Um incidente envolvendo uma estrutura de armazenamento de água da Vale voltou a chamar a atenção para a segurança das atividades minerárias em Minas Gerais. Na madrugada de domingo (25), houve o extravasamento de água com sedimentos em uma cava da mina de Fábrica, localizada em Ouro Preto, próximo ao limite com Congonhas. Apesar de informações iniciais indicarem um possível rompimento de dique, a mineradora afirma que não houve falha estrutural de barragem.
O que aconteceu
Segundo a Vale, o episódio envolveu apenas o transbordamento de água acumulada em uma cava da mina de Fábrica. O fluxo, estimado em cerca de 220 mil metros cúbicos, alcançou áreas operacionais de outra empresa da região, a CSN Mineração, na unidade Pires. Não há registro de feridos nem de impacto direto a comunidades vizinhas.
A mineradora informou que comunicou imediatamente os órgãos competentes e iniciou a apuração das causas do extravasamento. Em nota, reforçou que o ocorrido não tem relação com barragens de rejeitos, que seguem, segundo a empresa, monitoradas continuamente e em condições seguras.
Áreas atingidas e evacuação
A água, misturada a lama e sedimentos, invadiu estruturas administrativas da CSN, incluindo almoxarifado, oficinas mecânicas, acessos internos e áreas de embarque. Como medida preventiva, cerca de 200 funcionários foram evacuados. Em vídeos gravados por trabalhadores, é possível ver a correnteza lamacenta alcançando até 1,5 metro de altura em alguns pontos.
A CSN informou que suas estruturas de contenção funcionaram normalmente e conseguiram reter parte do material, reduzindo os impactos. As operações da empresa foram mantidas após a estabilização da situação.
Monitoramento e críticas
O prefeito de Congonhas, Anderson Cabido (PSB), afirmou que o extravasamento não teria sido percebido imediatamente por funcionários da Vale, sendo identificado apenas com a chegada de uma nova equipe, por volta das 5h. Segundo ele, a Defesa Civil municipal foi acionada pela CSN, e não pela mineradora responsável pela estrutura.
Cabido também questionou a ausência de monitoramento mais rigoroso. Para o prefeito, embora não se trate de uma barragem de rejeitos, a estrutura armazenava grande volume de água e deveria contar com acompanhamento permanente.
Atuação do governo federal
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, determinou que a Agência Nacional de Mineração (ANM) apure responsabilidades pelo incidente. Ele solicitou a abertura de processo administrativo com “rigor e celeridade” e a intensificação da fiscalização sobre todas as estruturas envolvidas, não descartando a possibilidade de interdição das operações, caso seja tecnicamente indicado.
Possíveis impactos ambientais
De acordo com autoridades locais, há indícios de que a água turva tenha alcançado o Rio Goiabeiras, afluente que integra a bacia do Rio Maranhão, curso d’água que atravessa Congonhas. A avaliação preliminar aponta que o material carregado seria composto, em grande parte, por sedimentos soltos do entorno da estrutura, e não por rejeitos armazenados.
Equipes da Defesa Civil estadual e de órgãos ambientais permanecem no local para monitorar a situação e avaliar eventuais danos ambientais.
Comparações
O volume extravasado representa cerca de 1,6% do material liberado no rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, em 2019, quando aproximadamente 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos foram despejados no meio ambiente. Ainda assim, autoridades locais ressaltam que o impacto se soma a um histórico de pressão ambiental sobre a região.
O que se sabe até agora
- Houve extravasamento de água com sedimentos em cava da mina de Fábrica, em Ouro Preto
- O volume estimado é de cerca de 220 mil m³
- Áreas da CSN Mineração foram atingidas; cerca de 200 funcionários foram evacuados
- Não há registro de feridos nem de impacto direto à população
- Parte da água foi retida por bacias de contenção da CSN
- A ANM abriu apuração para investigar causas e responsabilidades
- O monitoramento ambiental segue em andamento
As investigações continuam, e novos esclarecimentos devem ser divulgados após a conclusão das análises técnicas das autoridades competentes.


















