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Mesmo na Onda Verde, número de passageiros em Mariana ainda é 60% menor que antes da pandemia

O último registro apresentado pela Transcotta é referente a agosto deste ano, em que o número de passageiros chegou a 350 mil.

Rômulo Soares 1 de outubro de 2021 às 17:36
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6 min
Foto: Google Street View
Foto: Google Street View

Os vereadores de Mariana têm dado destaque durante as reuniões ordinárias sobre os pedidos da população para que a empresa Transcotta retorne com as linhas urbanas que existiam na época pré-pandemia, já que a cidade se encontra na Onda Verde, a mais flexível do plano Minas Consciente e quase todas as atividades comerciais do município já estão funcionando.

Com isso, na manhã desta sexta-feira, 1º de outubro, o gerente de relações institucionais da Rota Real, Guilherme Schulz, atendeu a Câmara Municipal para tratar sobre essa demanda popular. Conforme o gerente explicou, mesmo na Onda Verde, o número de passageiros das linhas urbanas de Mariana ainda é 60% menor em comparação ao período pré-pandemia. Entre julho e agosto de 2019, foi a época de maior demanda do transporte coletivo na cidade, com mais de 640 mil passageiros pagantes. Em janeiro de 2020, o número começou a cair e em março, mês de início da pandemia no Brasil, houve a maior queda no número de passageiros, tendo cerca de 100 mil usuários.

O número de passageiros aumentou significativamente em outubro do ano passado, em que teve 240 mil usuários, mas, com a Onda Roxa, a demanda voltou a cair. O último registro apresentado pela Transcotta é referente a agosto deste ano, em que o número de passageiros chegou a 350 mil.

Veja o gráfico:

Mesmo na Onda Verde, número de passageiros ainda é 60% menor que antes da pandemia em Mariana
Foto: Turin/Transcotta

Ainda comparando a quantidade de oferta e demanda entre o período antes da pandemia e o atual, a diferença de passageiros pagos entre agosto de 2019 e de 2021 é de 84.822 (47%). Já nas linhas distritais, a diferença considerando o mesmo período é de 17.884 (44%).

Mesmo na Onda Verde, número de passageiros ainda é 60% menor que antes da pandemia em Mariana
Foto: Turin/Transcotta

De acordo com Guilherme, existe uma situação crítica para a empresa conseguir manter o transporte coletivo funcionando. Conforme ele apresentou, a média de receita atual da Transcotta em Mariana é de R$ 394.490, tendo 119.855 passageiros em média por mês. Enquanto isso, o custo mensal para manter tal serviço é de R$ 625.583,78. Veja os dados completos:

Mesmo na Onda Verde, número de passageiros ainda é 60% menor que antes da pandemia em Mariana
Foto: Turin/Transcotta

“Mesmo com a Onda Verde e com o comércio todo aberto, é uma realidade que não reflete no número reais de passageiros. Então, a oferta de atendimento tem que seguir exatamente essa demanda que vem se apresentando com o tempo, não há condições da gente gerar uma oferta, pelo menos sendo sustentado com a tarifa dos usuários pagantes. É impossível retornar uma oferta de atendimento que existia em 2019 com a demanda de usuários pagantes que temos hoje e, na verdade, a situação de elevação de todos os custos operacionais dos últimos meses, desde o início da pandemia, principalmente do óleo diesel, até mesmo se retornar o número de passageiros pagantes dessa época, o sistema ainda vai continuar desequilibrado”, explicou Guilherme durante a reunião.

Por outro lado, Aline Moreira, moradora do distrito Passagem de Mariana, reclama que a quantidade de linhas que há atualmente não atende a comunidade. Atualmente, há 11 horários de transporte coletivo disponíveis para o distrito, antes da pandemia eram 26.

“A gente entende, mas vai ser difícil conseguir retomar, se não colocar os horários que a comunidade tem necessidade, porque as pessoas estão tendo que se virar de outra forma, porque não tem horário do ônibus. Então, seria que a Transcotta retomasse com os horários de pico, como tinha, das 6h, 6h40, 7h15, esse horário que as pessoas vão para o trabalho e o dos alunos que retornam das aulas, porque, se não tiver esse horário disponível, como que vai voltar a aumentar o fluxo de usuário se o horário que a comunidade precisa não tem ônibus? O horário que está sendo ofertado não tem usuário para usar, então tem um ônibus às 8h que vai amarrotado, eu sou usuária do ônibus. Teria que ter um maior número de linhas no início da manhã e no horário do almoço”, disse a moradora.

Guilherme retrucou a fala da moradora de Passagem dizendo que se aumentar o número de linhas, haverá um aumento no custo para manter ônibus e motoristas, o que a empresa já não consegue sustentar da forma que está atualmente.

“Vocês têm que agradecer que está tendo transporte na cidade, porque o empresário está tirando do bolso dele para sustentar esse prejuízo”, disse Guilherme Schulz

Para saber os horários de ônibus das linhas urbanas e distritais, em Mariana, clique aqui.

Tarifa Zero

O prefeito interino de Mariana, Juliano Duarte (Cidadania) já disse em seu mandato sobre o interesse de implementar a “tarifa zero” no transporte coletivo da cidade. Segundo Guilherme, desde 2019, o poder público já vem fazendo um levantamento de qual seria o custo do sistema e a Transcotta tem fornecido os dados necessários para o Município, como o valor do custo, prejuízo, número de passageiros e etc.

No entanto, quando se fala em gratuidade no transporte coletivo, é preciso levar em consideração uma série de custos ao mesmo tempo do equilíbrio financeiro para não prejudicar a verba do poder público para outras áreas.

“Quando se fala em tarifa zero, há várias questões que precisam ser observadas. O primeiro ponto é qual o desejo do Município quanto a isso e, a partir disso, se tem o delineamento do que seria o custo do sistema e de que forma precisa medir aquilo para remunerar uma operadora. Quando se fala na operação de um sistema de transporte, o que envolve é: os ônibus que precisam ser colocados em operação, os motoristas que cumprem uma escala delimitada pela legislação trabalhista, oferta de horários diferente para cada demanda por trajeto e o tempo de distância dessa linha. Então é toda uma equação. O custo de combustível, peça, pneu, lubrificante, equipe de manutenção, sistema de monitoramento, equipe administrativa, RH, financeiro, um todo sistema que custa x. Para ofertar uma tarifa zero, o poder público vai pegar esse custo e tem vários caminhos para trabalhar com isso”, explicou Guilherme.