Após mais de um ano fechado para obras e intervenções estruturais, o Parque Estadual do Itacolomi está oficialmente reaberto ao público. Localizado entre Ouro Preto e Mariana, o parque retoma a visitação em um novo momento, marcado por melhorias de acesso, reorganização dos espaços de uso público e pelo início do modelo de concessão dos serviços turísticos.
A reabertura devolve à população da região e aos visitantes um dos principais refúgios naturais e históricos de Minas Gerais, combinando trilhas, cachoeiras, mirantes e construções históricas em uma área que atravessa séculos de ocupação humana e preserva ecossistemas raros da Serra do Espinhaço.
Ingressos, estacionamento e valores cobrados
Com a retomada da visitação, o acesso ao parque passa a ser feito mediante ingresso pago. A cobrança integra o novo modelo de gestão do uso público da unidade.
- Ingresso (tarifa única / inteira): R$ 27,80
- Estacionamento: R$ 20,00
Os ingressos são comercializados de forma online, e a tarifa é válida para acesso às áreas abertas à visitação, como trilhas, mirantes, áreas históricas e espaços de convivência. A expectativa é de que o controle de acesso contribua para organizar o fluxo de visitantes e preservar os ambientes naturais mais sensíveis.
Reabertura após obras e período de fechamento
O Parque Estadual do Itacolomi permaneceu fechado a partir de janeiro de 2024 para a realização de obras de recuperação das vias internas, reformas em prédios históricos e adequações em estruturas como portaria, centro de visitantes, áreas administrativas, camping e Museu do Chá. Parte das intervenções foi motivada por danos causados por chuvas intensas, que comprometeram acessos e exigiram soluções mais seguras para circulação de visitantes e funcionários.
As melhorias tiveram como objetivo garantir condições adequadas de segurança, acessibilidade e funcionamento antes da retomada do público. Com a reabertura, o parque volta a operar de forma regular, com infraestrutura reorganizada e maior controle das áreas de uso público.
Concessão marca nova fase do Parque do Itacolomi
Além da reabertura, o parque entra em uma nova etapa administrativa. Os serviços ligados à visitação, ao ecoturismo e à operação dos atrativos passaram por concessão e serão administrados pela Parquetur.
A concessão não altera o caráter de unidade de conservação do Itacolomi. A responsabilidade pela proteção ambiental, fiscalização, pesquisa científica, educação ambiental e prevenção de incêndios permanece sob gestão do Instituto Estadual de Florestas. À concessionária cabe a administração do uso público, incluindo controle de acesso, manutenção de trilhas, operação de equipamentos turísticos e organização da experiência do visitante.
Quem é a Parquetur e onde a empresa atua
A Parquetur é uma empresa brasileira especializada na gestão do uso público em parques naturais, com atuação voltada à conservação ambiental, educação ambiental e desenvolvimento do turismo sustentável. O modelo adotado busca ampliar o acesso da população às áreas naturais, ao mesmo tempo em que estabelece regras de preservação e ordenamento da visitação.
Atualmente, a empresa opera a visitação em unidades de conservação de grande relevância nacional, como:
- Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros
- Caminhos do Mar
- Parque Nacional do Itatiaia
- Parque Estadual do Ibitipoca
Além do Itacolomi, a Parquetur também deve assumir, em breve, a gestão do uso público do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães.
Um parque que conecta natureza, história e paisagem
Criado em 1967, o Parque Estadual do Itacolomi ocupa uma área de cerca de seis mil hectares, situada na porção sul da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço e a sudeste do Quadrilátero Ferrífero. A região foi uma das mais importantes economicamente do país durante o ciclo do ouro e chegou a figurar entre as áreas mais populosas da América Latina no século XVIII.
O principal símbolo do parque é o Pico do Itacolomi, com 1.772 metros de altitude. Visível a longas distâncias, ele serviu como ponto de referência para viajantes da Estrada Real e ficou conhecido como “Farol dos Bandeirantes”. Do topo, a vista alcança Ouro Preto, Mariana e extensos vales da região central de Minas Gerais.
O nome Itacolomi vem da língua tupi e significa “pedra menino”, referência indígena à relação simbólica entre o pico e a montanha-mãe.
Trilhas para diferentes perfis de visitantes
O parque oferece trilhas com diferentes níveis de dificuldade, atendendo desde iniciantes até caminhantes mais experientes.
- Trilha do Pico do Itacolomi: cerca de 6 km (ida e volta), nível moderado a difícil, com recomendação de saída até o fim da manhã.
- Trilha do Forno e Trilha da Lagoa: percursos mais curtos, indicados para famílias e visitantes iniciantes.
- Trilha dos Sentidos: percurso inclusivo, com recursos táteis e audioguias, pensado para pessoas com deficiência visual e auditiva.
Ao longo das trilhas, os visitantes encontram mirantes naturais, duchas, lagos e áreas de descanso.
Cachoeiras, mirantes e atrativos naturais
Entre os atrativos naturais do parque estão a Cachoeira do Custódio, Cachoeira dos Prazeres, Cachoeira do Icó, Ribeirão Belchior, além de mirantes como o do Cachorro, do Eco e do Custódio. Há ainda formações rochosas como a Pedra do Porco, Pedra do Rato e a Fenda do Biquíni, que integram o conjunto paisagístico da unidade.
Esses pontos reforçam o caráter do parque como espaço de contemplação e contato direto com a natureza, longe do ritmo urbano.
Patrimônio histórico preservado
O Itacolomi também guarda importantes construções históricas. A Casa Bandeirista, datada do início do século XVIII, é uma das primeiras moradias rurais da região e hoje é tombada pelo patrimônio estadual.
A Fazenda São José do Manso foi um polo produtor de chá na primeira metade do século XX e abriga o Museu do Chá, que apresenta a história da produção agrícola no interior do parque. A Capela de São José, do início do século XX, completa o conjunto e segue como espaço de contemplação.
Fauna e flora da Serra do Itacolomi
A biodiversidade é um dos principais ativos do parque. Entre os mamíferos já registrados estão tamanduá-mirim, quati, gato-mourisco, lontra, macaco-sauá, mico-estrela, irara, jaguatirica e diferentes espécies de tatu. Há também registros de lobo-guará e, de forma mais rara, onças-pardas e pintadas.
Na avifauna, destacam-se espécies como jacu-açu, pavó, carcará, gaviões, maritacas e beija-flores. A vegetação é marcada pela transição entre cerrado e mata atlântica, com predominância de campos rupestres. Um destaque é a Habenaria itaculumia, orquídea endêmica que só ocorre na Serra do Itacolomi.
Estrutura disponível para o visitante
O parque conta com portaria, centro receptivo, centro de visitantes com exposição permanente, auditório, restaurante, museus, área de camping, estalagens, casas de apoio, quiosques, banheiros, vestiários, parquinho, quadra de areia e trilhas sinalizadas em português.
Atualmente, o Itacolomi recebe em média cerca de 15 mil visitantes por ano.
Como chegar ao Parque do Itacolomi
A portaria principal do parque está localizada no km 97,6 da BR-356, em frente ao trevo do Hospital Santa Casa de Ouro Preto. A partir do centro da cidade, há linhas regulares de transporte público que atendem o local.
Para quem vem de Belo Horizonte, o acesso rodoviário leva cerca de 1h30. A distância é de aproximadamente 111 km do Aeroporto da Pampulha e 143 km do Aeroporto Internacional de Confins, com conexão por transporte público até Ouro Preto.


















