A Samarco ampliou de forma consistente a presença de mulheres, pessoas LGBTI+ e profissionais com deficiência em cargos de liderança nos últimos quatro anos. Dados divulgados pela empresa mostram que os indicadores cresceram desde a criação do seu programa estruturado de diversidade, equidade e inclusão, iniciado em 2022.
O movimento é relevante como pauta porque revela mudança concreta de perfil em posições de comando dentro de uma mineradora de grande porte, setor historicamente marcado por baixa diversidade em funções técnicas e de gestão.
Entre 2022 e 2025, a participação feminina na liderança mais que dobrou. Ao mesmo tempo, a empresa ampliou benefícios ligados a identidade de gênero, acessibilidade e composição familiar, além de investir em adaptações físicas e digitais nas unidades operacionais.
Mulheres na liderança passam de 10% para quase 29%
O avanço mais expressivo aparece na presença feminina em cargos de liderança. O percentual saiu de 10,4% para 28,8% no período, crescimento de 177% segundo os dados informados. No quadro total de trabalhadores, a participação de mulheres subiu de 16,5% para 29,7%.
O aumento ocorre em paralelo à expansão de estruturas internas voltadas a permanência e condições de trabalho, como vestiários femininos e salas de apoio à amamentação em áreas operacionais.
Inclusão de pessoas com deficiência cresce em cargos técnicos
A presença de pessoas com deficiência também avançou, especialmente em funções de nível superior. Em 2022, esse grupo representava 14,3% dos cargos técnicos de maior qualificação. Em 2025, o índice informado é de 16,3%.
A empresa afirma ter realizado diagnósticos de acessibilidade nas unidades e investido mais de R$ 4 milhões em adaptações, incluindo elevadores, pisos táteis e ajustes de infraestrutura. Sistemas internos também passaram a exigir requisitos de acessibilidade digital, e equipamentos específicos passaram a ser disponibilizados já na admissão.
Representatividade LGBTI+ cresce, mas ainda é baixa na chefia
Os dados indicam crescimento da autodeclaração de profissionais LGBTI+ na organização. Na liderança, o percentual passou de 0,6% para 2,3%. No quadro geral, saiu de 1,5% para 2,9%.
Apesar do aumento, os números ainda mostram participação reduzida em cargos de comando, o que torna o indicador relevante para acompanhamento nos próximos ciclos.
Entre as mudanças administrativas, a empresa incluiu nome social em sistemas corporativos e crachás e ampliou a cobertura do plano de saúde para procedimentos ligados à transição de gênero, como terapia hormonal e cirurgias específicas.
Equidade racial e composição do quadro
Segundo os dados divulgados, mais de 56% da força de trabalho atual é composta por pessoas negras, considerando pretos e pardos. Na liderança, esse percentual é de 33,4%. A empresa afirma que a meta é ampliar a presença também nos níveis mais altos de gestão.
Benefícios foram ampliados para diferentes perfis familiares
O pacote de benefícios também foi ajustado ao longo do período. Entre as mudanças informadas estão:
- extensão de benefícios a famílias homoafetivas
- cobertura de saúde para processos de afirmação de gênero
- uso de nome social em registros internos
- estabilidade após licença parental para cuidadores primários e secundários
Essas medidas alteram regras tradicionais de elegibilidade e ampliam a cobertura para diferentes arranjos familiares.
Treinamento chega a fornecedores e terceirizados
A pauta de diversidade não ficou restrita ao quadro próprio. De acordo com os números divulgados, 7.648 profissionais, entre empregados diretos e terceirizados, participaram de capacitações sobre diversidade e direitos humanos apenas no último ano. Em quatro anos, o total supera 20 mil pessoas treinadas.
Um dos eixos é o programa de desenvolvimento de fornecedores, que já envolveu 35 empresas contratadas, com encontros formativos e cursos on-line. Também participaram 195 lideranças de empresas fornecedoras em atividades sobre cultura organizacional, segurança, relações de trabalho e direitos humanos.


















