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terça-feira, 31 janeiro 2023

Opinião: Mariana (MG) terá prefeito com 927 votos e desta vez é difícil isentar população dessa anomalia política

Existe um ditado que diz que “errar uma vez é humano, duas é burrice e três vezes é por opção“. Pois bem, parece que parte da população de Mariana (MG) não aprendeu nada com o passado sombrio entre 2008 e 2015, quando a cidade teve a marca inédita de ter, em média, um prefeito diferente por ano. Foram sete trocas em sete anos.

Tudo começou em fevereiro de 2010, quando Roque Camello, sucessor de Celso Cota eleito prefeito e apoiado pelo tradicional político de Mariana, foi condenado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acusado de compra de votos na campanha de 2008, uma campanha rica e marcada pelo uso da máquina pública.

Até as eleições de 2012, foram seis trocas (Roque Camello, Therezinha Ramos, Raimundo Horta, Geraldo Sales, Therezinha Ramos e Roberto Rodrigues). No mesmo período, Celso Cota se tornou inelegível após acusação de promoção pessoal com verbas públicas em governos anteriores, e teve seus direitos políticos suspensos, mas conseguiu liminar para poder concorrer na eleição de 2012, sendo pela terceira vez eleito prefeito de Mariana. Não durou muito!

Pela primeira vez, então, parte da população optou por eleger um político com histórico na Justiça questionável e com condenação. Podemos considerar que esse foi um erro “humano”. Com dois anos de gestão, Celso Cota teve o mandato cassado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) que julgou o caso novamente e manteve a condenação anterior, “caindo” a liminar conquistada pelo político. Duarte Jr., seu vice, assumiu a prefeitura por dois anos e em seguida foi eleito prefeito por mais quatro anos, único período dos últimos 14 anos em que se viu uma normalidade na governança pública do município, conseguindo o irmão Duarte completar os quatro anos de governo.

Seis anos após a condenação do TJMG, Celso Cota colocou novamente o seu nome nas urnas e foi novamente o mais votado no município. Depois de uma anomalia tão grande ocorrida no município, era difícil acreditar que a população iria de novo arriscar e ter o passado sombrio se repetindo, o que incrivelmente acabou acontecendo. 14.764 pessoas tiveram a “burrice” ou a “convicção” de votar novamente em um politico que vive de liminares para ter seu nome na urna. Eu fico pensando se essas pessoas e todo o grupo político envolvido nesse processo gostam mesmo de Mariana ou só pensam no “próprio umbigo”, arriscando colocar a cidade novamente em uma situação experimentada num passado sombrio não muito distante, muitos em troca de cargos e influência na máquina pública.

Quem votou em Celso Cota imaginou que o “jeitinho brasileiro” resolveria o problema de inelegibilidade do politico cassado, e condenado, ou só votou mesmo para avacalhar o sistema eleitoral do município?

Muitas vezes, parte dessas pessoas são as mesmas que reclamam que o sistema jurídico é falho, frouxo, parcial, principalmente quando a decisão da Justiça vai contra um interesse pessoal. Ou seja, tudo não passa de “demagogia barata”.

Se a pessoa estava insatisfeita com o governo que até então estava no poder, haviam outras opções do que alguém juridicamente contestável. Por isso eu prefiro pular a parte em que “errar duas vezes é burrice” e considerar que o passado sombrio voltando a Mariana foi por opção.

Assume a prefeitura, em janeiro, o Leitão, um vereador que em 2020 obteve 927 votos, sendo esse o terceiro prefeito em menos de 3 anos. Os outros dois foram o vereador Juliano Duarte e Ronaldo Bento. É claro, sem culpa nenhuma disso, eles estão apenas seguindo o protocolo instaurado em municípios em que políticos condenados são eleitos, assumindo o cargo de prefeito por serem os presidentes eleitos pelo Legislativo.

* Esse texto é um artigo de opinião do colunista e pode não representar a posição do portal Mais Minas sobre o assunto.

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