A Vale anunciou a interrupção temporária das atividades em duas de suas unidades na região Central de Minas Gerais. Estão suspensas, a partir de segunda-feira, 26 de janeiro, as operações da mina da Fábrica, em Ouro Preto, e da mina Viga, em Congonhas.
A decisão foi comunicada ao mercado por meio de nota assinada pelo vice-presidente executivo de Finanças e Relações com Investidores da companhia, Marcelo Feriozzi Bacci, após a empresa receber um ofício da Prefeitura de Congonhas determinando a suspensão dos alvarás municipais ligados às atividades das minas.
Segundo o Executivo municipal, a paralisação permanecerá em vigor até que a mineradora comprove a adoção de ações emergenciais de controle, monitoramento e mitigação ambiental, em resposta a recentes ocorrências envolvendo extravasamento de água com sedimentos.
Em posicionamento oficial, a Vale afirmou que irá analisar as determinações e responder dentro dos prazos legais, destacando que mantém colaboração integral com as autoridades e que prestará todos os esclarecimentos solicitados. A empresa reforçou ainda que suas estruturas de barragens na região seguem estáveis e sob monitoramento contínuo, sem alteração nos parâmetros de segurança.
Dois episódios em menos de 24 horas
A suspensão ocorre após o registro de dois extravasamentos distintos no último domingo (25). O primeiro foi identificado durante a madrugada, na mina da Fábrica, em Ouro Preto. Horas depois, um novo episódio foi registrado na mina Viga, em Congonhas.
Em Ouro Preto, o fluxo de água com sedimentos atingiu áreas operacionais da CSN Mineração, provocando alagamentos em setores administrativos e industriais, além de alcançar o rio Goiabeiras, que deságua no rio Maranhão.
Já em Congonhas, o extravasamento também impactou o rio Maranhão, um dos afluentes do rio Paraopeba, curso d’água que integra uma bacia historicamente sensível após o desastre de Brumadinho.
A mineradora informou que, em nenhuma das ocorrências, houve transporte de rejeitos de mineração, tampouco registro de feridos ou impacto direto às comunidades do entorno.
Exigências para retomada das atividades
Ao justificar a suspensão dos alvarás, a Prefeitura de Congonhas avaliou que os episódios representam um risco ambiental concreto, com potencial de comprometer a qualidade das águas superficiais, os ecossistemas aquáticos e a segurança de áreas situadas a jusante das estruturas.
Entre as condicionantes impostas à Vale estão:
- limpeza e recuperação das áreas atingidas, incluindo margens e leitos de cursos d’água;
- execução de ações de contenção e mitigação ambiental com acompanhamento técnico e documentação fotográfica;
- ampliação do monitoramento da qualidade da água, com análise de turbidez, sólidos suspensos e parâmetros físico-químicos;
- mapeamento detalhado dos sumps das minas da Fábrica e Viga, com informações sobre localização, capacidade, estado de conservação e sistemas de controle.
A administração municipal informou que a reavaliação dos alvarás só ocorrerá após a comprovação técnica de que os riscos foram devidamente eliminados ou controlados.


















