Especial Semana Santa: O que é a Semana Santa?

A matéria especial fala sobre a comemoração e as particularidades de cada um dos seus dias

Em menos de um mês, no dia 5 de abril, se inicia uma das principais datas da fé cristã, a Semana Santa, que dura até o dia 11 de abril, e que tem as celebrações encerradas no dia 12, o domingo de Páscoa. A tradição religiosa celebra a Paixão, a Morte e a ressurreição de Jesus Cristo.

Pensando na importância da data, o Mais Minas realizará uma série de matérias especiais sobre o tema. E a primeira reportagem responderá a pergunta “O que é a Semana Santa?”, contando origens, particularidades e dando informações sobre a celebração. Confira!

Especial Semana Santa: O que é a Semana Santa?
Multidões de fiéis vão às celebrações da Semana Santa – Crédito da foto: Maic Costa/Mais Minas

O que é a Semana Santa?

A Semana Santa, como dito acima, é uma celebração tradicional cristã, que revive o Mistério Pascal de Cristo, que compreende a sua morte, Ressurreição e Glorificação, estando no centro da fé cristã, porque o desígnio salvífico de Deus se realizou uma vez por todas com a morte redentora do seu Filho, Jesus Cristo. Todos os dias da semana, entre um domingo e outro, há uma denominação que representa os passos de Jesus Cristo na semana que antecedeu sua morte e ressurreição.

Na tradição cristã, a Semana Santa foi instituída durante o Concílio de Nicéia, realizado no ano 325 d.C , e é o período em que a Igreja Católica comemora os últimos dias da vida de Jesus, que, segundo a Bíblia, foi crucificado para salvar a humanidade do pecado.

A Semana Santa se inicia no Domingo de Ramos, que em 2020 será comemorado no dia 5 de abril, e segue com Segunda-Feira Santa, Terça-Feira Santa, Quarta-Feira Santa, Quinta-Feira Santa, Sexta-Feira Santa ou Sexta-Feira da Paixão, Sábado Santo ou Sábado de Aleluia e, por fim, o Domingo de Páscoa.

É importante lembra que vários estudiosos afirmam não ser possível reconstituir o dia-a-dia da última semana de Jesus devido às lacunas históricas e a episódios que não se encaixam numa cronologia perfeita.

Domingo de Ramos

Este é o primeiro dia da Semana Santa Ocidental, isso porque nas comemorações Orientais se celebra o Sábado de Lázaro. O Domingo de Ramos celebra a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém. Sua entrada na cidade foi triunfante. Vindo do Monte das Oliveiras, Cristo foi recebido pelo povo que atirou roupas e ramos de palmeira no chão, em sua chegada. Isso despertou, nos sacerdotes da época e mestres da Lei, inveja, desconfiança e medo de perder o poder. Começa, então, uma trama para condenar Jesus à morte.

Apesar da recepção apoteótica na cidade, digna de um rei, ali começava o calvário de Jesus, que seria condenado à morte pela própria população que o recebeu. Apesar do tratamento real, Jesus entrou em Jerusalém montado num burrinho, símbolo de humildade, enquanto era aclamado pela multidão que gritava  “Hosana ao Filho de Davi!”.

Nas comemorações contemporâneas, são comuns procissões em que os fiéis levam consigo ramos de Oliveira ou Palmeira, o que explica a denominação do dia.

Especial Semana Santa: O que é a Semana Santa?
Crédito da foto: Arquivo CN/cancaonova.com

Segunda-Feira Santa

É o segundo dia da Semana Santa, onde Jesus Cristo, cansado após sua chegada a Jerusalém, vai a casa de seus amigos, em Betânia, para recuperar as suas forças.

É neste dia também que Jesus expulsa os vendilhões do templo e Jerusalém, denunciando que eles transformaram a casa de seu Pai num covil de ladrões e repreendendo a incredulidade da multidão, fato esse que não costuma ser referenciado na Semana Santa.

