Comissão da Anistia adia votação de pedido de indenização para Dilma

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A Comissão de Anistia do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos adiou hoje, quarta-feira (26), a decisão sobre pedido de indenização feito pela ex-presidente Dilma Rousseff.

O pedido era um dos 98 que estavam na pauta desta semana e a palavra final seria da ministra Damares Alves, que já indeferiu centenas de pedidos esse ano. Inclusive, a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos anunciou uma auditoria para analisar as indenizações já concedidas.

Dilma foi perseguida política, presa e torturada durante os anos de ditadura militar (1964-1985).

E pede cerca de R$10,7 mil mensais ao estado como reparação por, após ter sido colocada em liberdade, em 1972, ter sido impedida de retornar ao curso de Economia na Universidade Federal de Minas Gerais. Por essa razão, Dilma alega, em seu requerimento protocolado em 2002, que precisou prestar novo vestibular, em 1974, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, para retomar os estudos na área de Economia.

A ex-presidente ainda alega, que foi coagida a pedir demissão de seu cargo na Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul, devido pressões realizadas à diretoria da instituição pelo SNI (Serviço Nacional de Informações), órgão de inteligência da ditadura.

Comissão da Anistia adia votação de pedido de indenização para Dilma

Dilma sendo interrogada na sede da Auditoria Militar, aos 22 anos. Crédito da Imagem: Reprodução da Internet

Governo questiona indenização

Dilma recebeu outras reparações de comissões estaduais que totalizam R$72 mil. Por essa razão, a ministra Damares, disse que a petista “já foi indenizada três vezes pela dor e pelo sofrimento que ela passou”, sinalizando a possibilidade de não aprovação do requerimento da petista.

Dilma, em declaração no início deste ano, classificou tal possibilidade como “perseguição política” e afirma ter doado as reparações recebidas pelos estados de São Paulo e Rio de Janeiro ao grupo Tortura Nunca mais.

A a advogada de Dilma, Paula Sapir Febrot, criticou a decisão de retirar o requerimento da pauta do dia. Dessa forma, a advogada afirma “Não fui avisada de que o processo sairia de pauta. A retirada de pauta não pode ser feita cinco minutos antes de começar uma sessão.”

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Postado em 26 de junho de 2019