em caso de descumprimento.

Em um momento em que as cidades históricas enfrentam desafios constantes para preservar sua rica herança cultural, a decisão de cancelar o evento de Dilsinho em Ouro Preto deve ser vista como um passo necessário para proteger o que é verdadeiramente valioso. É um lembrete de que, em meio à celebração da música e da cultura contemporânea, devemos sempre considerar o legado do passado e o bem-estar da comunidade como um todo.

Veja abaixo a íntegra da decisão:

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