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Cadê a árvore que estava aqui?

Toda a população de Ouro Preto, nesta primeira quinzena de setembro, ficou espantada ao passar na Barra (bairro) e deparar com o curioso corte das imensas árvores de sua pracinha.

Após um primeiro momento de intensa revolta popular nas redes sociais, saiu a justificativa oficial da prefeitura em seu site, explicando os motivos que levaram a essa ação, que infelizmente, é correta.

A família das Moráceas, que faz parte também o Ficus benjamina, espécie arbórea que estava presente na Praça da Barra até este mês, não é adequada para plantio em áreas urbanas. Capaz de alcançar mais de 40 m e trazer sombra intensa graças a sua vastidão foliar, causa graves problemas no subsolo por conta de suas características radiculares, altamente adaptadas para competir por nutrientes.

A consequência, portanto, do crescimento intenso de suas raízes é bem visível: rachadura nas calçadas, comprometimento de obras próximas como muros e casas, e, até mesmo, perfuração de tubulações subterrâneas de água. Por essas propriedades altamente agressivas (ecologicamente falando) que podem causar problemas para a sua vizinhança, os membros da família das Moráceas são proibidos de serem plantadas em diversos municípios do país.

Bom, tendo em vista tudo que coloquei acima, você deve pensar que sou a favor da ação de corte da árvore como se deu, certo? Errado. Eu tenho severas críticas a como isso se deu. A meu ver, os responsáveis acertam na forma, mas erram no método.

Os motivos para essa afirmativa, a meu ver, são simples e podem ser listados:

1 – Falta de comunicação adequada por parte da prefeitura. Por que não comunicaram anteriormente a toda a população que seria necessária uma medida tão radical como a que foi realizada? Por que não disseram que a supressão atendia também a um pedido da própria associação de moradores? Esta inexplicável ausência de diálogo cria situações e saias justas totalmente desnecessárias, como, por exemplo, a chuva de críticas por conta desta ação.

2 – O impacto visual da supressão da Ficus benjamina no local é visível. Serão colocados no lugar árvores já em estado avançado de crescimento e adequadas ao paisagismo urbano? Pois sua retirada é correta, mas deixar sem nada no lugar é um verdadeiro absurdo, já vimos recentemente em outros locais da cidade a substituição de árvores frondosas por flores, algo totalmente sem nexo!

3 – Como coloquei acima, o maior problema desta espécie são suas raízes. Elas são retiradas? Como? Ou não serão? Pois se elas ali permanecerem, os problemas vão voltar em médio espaço de tempo!

Bem, poderíamos listar outros motivos que nos levam a questionar a forma como se deu esta polêmica atitude da prefeitura, afinal de contas, fica bem visível que o verdadeiro problema em toda essa questão se resume a COMUNICAÇÃO. É realmente inexplicável os motivos de tanta dificuldade de diálogo da gestão municipal, tanto para explicar com antecedência os motivos para cortes e podas, bem como quais ações de remediação serão tomadas em cada caso.

Ouro Preto tem algumas coisas difíceis de entender. Essa é uma: acertar errando. Em tempos de redes sociais, WhatsApp e telefone, não dá para compreender como é possível tanta falta de informação!

Até a próxima.

Pedro Luiz Teixeira de Camargo (Peixe) é Biólogo e Professor, Especialista em Gestão Ambiental e Mestre em Sustentabilidade. Atualmente é Doutorando em Evolução Crustal e Recursos Naturais pela UFOP/MG e Membro da Direção Eixo Sudeste da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica (EcoEco).

Pedro Peixe | Capina? Qual capina?

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