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Ouro Preto: Manifestação em Botafogo reúne moradores em defesa da mineração e desenvolvimento local

Rodolpho Bohrer
Manifestação em Botafogo reúne moradores em defesa da mineração e desenvolvimento local
Foto: Divulgação/AMPT Botafogo

Moradores da comunidade de Botafogo, em Ouro Preto (MG), realizaram no último sábado (12) uma manifestação em apoio à mineração legal e ao desenvolvimento econômico da região. O ato, organizado pela Associação de Moradores, Proprietários e Trabalhadores do Botafogo (AMPT), ocorreu ao lado da Capela de Santo Amaro e reuniu dezenas de pessoas, incluindo moradores antigos, trabalhadores e representantes locais.

O presidente da AMPT, Florêncio Juliano Cotta, liderou o discurso principal, reforçando a posição da associação como legítima representante dos interesses da população local. Em tom firme, ele criticou grupos externos que, segundo ele, tentam influenciar o debate sem conhecer a realidade da região:

“Quem representa o Botafogo somos nós — os moradores, trabalhadores e proprietários que vivem, constroem e cuidam deste lugar todos os dias. Não aceitaremos que terceiros, que nunca pisaram no barro da nossa estrada, falem em nosso nome”, declarou, sob aplausos.

Florêncio destacou que a mineração licenciada na região — em uma área de menos de 30 hectares — tem gerado empregos diretos e indiretos, melhorando a qualidade de vida de famílias locais. 

“Somos nós que conhecemos a realidade da nossa terra. Queremos trabalho, dignidade e um futuro melhor para nossos filhos”, afirmou.

Rebatendo críticas e fake news

A AMPT negou veementemente as acusações de que a mineração destruiu uma caverna na região. Dois moradores antigos, José Roberto Moreira (72 anos) e Joaquim Cesário Cotta (85 anos), presentes no ato, testemunharam que a formação geológica em questão era apenas uma pequena reentrância rochosa, sem valor espeleológico.

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“Era um espaço tão pequeno que mal dava para se abrigar da chuva. Nunca foi uma caverna como estão dizendo”, afirmou José Roberto, ex-trabalhador da mineração local.

A associação também rebateu alegações de que a atividade se expandirá para a Serra do Botafogo, ameaçando o patrimônio histórico e ambiental. 

“A área licenciada tem limites claros e não há minério na serra. Quem espalha essas mentiras está agindo por interesses políticos”, disse Florêncio.

Tensão entre desenvolvimento e meio ambiente

O evento ocorre em meio a um embate judicial sobre a suspensão das atividades da Patrimônio Mineração LTDA, acusada de destruir uma gruta na região. A Justiça de Minas Gerais manteve a paralisação, citando “graves irregularidades ambientais”. Enquanto isso, a AMPT argumenta que a comunidade não foi ouvida adequadamente e que a decisão prejudica famílias que dependem dos empregos gerados pela mineradora.

A associação condenou atos violentos ocorridos em protestos anteriores contra a mineração, como a agressão a um guarda municipal. 

“Nossa luta é pacífica, baseada no diálogo e no respeito. Queremos progresso, mas com responsabilidade ambiental e social”, afirmou Florêncio.

Próximos passos

Presidente da associação de moradores entrega manifestação ao presidente da Câmara de Ouro Preto, Vantuir - Foto: Divulgação
Presidente da associação de moradores entrega manifestação ao presidente da Câmara de Ouro Preto, Vantuir – Foto: Divulgação

A AMPT enviou à Câmara Municipal de Ouro Preto um documento formal (anexo) reafirmando seu posicionamento e pedindo que as decisões sobre a região considerem a voz dos moradores. Enquanto isso, o futuro da mineração em Botafogo segue indefinido, com a Justiça, o Ministério Público e órgãos ambientais analisando o caso.

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Diretor geral, graduando de jornalismo e redator de cidades e política.