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O bolero de Marília Mendonça não é o mesmo de Cauby Peixoto?

Elis Bohrer 9 de novembro de 2021 às 19:08
Tempo de leitura
6 min
Marília Mendonça e Cauby Peixoto
Marília Mendonça e Cauby Peixoto

Embora a saudosa Marília Mendonça tenha mergulhado na música sertaneja, sua carreira foi marcada por muitos boleros, sim, aqueles de cabaré que faziam parte do repertório de Cauby Peixoto e tantos outros artistas que apreciaram e apreciam o estilo.

Mas, por que a música da goiana não era vista com bons olhos pelos intelectuais, pelo menos até o momento de seu falecimento?  

Marília Mendonça escreveu e gravou tantos boleros, um estilo musical que nasceu em Cuba e recebeu influências hispânicas, que atualmente não podemos contar.


O bolero chegou ao Brasil como música de cabaré, em seguida, após receber elementos da música brasileira como bossa nova e até mesmo do jazz, o estilo se elitizou.

Começou a ser tocado em casas noturnas da Zona Sul do Rio de Janeiro, onde as pessoas iam para dançar e se divertir.

Muitos foram os artistas brasileiros que escreveram e gravaram boletos: Chico Buarque, Gal Costa, Maria Bethânia, Fafá de Belém, Cauby Peixoto, Caetano Veloso, Beto Guedes, João Bosco, entre outros gênios da nossa música.

Muitos foram os obstáculos que a jovem Marília precisou enfrentar para consolidar seu nome e marca no mercado fonográfico, além da resistência masculina em seu próprio nicho de atuação (sertaneja), principalmente por ser mulher, a Rainha da Sofrência precisou transpassar as barreiras dos pensadores e formadores de opinião do segmento mpb.

Porém, o que muitos desconhecem é o fato de que Marília frequentemente cantava músicas de um estilo que esses críticos musicais tocavam, o bolero.

Bastidores

Cauby Peixoto cantando Bastidores/Reprodução do Youtube.

Se analisarmos Bastidores, escrita por Chico Buarque e eternizada na voz de Cauby Peixoto, podemos encontrar muitas semelhanças com as letras de Marília Mendonça: “Chorei, chorei, até ficar com dó de mim, e me tranquei no camarim, tomei um calmante, um excitante e um bocado de gim”, nesta parte inicial da canção o autor associa o sofrimento de alguém que perdeu a pessoa amada à bebida alcoólica, tal qual a Mendonça fazia, “De copo sempre cheio e coração vazio, vou me tornando um cara solitário e frio”. De maneiras diferentes ambos os compositores estão narrando a mesma situação.

“Amaldiçoei o dia em que te conheci, com muitos brilhos me vesti e depois me pintei, me pintei, me pintei, me pintei”, esse sentimento de vingança que sentimos após o término de uma relação é compreensível, desde que não fira a integridade física de ninguém. A maior compositora da atualidade no Brasil ainda abordava o assunto com ironia, “tá espalhando por aí que eu esfriei que eu tô mal, que eu tô sem sal, realmente eu tô, sem saudade de você”.

Na segunda parte da música de Chico ainda tem mais semelhanças, “Não me troquei, voltei correndo ao nosso lar, voltei pra me certificar que tu nunca mais, nunca mais, nunca mais vais voltar”, criando um paralelo, “ê infiel, eu quero ver você morar num motel, estou te expulsando do meu coração, assuma as consequências dessa traição”.

E tem mais, em Bastidores quem sofre dá a volta por cima, ao final quem fica mal é o traidor, “Nem sei como eu cantei assim, e os homens lá pedindo bis, bêbado e febris a se rasgar por mim”. Pois é, o mundo dá voltas mesmo, principalmente para as questões do coração e Marília Mendonça sabia disso: “ Na minha vida seu coração serviu de degrau, te ver sofrendo não é bom é sensacional, agora passa mal”.

Mas voltando para os boleros, o fato é que não apenas Marília como muitos artistas do meio sertanejo exploram o estilo, Lauana Prado, Gustavo Lima, Fernando e Sorocaba, Bruno e Marrone, entre outros.

Conheça músicas sertanejas que são boleros

Marília Mendonça. Foto: Facebook

Infiel – Marília Mendonça

Eu Sei de Cor – Marília Mendonça

Alô Porteiro – Marília Mendonça

Todo mundo vai Sofrer – Marília Mendonça

Amante Não Tem Lar – Marília Mendonça

Cobaia – Lauana Prado

Viva Voz – Lauana Prado

Liberdade Provisória – Henrique e Juliano

S de Saudade – Luiza e Maurílio

Largado as Traças – Zé Neto e Cristiano

Tijolão – Jorge e Mateus

Ficha Limpa – Gustavo Lima

Brincar de ser Feliz (Bolerasso) – Chitãozinho e Xororó

Vende-se um Apartamento (380°) – Chrytian e Ralf

Quem Disse que Esqueci – Milionário e Zé Rico

Ligação Urbana – Bruno e Marrone

Diz Pra Mim – Leandro e Leonardo

Esqueça-me se for capaz – Marília Mendonça e Maiara e Maraisa (Patroas)

O que define um bolero

Como já mencionamos, o bolero é uma música que surgiu em Cuba, porém recebeu influencias da Espanha, em seguida se tornou um estilo musical considerado mexicano, ou seja, as fronteiras não o limitou.

As letras do bolero em sua maioria são românticas, enquanto que o ritmo é ditado por instrumentos de percussão como a conga e o bongo, já as harmonias e melodias receberam influências do tango, porém devido a muitas transformações e sua chegada ao México, ganhou novas possibilidades, no Brasil então, nem se fala.

Muitos estilos musicais aderiram ao bolero, pela beleza e poesia incutidas no estilo, é o caso do Bolero de Havel, escrito pelo pianista e compositor francês Maurice Ravel, que mesclou o estilo à música clássica.

No Brasil o estilo foi aderido por ninguém menos que o Rei Roberto Carlos. Os registros mais recentes do estilo no maior país da América Latina são as músicas compostas por Marília Mendonça.

Essa é uma homenagem do portal Mais Minas para uma das maiores cantoras da música brasileira, Marília Mendonça.

ATENÇÃO: Ao copiar uma matéria do Mais Minas, ou parte dela, não se esqueça de incluir o link para a notícia original.

Última atualização em 9 de novembro de 2021 às 21:47