Terça-Feira Santa

Este é o terceiro da da Semana Santa, onde onde são celebradas as Sete dores de Nossa Senhora Virgem Maria. Além disso são relembradas algumas das parábolas contadas por Jesus Cristo durante sua estada em Jerusalém , além do episódio da traição de Judas Iscariotes. Neste dia é comum que os fiéis peçam perdão e façam penitências, para alcançarem-no, além de pagarem promessas feitas anteriormente, buscando obtenção de graças. A Terça-Feira Santa também recorda a memória do encontro de Jesus e Maria no caminho do Calvário.

Quarta-Feira Santa

Este é um dos mais sombrios dias da fé cristã, tanto que é conhecido tradicionalmente como Quarta-feira de Trevas. Neste dia, o apóstolo Judas Iscariotes se ofereceu para entregar Jesus por uma quantia de 30 moedas de prata.

Neste dia, também, Jesus Cristo volta a Betânia, onde Maria, filha de Lázaro, quem Jesus tinha ressuscitado, toma uma libra de perfume de nardo autêntico, muito caro, unge os pés de Jesus com ele, enxugando-os com os seus cabelos, e enchendo a casa com a fragrância do perfume. Tal fato foi uma das razões para que Judas Iscariotes tomasse a decisão de trair Jesus, já que não gostou do “desperdício monetário” do ato, preferindo que o dinheiro fosse dado aos pobres (ou para si mesmo, segundo João 12:6).

Quinta-Feira Santa

Nas manhãs da Quinta-Feira Santa,  nas catedrais das dioceses, o bispo se reúne com o seu clero para celebrar a Celebração do Crisma, na qual são abençoados os santos óleos que serão usados na administração dos sacramentos do Batismo, Ordenação de Padres e Bispos, Crisma e Unção dos Enfermos.

É o grande dia da instituição da Sagrada Eucaristia, que relembra quando Jesus sacramentou o pão e o vinho com as seguintes palavras: “Isto é o meu corpo entregue. Este é o cálice do meu sangue, o sangue da Nova e Eterna Aliança, derramado…”. É o início do chamado Tríduo Pascal, os três dias que culminarão na ressurreição de Cristo.

Neste dia, são relembrados dois dos momentos mais marcantes da fé cristã, a cerimônia de lava pés, quando Jesus lavou os pés dos discípulos, e a Última Ceia, que aconteceu em seguida, sendo este o último momento que Cristo compartilhou com seus apóstolos. É nesta noite em que Jesus é preso, interrogado e, no amanhecer da sexta-feira, açoitado e condenado.

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O ritual do Lava-pés é realizado na Quinta-Feira Santa – Crédito da foto: Pon Piriya/Shutterstock

Sexta-Feira da Paixão

No dia mais sombrio da fé cristã, se relembra a Paixão e morte de Jesus Cristo. É também o único dia em que a Igreja Católica não celebra Missa em nenhum lugar do mundo, trata-se de uma celebração.

Neste dia, Jesus passa a noite trancado no no calabouço da casa do sumo sacerdote. Pela manhã, Ele é levado até a presença de Pilatos, o governador romano, que repassa o caso para o rei Herodes. Herodes o manda de volta para Pilatos, que, em algum momento no meio da manhã, cede à pressão das autoridades do templo e das multidões e condena Jesus à morte cruel por crucificação. Apesar de ser trágico, o dia traz esperança e certeza da vitória e é feriado em muitos países pelo mundo, incluindo o Brasil.

A mesma multidão que havia aclamado Jesus em sua chegada a Jerusalém, foi a que o condenou. Após interrogatórios feitos por Pôncio Pilatos, governador romano, e Herodes, tetrarca da região, ambos os homens não viram motivos para condenar Cristo à morte. Por isso, Pilatos decidiu chicotear e soltar Jesus. Mas os sacerdotes incentivaram a multidão a pedir que Barrabás, preso por assassinato, fosse solto no lugar de Cristo.

