Marta Porto lança livro “Imaginação”, neste sábado, em BH

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Marta porto, pensadora ativista e crítica cultural, lança o livro “Imaginação – Reinventando a Cultura” (Pólen Livros), no dia 24 de agosto, no FLIR – Festival de Literatura de Rua em Belo Horizonte, às 19h. Nos artigos reunidos no livro, ela questiona o conceito atual de economia criativa, que vem pautando secretarias e mecanismos de fomento, como régua da política cultural como um todo, lembrando o valor da cultura em si e a fruição estética como resultado de processos de longo prazo, formadores de público e artistas. Marta coordenou o escritório da Unesco no Brasil e foi Secretária de cidadania e diversidade do Ministério da Cultura.

Para a crítica Marta Porto, autora de “Imaginação – Reinventando a cultura”, é importante pensar processos e não apenas projetos quando se discute política cultural. Nesta coletânea, ela analisa as políticas de incentivo à cultura dos governos recentes e propõe novas formas de pensar arte e cultura aliando pensamento crítico e experiência estética.

“As artes, os processos criativos têm valor em si? Há lugar para o pensamento crítico e a experiência estética para além do domínio do mercado?”

Essas indagações, presentes em um dos 14 ensaios deste livro, dão o tom das reflexões de Marta Porto – mulher atuante há quase 30 anos na discussão da arte e da cultura, e de suas políticas, no Brasil.

Em sua carreira de crítica e curadora, com participação ativa na formulação de políticas, inclusive como secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Marta Porto se sobressai por dialogar com a arte em suas mais diversas expressões – de grupos de teatro em comunidades do Rio de Janeiro, como o Nós do Morro, à formulação de políticas governamentais, passando por curadoria de exposições e apresentações críticas em museus e espaços culturais de todo o mundo.

Marta Porto lança livro "Imaginação", neste sábado, em BH

Autora Marta Porto – Crédito da foto: Divulgação

O debate

Nos artigos reunidos no livro, ela questiona o conceito atual de economia criativa, que vem pautando secretarias e mecanismos de fomento, como régua da política cultural como um todo, lembrando o valor da cultura em si e a fruição estética como resultado de processos de longo prazo, formadores de público e artistas.

O debate não é novo, afirma a autora, reforçando a noção de que também não se deve assumir uma posição dicotômica – arte versus mercado. “Mas sustentar todo o apoio as artes a ideia de espetáculo, turismo e economia criativa não parece atender a precariedade da formação artística, do acesso às artes e à diversidade cultural brasileira”, completa.

Com apresentação do dramaturgo, roteirista e diretor Aimar Labaki, o livro é dividido em três atos. O primeiro traz reflexões sobre artes e artistas, inspirações para começar a discussão. No segundo ato, política, cultura e imaginário social. E, no terceiro, a ação se coloca no discurso.

Apresentação

No texto de apresentação, Lizandra Magon de Almeida, diretora editorial da Pólen Livros – que se dedica à publicação principalmente de autoras e de obras voltadas ao universo da mulher, e recentemente assumiu a publicação da coleção Feminismos Plurais, coordenada por Djamila Ribeiro – também aborda a importância dessa discussão no momento atual de desmonte das políticas de Estado e do desprezo do governo atual pelo fazer artístico:

“Em um momento em que a polaridade e o radicalismo de direita nublam a visão e colocam em choque visões de mundo, e também indivíduos muitas vezes movidos pelos mesmos valores, Marta Porto apresentou à Pólen Livros esta coletânea de reflexões sobre o lugar da cultura na democracia – e os valores intrínsecos à cultura na sociedade brasileira atual. E abraçamos essa discussão de imediato, porque afinal é disso que se trata também a existência desta editora. Que surgiu justamente no momento em que o cenário político começou a aprofundar seu recrudescimento no sentido do radicalismos, com uma pseudo nova política – de matriz absolutamente liberal, no sentido mais retrógrado e questionável do termo – que questiona justamente os valores de liberdade, igualdade e democracia com os quais recém-começávamos a flertar.”

Confira a apresentação de Aimar Labaki:

“Marta Porto não ocupa espaços – ela os cria. Cargos, jobs, projetos são tijolos na construção de um palácio com vocação para salão de festas. Ela localiza e amplia vácuos organizacionais e simbólicos e os ocupa com estufas para ideais, sonhos e, principalmente, muito trabalho concreto. No currículo se pode ler: jornalista, curadora, conferencista, ensaísta, consultora e coordenadora em empresas, governos e organismos internacionais. Entretanto, o mais importante segue invisível. Sua interlocução constante com as melhores mentes voltadas para causas essenciais – a Cultura da Paz, a criação artística como elemento da Educação permanente, o espaço da imaginação e da experimentação na construção da cidadania. Marta Porto é um ponto de referência, difusão e construção de um pensamento comprometido com o crescimento sustentável do patrimônio simbólico de um país – e de um mundo onde o capital voa e o trabalho míngua. Ela não dá asas, mostra a pista. E não nos deixa esquecer que dançar, criar, voar é com os pássaros.”

Ficha Técnica Imaginação:

Reinventando a Cultura

ISBN: 978-85-98349-79-4

Autora: Marta Porto

Páginas: 128 Formato: 20,5 x 13,5 cm

Valor: R$ 36,90

Marta Porto lança livro "Imaginação", neste sábado, em BH

Capa do livro “Imaginação – Reinventando a cultura” – Crédito da imagem: Divulgação

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Postado em 23 de agosto de 2019