Os 50 anos de Mano Brown contados em dez músicas

Na última quarta-feira, dia 22 de abril, Pedro Paulo Soares Pereira completou 50 anos de idade. Contrariando as estatísticas desde 1970, Mano Brown se tornou o maior nome da história do rap nacional. Liderando o grupo Racionais MC’s, lançou os discos Holocausto Urbano, Escolha O Seu Caminho, Raio X do Brasil, Sobrevivendo no Inferno, Nada Como um Dia Após o Outro Dia e Cores & Valores.

Em 2016, Mano Brown iniciou de vez a sua carreira solo ao lançar Boogie Naipe, seu primeiro álbum. Esse trabalho mais puxado para o soul é uma grande homenagem do artista aos bailes blacks e a música negra dos anos 70 e 80, que marcaram sua infância e juventude.

Influência de Mano Brown

A influência e o peso de Mano Brown na música brasileira é muito grande e perdura até hoje. Suas letras pesadas, críticas e realistas ajudaram a formar um retrato da realidade das periferias brasileiras, do racismo em nossa sociedade, além da violência policial e situação precária dos presídios brasileiros. Os temas cantados por ele desde o fim dos anos 80 são atuais até hoje e servem de reflexão até mesmo para acadêmicos e estudiosos da música.

Os 50 anos de Mano Brown contados em dez músicas
Mano Brown já tem mais de 30 anos de carreira – Crédito da foto: Reprodução/Facebook/Mano Brown

Para celebrar esses cinquenta anos de Mano Brown, eu listei, aqui nessa matéria, dez músicas que contam um pouco da trajetória musical do artista. A lista contempla desde os clássicos que fizeram o seu nome até suas músicas mais atuais e que refletem seu atual posicionamento. Confira: 

Pânico na Zona Sul

“Pânico na Zona Sul” é a primeira faixa do primeiro trabalho lançado pelo Racionais MC’s, o EP Holocausto Urbano. É o ponto de partida para toda a história do grupo e de Brown.

Homem na Estrada

Composta por Mano Brown, “Homem na Estrada” é uma das faixas mais populares do Racionais. Lançada em 1993 no primeiro no álbum de estúdio do grupo, a música conta a história de um ex-presidiário e os percalços que enfrenta ao tentar reconstruir sua vida.

Capítulo 4, Versículo 3

“Capítulo 4, Versículo 3” é uma das 12 faixas que compõem o disco Sobrevivendo no Inferno, o quarto trabalho lançado pelo Racionais. Nela, Brown canta alguns de seus versos mais marcantes, como o em que afirma estar há 27 anos contrariando as estatísticas. Hoje, 23 anos depois, já são 50. Abaixo a faixa está representada pelo vídeo da apresentação de 1998 do grupo no VMB, premiação da MTV Brasil.

“Eu sou apenas um rapaz latino americano

Apoiado por mais de cinquenta mil manos”

Diário de um Detento

Essa é talvez a faixa mais icônica da carreira de Mano Brown. Lançada no já citado Sobrevivendo no Inferno, “Diário de um Detento” é um dos maiores retratos já feitos sobre a realidade dos presídios brasileiros. A música foi escrita em parceria com um ex-detento chamado Josemir Prado e foi a única música do Racionais a aparecer na lista de 100 maiores músicas brasileiras feita pela revista Rolling Stones.

Abaixo está seu icônico clipe, gravado dentro de um presídio em São Paulo. Em 2012, a Folha de SP o elegeu como o segundo melhor videoclipe brasileiro de todos os tempos.

Vida Loka

Terceiro álbum de estúdio do Racionais MC’s, Nada Como um Dia Após o Outro Dia foi lançado em formato duplo em 2002. A sua faixa mais icônica é “Vida Loka”, que está dividida em duas partes dentro do disco. Esse trabalho foi o primeiro do grupo no novo século e marcou toda uma geração. Abaixo está o clipe da primeira parte da música, que foi feito no show de gravação do DVD 1000 Trutas 1000 Tretas, lançado em 2007.

Negro Drama

Outra faixa icônica deste disco é “Negro Drama”, um dos maiores maiores sucessos do Racionais MC’s e uma das mais repercutidas na internet, onde inspirou diversas paródias de humor. Os versos de Edi Rock e Mano Brown trazem uma reflexão sobre o sucesso do grupo e a realidade de jovens negros cresceram nas favelas e ascenderam financeiramente através da música. A faixa dá cara a esse álbum e é uma das responsáveis por manter o grupo em alta durante toda a década de 2000.

Um Preto Zica

Após mais de 12 anos do lançamento de seu último disco, o Racionais MC’s sai do hiato ao lançar Cores & Valores em 2014. O álbum foi feito em uma pegada totalmente diferente dos seus anteriores, trazendo músicas mais curtas e com músicas muito mais ostentativas, falando da atual realidade do grupo.

Esse trabalho mostra a evolução do Racionais e vem pra comemorar a vitória de Mano Brown e seus companheiros. Um novo estilo para uma nova era. O disco foi aclamado por críticos mas dividiu o público. Muitos fãs antigos foram contra a mudança musical e acharam que o grupo estava perdido, desconexo de suas antigas ideias. Em 2016, a faixa “Um Preto Zica” ganhou um belo clipe da produtora Kondzilla e iniciou a parceria do grupo com a empresa.

Gangsta Boogie 

Boogie Naipe é um grande projeto de Mano Brown e que teve início ainda nos anos 2000. Em 2016, o rapper enfim lançou seu tão almejado disco solo, onde vem em uma pegada totalmente diferente de seu trabalho com o Racionais MC’s. Com fortes referências ao soul, funk, bailes antigos e a música negra dos anos 70 e 80, o disco foi indicado ao Grammy Latino em 2017 e virou um clássico contemporâneo do Hip-Hop brasileiro.

Aqui é possível ver o lado romântico do artista e suas composições mais sentimentais. A faixa escolhida representa bem o disco e a sintonia de Brown com Lino Krizz, seu amigo e cantor que colabora em quase todas as faixas desse trabalho. 

O Céu é o Limite 

“O Céu é o Limite”, lançada em 2018, é uma reuniões mais icônicas da história do rap nacional. Na faixa o produtor Devasto reúne Mano Brown junto de nomes consolidados como Emicida e Rael, além de nomes que estavam em ascensão no rap, como Djonga, BK e Rincon Sapiência. Foi o primeiro feat de Brown com essa nova geração de artistas do rap brasileiro.

Zé Guaritinha

Lançada no fim de 2019, “Zé Guaritinha” é a última colaboração lançada por Mano Brown. Nesse feat com o MC Jottapê, o rapper e o funkeiro fazem um som para divulgar o Free Fire, jogo de tiro que é sucesso nas plataformas mobile. O clipe da faixa foi lançado no canal da produtora Konzdilla.

A controversa parceria dividiu o público e reforçou a postura de Brown perante aos novos tempos da música, principalmente do rap. O artista foi taxado como hipócrita por parte do público mais conservador, que ainda não aceita bem a nova fase dele e do Racionais, iniciada em 2014 com o disco Cores & Valores. Apesar das críticas, a música é um sucesso e acumula dezenas de milhares de visualizações no YouTube.

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