Falta de apresentações virtuais a nível municipal expõe dificuldades de artistas em Ouro Preto

As atividades artísticas são parte fundamental do setor turístico de Ouro Preto, porém, ao longo dos mandatos, é cada vez mais difícil que os artistas locais consigam viver de sua arte, já que todos os anos a dificuldade para receber cachês referentes a apresentações é motivo de transtorno para o trabalhador, que se encontra a cada dia mais desmotivado a desenvolver seu trabalho na região.
Neste ano, um fato agrava a situação do artista local, além dos atrasos por meses consecutivos, como o cachê do carnaval por exemplo, que ainda não foi pago a muitos músicos, o trabalhador da cultura precisa lidar com o fato de não poder trabalhar e consequentemente fica sem renda para cumprirem seus compromissos.
A reportagem do portal Mais Minas conversou com Julliano Mendes, produtor de teatro, vídeo, música e vocalista da banda que atua em Ouro Preto há quase 20 anos, a Galanga. O artista falou sobre a situação da cena na cidade.

” Há anos a gente vem experimentando esse descaso das prefeituras de Ouro Preto, são várias gestões que não se empenham devidamente no pagamento dos artistas locais. De fato essa é uma questão com o artista local, porque os artistas que chegam na cidade, ou artistas de renome nacional são pagos antes, há todo um processo pronto pra isso. E pro artista local, uma série de dificuldades, diversos projetos atrasam por dificuldade de documento, por erro na construção do processo.”

Julliano apresentou alguns exemplos do que segundo ele vem acontecendo ao longo dos anos.

“Temos exemplos de projetos que viraram processos administrativos dentro da prefeitura, tem um que foi na Semana da Barra, que virou processo administrativo, depois parou, desapareceu. Tem um outro projeto que foi a Semana de Ouro Preto, que virou um processo administrativo e agora virou processo na Justiça Civil, com ganho de causa já pra produtora, agora falta a prefeitura pagar e também não paga. “

Nos dias atuais, as carreiras artísticas funcionam tal qual um negócio como outro qualquer. A falta de oportunidade, ou falta de verba para investimento, além de sepultar projetos que contribuiriam culturalmente para toda a população, enterram carreiras e sonhos artísticos, colocando o setor em uma situação muito delicada.
O artista passa a sua vida estudando e empreendendo, e isso requer, além de tempo, esforços para entregar conhecimentos que, por muitas vezes, fazem parte de nossas raízes, não permitindo assim que os mesmos se percam ao longo do tempo e gerações. Além de ter o compromisso de mesclar elementos artísticos através dos tempos passado, presente e futuro. Desqualificar a arte é desqualificar, antes de mais nada, o conhecimento.

“Quando a gente recebe um cachê da prefeitura, esse cachê, na maioria dos casos, é investido na própria carreira. E quando você atrasa, você não consegue investir, se atrasa o pagamento, você vai pagar dívidas depois, então isso é muito sério. De novo, agora em 2020, diversos artistas, parceiros, sem receber do carnaval. E quando começa a prefeitura fala que dessa vez está fazendo tudo nos conformes e não faz. Então parece de fato um problema congênito, parece um problema administrativo geral. Isso se repete de maneira criminosa. De novo um atraso, e isso realmente desestimula as carreiras locais. Ouro Preto é uma cidade que tem renome internacional tem pouquíssimos artistas de carreira nacional, pouquíssimos artistas conseguem viabilizar suas carreiras no mercado da música brasileira, isso é muito sério. Isso precisa acabar, pois desestimula e interrompe carreiras”, explica Julliano.

Você pode preferir ouvir essa entrevista em podcast, para isso, basta clicar abaixo:

Durante a pandemia do coronavírus, poucos artistas da cidade vêm se apresentando de maneira online e, além da falta de bares, e contratos, os mesmos não possuem ação alguma proveniente da gestão municipal.
Quanto aos atrasos, fica uma pergunta: teria a falta de pagamento do cachê do carnaval se transformado parte da cultura de Ouro Preto ou o “buraco” é mais embaixo?
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