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quarta-feira, 30 novembro 2022

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João Bruno, Chef Premiado de Ouro Preto-MG, fala sobre sua carreira na gastronomia

Chef foi o segundo colocado no Enchefs 2022 e hoje comanda a "Casa do Bartô"

” Sonhar Grande, ou pequeno dá o mesmo trabalho, então é melhor que sonhemos grande” – Chef João Bruno

Vídeo/ Reprodução Instagram : Créditos à @patbadro @casadobarto

” A gastronomia sempre fez parte da minha vida, mesmo que eu não a enxergasse antes, hoje, olhando para trás, percebo que ela sempre esteve comigo “, essas são as palavras do jovem prodígio de Cachoeira do Campo, Minas Gerais. As dificuldades surgiram, principalmente por vir de uma família cuja qual a formação acadêmica é cultural, então João se espelhava nisso, no seu pai médico e na sua mãe empreendedora, e o pensamento do sucesso refletia na sua mentalidade perante a esses exemplos. Logo, a Gastronomia, na sua concepção, não o induzia a tal efeito, o que expressava um medo de se arriscar nesse ramo, por já ter uma carreira sólida em outra profissão.

Para João Bruno, um aspecto importante a salientar diz respeito à carreira da gastronomia, que, para ele, está na precisão, na cautela e na atenção para o preparo dos pratos, pois de acordo com o Chef, alguns pratos podem demorar até três dias para ficarem prontos; além de existir muitos preconceitos contra à profissão de pessoas que pensam ser algo simples. Achar o propósito não é algo rápido e pronto, mas qualquer processo que seja necessário ao encontro refletirá frutos quando estiver dentro dos seus objetivos, as lutas aparecem, mas a vontade de vencer sempre será maior.

Parte de um Sonho se realizou no Enchefs 2022

“Vale a pena o esforço de se arriscar, conquistar o que realmente amamos. Quando o trabalho é feito com propósito ele vale cada centavo investido, não digo somente de dinheiro, mas de tempo, de energia e de emoção. Assim, tudo se torna mais lindo e abençoado, vá atrás de seus sonhos! “.

Isso o fez conquistar a segunda colocação no Enchefs 2022.

A participação do concurso foi uma surpresa para João Bruno, pois, por ser novo no ofício, era algo que ele não esperava, muito menos garantir o segundo lugar no pódio. A convite de sua amiga, que também é Chef e atua na Serra da Canastra, em Minas Gerais, aceitou o desafio. De início, ficou muito receoso por estar participando de um evento com vários Chefs competentes, mas como todo bom sonhador, foi enfrente, o que foi uma honra e mérito muito grande segundo o Chef Bartô. O concurso ENCHEFS tem como foco a gastronomia regional, ou seja, demonstrar a culinária de modo artístico e cultural, por meio de pratos que contextualizam histórias e sabores de Minas Gerais.

O prato feito por ele consta em uma obra de arte que remete ao Ciclo do Ouro, em Minas Gerais, utilizando ingredientes regionais, que também são identidades da sua cozinha. A ideia surgiu pelo Chef já gostar de agregar especiarias regionais nos seus pratos, que fez ele substituir, como alvo principal, o arroz arbóreo do risoto pela canjiquinha dourada, comum nos seus arredores, um toque do Chefe que se faz relembrar o ouro dos tempos da antiga Vila Rica e das terras mineiras. Cada parte do prato é intuitiva de um significado, servido em uma lajota, que relembra a estrutura Barroca, o torresmo enrolado se transforma nas serras de Minas Gerias e o o ora-pro-nóbis remete às matas mineiras que os tropeiros desbravaram nos tempos antigos, já o queijo canastra e a cachaça em que a canjiquinha sofre a deglaçagem, simbolizam os diamantes e as pratas da região. Um prato cheio de sabor e história que se finaliza na redução da mexerica, garantido uma bela apresentação e uma bela viagem no tempo pela explosão de sensações.

O Chef ” Bartô ” conta um pouco da sua história até a Gastronomia

Morador de Cachoeira do Campo, distrito de Ouro Preto, em Minas Gerais, João Bruno esteve presente no interior até os seus 17 anos, quando saiu da região para fazer o seu primeiro intercâmbio, na Dinamarca, ao final do Ensino Médio, no CEFET. Vivendo hoje o sonho que está a cada dia mais realizado, o Chef tem uma vasta história antes de chegar ao processo da Gastronomia e vivê-la intensamente. Formado em Relações Internacionais, durante o seu período acadêmico, foi para Nova York, no seu segundo intercâmbio, onde passou por vários momentos para se manter no país. Trabalhou em uma cafeteria, um restaurante mexicano e fez um curso de bartender lá, a gastronomia começou a se revelar no seu interior a partir desse momento.

