Presidente Jair Bolsonaro, fala à imprensa ao sair do Palácio da Alvorada - Crédito da foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

Jair Bolsonaro comentou sobre um almoço marcado com a viúva de Ustra, Maria Joseíta Silva Brilhante, em entrevista para jornalistas na saída da residência oficial do Palácio do Alvorada na última quinta-feira (8) e aproveitou para elogiar o torturador Brilhante Ustra. “Tem um coração enorme. Eu sou apaixonado por ela. Não tive muito contato, mas tive alguns contatos com o marido dela enquanto estava vivo. Um herói nacional que evitou que o Brasil caísse naquilo que a esquerda hoje em dia quer”, disse o presidente.

O coronel Brilhante Ustra foi chefe do DOI-Codi e torturador durante a ditadura militar. Ustra morreu em 2015, com 83 anos. Ele comandou o órgão de repressão política do governo militar por muitos anos e foi o primeiro militar brasileiro a responder por um processo de tortura durante a ditadura. Em outubro de 2008, ele foi acusado como responsável por crimes de tortura. Em 2012, ele teve que pagar indenização à esposa e à irmã do jornalista Luiz Eduardo da Rocha Merlino, morto em julho de 1971, por danos morais. Ele negou ter cometido qualquer ato de violência.

No período em que Ustra foi chefe do DOI-Codi, entre setembro de 70 e janeiro de 74, foram registradas pelo menos 45 mortes e desaparecimentos forçados, segundo relatório elaborado pela Comissão Nacional da Verdade. A comissão foi responsável por apurar casos de tortura e sumiço de presos políticos durantes governos militares. Além de Ustra, mais 376 pessoas foram apontadas pelo relatório final da Comissão da Verdade como responsáveis diretos ou indiretos por tortura e assassinatos durante o regime militar.

Bolsonaro, não é a primeira vez!

Vez ou outra, o presidente Jair Bolsonaro faz alegações positivas sobre o coronel. Uma das mais marcantes, foi em abril de 2016, durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rouseff (PT), em que ele justificou seu voto favorável ao impeachment com as seguintes palavras: “Pela família e inocência das crianças que o PT nunca respeitou, contra o comunismo, o Foro de São Paulo e em memória do coronel Brilhante Ustra, o meu voto é sim”.

Por essa alegação, Bolsonaro, que era deputado federal na época, chegou a responder um processo no Conselho de Ética da Câmara. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), comandada por Felipe Santa Cruz na época (atual presidente nacional), protocolou um requerimento pedindo a cassação do mandato de Bolsonaro por quebra de decoro parlamentar e apologia à tortura. Porém, nada aconteceu. O caso foi arquivado pelo Conselho em novembro de 2016.

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