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Estigma de ‘triturador de técnicos’ no Atlético precisa acabar

Com seis jogos na temporada, o Atlético soma três vitórias, uma derrota e dois empates, ou seja, um aproveitamento de 61%. Com o comando de Dudamel, o Galo é líder do Campeonato Mineiro, com 11 pontos em cinco jogos, mas tem uma partida a mais que o vice-líder Cruzeiro. Entretanto, a equipe alvinegra teve um “baque” muito grande no meio da última semana, quando enfrentou o Unión de Santa Fe, na Argentina, pela primeira fase da Copa Sul-Americana e perdeu por 3 a 0, dificultando as chances de avançar na competição mais compatível para pensar em título na temporada.

Com um futebol ruim, goleada na principal partida do time em janeiro, e mal aproveitamento nos primeiros jogos, o torcedor mostra um certo incômodo com o treinador novo Rafael Dudamel. O técnico venezuelano chegou com o status de Seleção, já que treinava a Venezuela anteriormente, e mostra algumas dificuldades de entender o futebol brasileiro e, principalmente, o elenco do Atlético.

Críticas são coisas comuns de se ver no impaciente torcedor atleticano, mas até quando isso é positivo para o clube? Se for analisar bem, o Atlético teve 12 treinadores nos últimos seis anos, ou seja, o dobro de técnicos para o número de temporadas do time. Quer dizer, para invejar um trabalho como o de Tiago Nunes no Athlético-PR, precisou de três anos para vencer dois títulos, lembrando que ele chegou ao clube paranaense em 2017 e seu primeiro título foi em dezembro de 2018, quase duas temporadas para erguer a primeira taça.

Se for considerar o time do Atlético atual, é absolutamente notável que se tem um elenco em formação. Para quem espera títulos alvinegros em 2020, a notícia é que muito dificilmente isso irá acontecer. Pois o Galo é um dos clubes mais endividados do país, não tem dinheiro para bancar grandes contratações e está longe de ter uma filosofia de jogo implantada. Filosofia essa que se perdeu após uma sucessão de demissões e contratações de técnicos precipitadas.

Erros de Dudamel

Estigma de 'Triturador de técnicos' no Atlético precisa acabar
Crédito da foto: Bruno cantini / Agência Galo / Atlético

Rafael Dudamel se precipitou em diversas escalações, como a de Réver para a partida contra o Unión de Santa Fe. Justamente o zagueiro escalado que cometeu o erro do segundo gol do time argentino. A persistência com o centroavante Di Santo até pode ser considerada, apesar de ter poucas opções para a posição, já que não há uma variação com outras peças do elenco, podendo jogar sem um homem de referência na frente. Ou mesmo a escalação de três volantes, tendo Nathan habituado no clube para poder armar jogadas, perdendo poderio de marcação e de armação do time.

Sim, tudo isso é questionável, assim como suas substituições também são. Na última partida contra a URT, Dudamel colocou o volante Zé Welison no lugar de Marquinhos, que é um homem de velocidade e força no ataque. Ou ainda, o Maílton mesmo, que é lateral direito, no lugar de Edinho.

Sim, são mais outros erros de Dudamel no comando do Atlético. Agora, parando para pensar com um pouco mais de empatia, nota-se que Rafael não conhece o grupo atleticano. Não conhece nem a cultura do país que ele está inserido, o que é absolutamente natural, já que está apenas há um mês em um país novo, com outro idioma e outros costumes. O futebol não é diferente das demais profissões.

O treinador do Galo precisa de tempo para conhecer o elenco que está em suas mãos, mesmo que custe a Copa Sul-Americana para isso. Porque, com tempo, costume e aprendizado, o time alvinegro pode voltar a esta competição, ou outra continental, e ser sim uma equipe párea para ganhar o título. Lembrando que, desde a demissão precipitada do técnico Levir Culpi em 2015, o Atlético não venceu outro título relevante e, por coincidência (ou não), é exatamente o tempo de maior oscilação no cargo de treinador do clube.

O tempo cura tudo

Estigma de 'Triturador de técnicos' no Atlético precisa acabar
Crédito da foto: Pedro Souza / Atlético

Além das problemáticas com o treinador, o Atlético também tem outras pendências para formar esse grupo para a temporada 2020. Guilherme Arana já estreou, mas teve poucos minutos em campo, e é peça titular da equipe. Além dele, falta Savarino estrear, os retornos de Otero e Cazares, recuperação de Gustavo Blanco e ainda, a vinda de um ou dois reforços que estão garantidos pelo presidente, incluindo um atacante.

Ou seja, falta muito para a reformulação do elenco e filosofia do Atlético realmente acontecerem. Paciência é uma virtude difícil do futebol, pois está interligada ao astral de uma torcida, que conta os dias para ver seu time jogar e é realmente muito frustrante quando decepciona. Mas infelizmente, nada é do dia para a noite.

A busca do Galo, neste momento, é de montar um grupo, pagar as contas, e ter solidez para poder construir algo ao longo dos tempos. É provável que seja mais um ano sem vencer nenhum título de expressão, mas a consolidação de um time que tem esquema tático, filosofia de jogo, que tem compactação e entende o que está fazendo é o objetivo do clube alvinegro para 2020. Só assim o atleticano vai poder soltar o grito de campeão novamente.

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