A Gerdau, maior produtora de aço do Brasil, divulgou os resultados do ano de 2025. A empresa faturou R$ 69,9 bilhões em receita líquida — o valor que a empresa efetivamente recebe pelas vendas, já descontados impostos e devoluções — e vendeu 11,6 milhões de toneladas de aço ao longo do ano.
O lucro líquido ajustado, ou seja, o que sobra para a empresa após pagar todas as despesas, impostos e descontar efeitos extraordinários, foi de R$ 3,4 bilhões.
O principal indicador do ano: Ebitda de R$ 10,1 bilhões
O Ebitda — sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações — é o indicador mais usado pelo mercado financeiro para medir a eficiência operacional de uma empresa, ou seja, o quanto ela gera de caixa com seu negócio principal, sem contar dívidas ou questões contábeis. Em 2025, o Ebitda ajustado da Gerdau foi de R$ 10,1 bilhões, com margem de 14,4% — o que significa que, de cada R$ 100 faturados, R$ 14,40 viraram resultado operacional.
O que pesou no resultado: baixas contábeis e aço importado
O resultado foi impactado por dois fatores relevantes.
O primeiro foi técnico: a empresa registrou R$ 2,0 bilhões em baixas contábeis — chamadas de impairment no jargão financeiro. Isso ocorre quando a empresa reconhece oficialmente que alguns de seus ativos, como fábricas ou equipamentos, valem menos do que estavam registrados nos livros contábeis. Apesar do valor expressivo, esse tipo de ajuste não representa saída de dinheiro do caixa.
O segundo fator foi mais concreto e preocupante para o setor: a entrada recorde de aço importado no Brasil.
“O mercado brasileiro seguiu afetado pela entrada de importações desleais em 2025, cujo volume bateu o recorde de 6 milhões de toneladas de produtos acabados, prejudicando a rentabilidade das operações no mercado doméstico”, afirma Gustavo Werneck, CEO da Gerdau.
As chamadas importações desleais são aquelas praticadas com preços artificialmente baixos — muitas vezes subsidiados pelos governos dos países de origem — o que torna impossível para as siderúrgicas brasileiras competir em igualdade de condições.
O que salvou o ano: mercado americano e diversificação
Enquanto o Brasil pressionava, as operações nos Estados Unidos sustentaram o desempenho geral da companhia.
“Ao longo de 2025, a Gerdau se beneficiou de seu modelo de negócio, baseado na diversificação geográfica e flexibilidade produtiva. Destaco a resiliência do mercado norte-americano, com um bom nível de consumo de aço, assim como o desempenho operacional de nossas operações na região. Mesmo no quarto trimestre, quando há uma sazonalidade típica de fim de ano, obtivemos resultados sólidos”, afirma Werneck.
A diversificação geográfica — ter operações em vários países — funciona como um amortecedor: quando um mercado vai mal, outro pode compensar.
Resultado do quarto trimestre
No último trimestre de 2025, entre outubro e dezembro, a Gerdau registrou:
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Receita líquida | R$ 17,0 bilhões |
| Ebitda ajustado | R$ 2,4 bilhões |
| Margem Ebitda | 14,0% |
| Lucro líquido ajustado | R$ 670 milhões |
| Vendas de aço | 2,9 milhões de toneladas |
Investimentos em 2025 e planos para 2026
Ao longo de 2025, a Gerdau investiu R$ 6,1 bilhões em Capex — termo usado para designar investimentos em infraestrutura, equipamentos e expansão da capacidade produtiva. Do total, 41% foram destinados à manutenção das operações existentes e 59% a projetos de expansão e atualização tecnológica.
Para 2026, o plano de investimentos cai para R$ 4,7 bilhões.
Nova mina em Minas Gerais deve gerar R$ 1,1 bilhão por ano a partir de 2027
O principal projeto em andamento é a plataforma de mineração sustentável na mina de Miguel Burnier, em Ouro Preto (MG), que está prestes a entrar em operação. Esse novo empreendimento faz a cidade se consolidar como polo estratégico da mineração.
“Seguimos evoluindo com o investimento na plataforma de mineração sustentável na mina de Miguel Burnier, em Ouro Preto (MG), que gerará um ganho potencial anual de Ebitda de R$ 1,1 bilhão a partir de 2027”, afirma Rafael Japur, CFO da Gerdau.
Japur também destacou o encerramento do programa de recompra de ações em dezembro de 2025 e a abertura de um novo programa em 2026. A recompra de ações é uma prática em que a própria empresa compra de volta suas ações no mercado — o que geralmente sinaliza confiança na companhia e tende a beneficiar os acionistas que permanecem investidos.
“Além disso, destaco a conclusão do programa de recompra de ações em dezembro de 2025 e a abertura de um novo programa em 2026, com o objetivo de maximizar o valor para os acionistas e otimizar a nossa estrutura de capital.”
Perguntas frequentes sobre os resultados da Gerdau em 2025
Quanto a Gerdau lucrou em 2025?
O lucro líquido ajustado da Gerdau em 2025 foi de R$ 3,4 bilhões. O valor já desconta efeitos não recorrentes, como as baixas contábeis (impairment) de R$ 2,0 bilhões registradas nas unidades do Brasil.
O que é Ebitda e qual foi o da Gerdau em 2025?
Ebitda é o lucro da empresa antes de descontar juros, impostos, depreciações e amortizações. É o indicador mais usado para medir a eficiência operacional de uma companhia. Em 2025, o Ebitda ajustado da Gerdau foi de R$ 10,1 bilhões, com margem de 14,4%.
Por que o resultado da Gerdau foi afetado em 2025?
Dois fatores pesaram: as baixas contábeis (impairment) de R$ 2,0 bilhões, que não representaram saída de caixa, e o recorde de importações desleais de aço no Brasil — 6 milhões de toneladas de produtos acabados —, que pressionaram a rentabilidade das operações domésticas.
O que são importações desleais de aço?
São importações de aço praticadas com preços artificialmente baixos, muitas vezes subsidiados pelos governos dos países de origem. Isso dificulta a competição das siderúrgicas brasileiras no mercado doméstico.
Quanto a Gerdau investiu em 2025 e o que está previsto para 2026?
Em 2025, a Gerdau investiu R$ 6,1 bilhões — 41% em manutenção e 59% em expansão e atualização tecnológica. Para 2026, o plano de investimentos é de R$ 4,7 bilhões.
O que é a mina de Miguel Burnier e qual a importância para a Gerdau?
É uma plataforma de mineração sustentável localizada em Ouro Preto (MG), que está prestes a entrar em operação. A expectativa é que gere um ganho potencial anual de Ebitda de R$ 1,1 bilhão a partir de 2027.
O que é recompra de ações?
É quando a própria empresa compra de volta suas ações negociadas na bolsa de valores. Essa prática geralmente sinaliza que a empresa acredita que suas ações estão subvalorizadas e tende a beneficiar os acionistas que permanecem investidos. A Gerdau concluiu um programa de recompra em dezembro de 2025 e abriu um novo em 2026.







