“-Veja, eu me considero realista, mas em termos filosóficos eu sou o que chamam de pessimista.

– Certo e o que isso significa?

-Significa que não me dou bem em festas.”

Dialogo da série True Detective

Natal e véspera de fim de ano sempre surge o tal do “dar graças por tudo de bom que aconteceu” e eventualmente, com o surgimento do Instagram, uma inundação de fotos de pessoas sorrindo e comemorando por mais um ano cheio de amor e felicidade.

Na outra polaridade disso, muitas pessoas se sentem mal, já que não veem nada pelo que agradecer, outras nem se sentem mal, não sentem nada, o que para muitos é ainda pior. Muitas dessas não chegam ao ano novo, infelizmente.

A grande questão é: É possível ser feliz?

Essa é uma pergunta que me faço muitas vezes, mas não sei a resposta. Sei que é possível estar satisfeito, estar agradecido, estar esperançoso, estar apaixonado, estar alegre, mas ser feliz, não sei.

Em 1990 entrei para o pré-escolar, desde então sempre estive estudando, seja escola ou curso profissionalizante, graduação, curso livre e o escambau. Em nenhuma vez tive uma matéria que ensinasse como ser feliz.

Há alguns anos lançaram O Jeito Harvard de ser feliz e embora muito cultuado por intelectuais, ou assim se consideram, o que obviamente não sou e nem me considero, o livro não me parece diferente da máxima do copo meio cheio ou meio vazio.

Entendo, racionalmente, o conceito de que ter uma atitude mais otimista, faz com que tenhamos motivação pra continuar evoluindo e não desanimar com os desafios.

Entendo também que se todo mundo fosse otimista, ainda estaríamos esfregando gravetos dentro de cavernas dando graças por termos um lugar quentinho pra morar.

Sei que o livro não faz alusão a ver o mundo cor de rosa, mas usar lentes rosa, como mesmo diz em uma passagem. Não é sobre fingir que está tudo bem, mas tentar não se deixar levar pelos problemas e desistir. Essa é uma mensagem importante e melhor do que minha opinião é você ler o livro e decidir por si mesmo a qualidade do texto.

Em outros lugares da história, há três linhas de pensamento que acho interessantes avaliar em nossas vidas, quando pensamos sobre felicidade e sucesso.

No estoicismo, que teve sua origem no cinismo, não o cinismo contemporâneo, igual o da sua vizinha fofoqueira, mas o cinismo original, raiz, que fala do desapego, fala-se de viver de forma tranquila, não se deixando levar por medos e desejos, não se preocupando com o que não se pode mudar.

Esse é um pensamento interessante, mas difícil de ser aplicado, no entanto, se puder ser um pouco implementado em sua vida, já ajuda. Se você aprender a não se abalar por coisas que não tem poder de transformar, lhe sobra mais tempo e energia pra investir em si mesmo. Não que vá ser feliz assim, mas sofrerá menos, o que já é bom.

Friedrich Nietzsche, o homem que sempre preciso conferir no google se digitei o nome corretamente, acreditava que nada que valha a pena na vida pode ser conquistado sem dor ou sofrimento. Era preciso se esforçar, passar por dificuldades pra se conseguir êxito.

Para Nietzsche, as conquistas são como flores, lindas e majestosas, mas que só são possíveis por causa de raízes sujas e feias que ninguém, além de quem cultivou as flores, conhece.

As pessoas não mostram suas raízes bagunçadas e quebradiças, elas as escondem em vasos ornamenta