Aí que surgiu uma das cenas mais marcantes da fé cristã. O momento em que Pilatos pergunta à multidão o que deveria fazer com Jesus Cristo, e estes respondem: “Crucifica-o!”.

Jesus então percorreu o caminho desde Pretório até ao Calvário, onde faleceu, carregando sua cruz nos ombros e sendo açoitado e humilhado. É a chamada Via Crúcis.

Após o caminho, Jesus Cristo é coroado com uma coroa de espinhos, pregado na cruz e crucificado entre dois ladrões. No auge de sua agonia e desespero, Jesus ainda encontra forças para perdoar seus algozes: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem”. Ele chega a clamar e questionar Deus: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?”. E por fim, ele entrega sua alma: “Pai, em tuas mãos entrego meu espírito”. Jesus morre como tinha vivido: ancorado na confiança do Pai.

Não é um dia de luto, é um dia de meditação e respeito. Às 15h inicia-se a celebração da Paixão do Senhor, seguida de procissão. A celebração acontece após as três horas de agonia que Jesus sofreu na cruz (de acordo com a Bíblia, das 12h às 15h).

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São comuns encenações da Paixão de Cristo – Crédito da foto: Maic Costa/Mais Minas

Sábado de Aleluia

Sábado de Aleluia ou Sábado Santo é considerado o dia da espera. Os cristãos se reúnem no sepulcro de Jesus para aguardar sua prometida ressurreição. No final deste dia é celebrada a Solene Vigília Pascal, a mãe de todas as vigílias. Volta-se a entoar o Glória e o Aleluia, que foram omitidos durante todo o período quaresmal. Há também o batismo daqueles adultos que se prepararam durante toda a quaresma. Concentra-se também na dor de Maria por ter perdido o seu filho.

A Vigília Pascal é densa e grande. A Celebração da Vigília Pascal é o centro da Semana Santa. Toda a quaresma e os dias santos preparam-nos para o momento culminante: o da ressurreição.

Geralmente, a celebração começa fora da Igreja, enquanto a Igreja fica às escuras. Do lado de fora, o padre acende o Círio Pascal (vela branca que representa a Luz de Cristo), então ele adentra a Igreja simbolizando a luz vencendo as trevas. A partir daí as luzes da igreja se acendem e são retirados aquelas tecidos roxos que cobrem as imagens desde o início da quaresma e os fiéis começam a cantar alegremente, celebrando a ressurreição de Jesus. É uma das celebrações mais longas da Igreja Católica.

Uma curiosidade é que o sinal da cruz é feito apenas no início da missa da Quinta-Feira Santa e depois somente no final da Vigília Pascal (Sábado Santo), indicando o fim da celebração da morte de Jesus.

Domingo de Páscoa

O dia mais importante e a comemoração mais antiga da fé cristã. Quando Jesus Cristo vence a morte, ressuscitando e mostrando o valor da vida, além de deixar a promessa de vida eterna ao lado de Deus. A data da Páscoa, que é móvel, determina todas as demais datas das festas móveis cristãs, exceto as relacionadas ao Advento.

Ao contrário dos outros dias da Semana Santa, as celebrações da Páscoa possuem elementos mais festivos, com músicas alegres e decorações na igreja.

Após a ressurreição, Jesus Cristo aparece para diversas pessoas, por 40 dias, até ascender ao céus e “sentar à direita de Deus Pai, todo poderoso”. Sendo assim, esta é considerada a doutrina central da fé e da teologia cristã e é vista pelos fiéis como parte do plano de salvação e redenção através da expiação (perdão) dos pecados do homem.

Santuário Nacional de Aparecida
Fiéis vão em grande número para Aparecida do Norte, participar das Missas de Páscoa – Crédito da foto: Matheus Andrade/Santuário Nacional

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