Após voltar ao Brasil, surgiu uma nova oportunidade de intercâmbio para residir na cidade de Coimbra, em Portugal, e nesse meio tempo, foi para Barcelona, onde morou por 2 meses, cidade na qual trabalhou nos bares e restaurantes também. O chef João Bruno ganhou muitas experiências de culinárias durante esse tempo, além de receber grandes oportunidades de conhecer diversos países. Tudo parecia se encaminhar para uma vida lá fora, mas o destino preparou algo que queimava dentro do seu coração e, sem ele saber, uma casa gastronômica no interior Minas Gerais o esperava. Algo totalmente contraposto ao que ele vivenciava, pois ao voltar ao Brasil, trabalhou no mercado financeiro, no Governo de Minas e voltou a Portugal para fazer o mestrado após a sua graduação no curso de Relações Internacionais e, ao voltar, outra vez, ficou por 5 anos na empresa MetLife, a maior seguradora de vidas do mundo. O que se esperava diante de seus olhos, era uma vida mediante a esse universo financeiro e afins.

A coisa começou a fazer sentido ao descobrir que a sua avó foi uma dona de padaria. Diante disso, a reflexão de que também presenciou três dos dos melhores restaurantes do mundo, na Dinamarca, e conheceu bastante sobre vinhos, tornaram-se gatilhos essenciais. Nesse contexto, já trabalhando na MetLife, João iniciou um curso de gastronomia de maneira paralela, o que fez ele preparar jantares para amigos no seu apartamento. Segundo o chef, “Eu sempre fui aluno diferente, que perguntava tudo”. Assim, de jantares preparados em casa, “um restaurante secreto”, conseguiu um estágio no restaurante renomado de Belo Horizonte, chamado Alma Chef, que era liderado por Felipe Rameh, o único chefe em Minas Gerais que tem uma estrela Michelin. Além disso, também recebeu a proposta de um estágio na França, em um restaurante 3 estrelas Michelin, o que o fez pensar: “essa é a oportunidade minha vida”. Então, fez o planejamento financeiro para ir à Europa, contudo, veio a pandemia da Covid-19 e estragou todos os seus planos “O seu mundo caiu”, mas isso não o fez desistir.

Com tudo isso, voltou a trabalhar para o mercado financeiro, trancado no seu apartamento, no modelo home office. Dentro de seus pensamentos, se lembrou de Santo Hilário, próximo a Capitólio, em Minas Gerais, onde não visitava uma casa rústica de campo da sua família há 15 anos. Dessa forma, com o intuito de se refugiar da pandemia, elaborou uma forma de trabalhar lá e trazer amigos que quisessem se isolar durante o período pandêmico. Ideias daqui, e dali, frente à tristeza que enfrentava, não só pelos mortos do Covid-19 como também pelo seu medo de encarar a perda da oportunidade de ir à França , começou a se reinventar e, muitas vezes sozinho, elaborou pratos de comidas diferentes servidas a quem fosse lá. O início de um sonho, a Casa do Bartô, se deu ali.

Conheça a Casa do Bartô, no Santo Hilário, em Minas Gerais

Imagem Reprodução Direito João Bruno

Dirigida pelo Chef João Bruno, a deia da cozinha é trazer aos convidados a sensação de uma casa, uma proposta diferente, sem aquela pegada de restaurantes tradicionais. O chef estabelece os horários corretos para degustação dos pratos, sendo todas os hóspedes servidos ao mesmo tempo. Por Santo Hilário ser um vilarejo que possui muitas características naturais e simplicidades, João Bruno decidiu colocar o nome Casa do Bartô para homenagear ao seu pai e voltar às origens de como as pessoas conheciam o local, “a casa do Bartolomeu” . O projeto foi inaugurado no dia primeiro de Outubro, no mesmo dia em que seu pai comemora os anos de vida e completa 2 anos em 2022.

Reprodução Casa do Bartô: Direito João Bruno

A proposta da Casa do Bartô já funciona há 2 anos e estabelece um contato especial entre a natureza e a Gastronomia. Santo Hilário oferece uma linda energia que parece ser algo mágico. A casa funciona assim: na sexta-feira tem um jantar e uma taça de espumante para as boas-vindas aos hóspedes; no Sábado, um café da manhã e um jantar com pratos em 4 tempos, com cover, entrada, prato principal e sobremesa; já no domingo, um brunch, que é um café da manhã mais reforçado saindo um pouco mais tarde, de modo intermediário entre o horário de almoço e do café. Tudo que sai da cozinha é preparado de maneira artesanal, ou seja, os pães, os pratos, as massas, são todos preparados manualmente pelo chef e a sua equipe, a partir de uma culinária que visa a estética, comidas típicas e refinadas. Vale a pena visitar esse excepcional lugar, que projeta uma vista maravilhosa do mar de Minas Gerais e afins, quem vai, se perde no prazer do sabor e da paisagem.

Para conhecer mais sobre o chef e sua casa gastronômica, acesse no Instagram:

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