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Ouro Preto: moradores começam o ano sem abastecimento e usam água da chuva para necessidades básicas

O problema permeia outros distritos e também a sede.
Rômulo Soares 5 de janeiro de 2022 às 19:26
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6 min
Foto: Biblioteca de Imagens do Canva
Foto: Biblioteca de Imagens do Canva

Mal começou o ano e problemas envolvendo o abastecimento de água voltam a ser destaque em Ouro Preto. Moradores do distrito de Cachoeira do Campo manifestaram suas indignações nas redes sociais com a falta do recurso hídrico que perdura por dias.

Em um post no Facebook, Júnior Ribeiro, morador de Cachoeira do Campo, disse que a falta de água foi recorrente durante os dois anos anteriores e questiona o tamanho interesse da Saneouro, empresa responsável pelo abastecimento, em instalar hidrômetros em Ouro Preto, enquanto não melhora o serviço que é prestado.


“O problema não é ter que pagar, algo que é inevitável, por uma água escassa e suja, que vive entupindo as boias da caixa d’água e deixa o corpo todo coçando após um banho. Famílias com idosos, crianças, pais e mães chefes de família que precisam tomar um banho quando saem para trabalhar ou chegam do serviço cansados, se deparam com esse péssimo serviço prestado, impossível não ficar revoltado, pois é um situação recorrente”, disse.

Em contato com o Mais Minas, Júnior contou que outros moradores de seu bairro, Vila do Cruzeiro, em Cachoeira do Campo, também estão sem água desde o dia 29 de dezembro. “De ontem pra hoje caiu um pouco de água, mas não encheu nem meia caixa. Esse problema tem afetado vários outros bairros e distritos”, disse o morador.

Na publicação feita por Júnior, outros moradores de Cachoeira do Campo também reclamaram de falta de água há três dias.

Ouro Preto: moradores começam o ano sem abastecimento e usam água da chuva para necessidades básicas

A falta de água não assola apenas os moradores de Cachoeira do Campo. Thatiele Lorene, moradora do bairro Gouveia, no distrito de Santo Antônio do Leite, disse que ficou uma semana sem água, mas que no início da manhã de quarta-feira, 5 de janeiro, às 8 horas, começou a cair água em sua caixa.

“Tem algumas casas acima da minha que não está caindo nenhuma gota. Me virei pegando água da chuva para lavar vasilhas, jogar no banheiro e para tomar banho. Para beber, eu trazia do serviço”, relata a moradora ao MM. Thatiele disse, ainda, que tentou entrar em contato com a Saneouro pelo telefone e WhatsApp, mas não foi atendida.

Na sede, uma moradora do bairro São Francisco, Elizete Cecilio, também passa pelo mesmo problema. Ela conta que a água chegou na terça, 4 de janeiro, porém, muito suja. Elizete tem uma filha cadeirante e conta que não foi fácil passar por esses dias sem água.

“Hoje (a água) já decantou e está mais limpa, a caixa que está suja no fundo. Mas fiquei desde dia 30 de dezembro pegando água da chuva e esquentando pra tomar banho”, conta Elizete ao MM.

Ouro Preto: moradores começam o ano sem abastecimento e usam água da chuva para necessidades básicas
Imagem da caixa d’água de Elizete Cecilio | Foto: Arquivo pessoal / Elizete Cecilio

“Eu tirei uma foto por cima da caixa d’água só para ter ideia de como está o fundo da caixa. A água está caindo bastante agora, mas está suja. Eles falam para mantermos a caixa limpa, mas como que mantém se quando a água chega ela está suja? Não tem jeito. Estamos pagando a conta por uma água suja, a Saneouro caiu no meu conceito. Vão cobrar os dias que ficamos sem água também?”, complementa Elizete Cecilio.

Atualmente, a Saneouro pode cobrar apenas a tarifa básica operacional, no valor de R$ 22, mas ao completar 90% da hidrometração, a conta de água será referente ao valor consumido.

No domingo, 2 de janeiro, a concessionária informou que fazia uma manutenção emergencial em uma adutora do sistema Funil. “Ao sondar as redes por reclamações de falta d’água a equipe se deparou com um vazamento. Somado a isto, as intensas chuvas nos últimos dias, comprometeu o fornecimento de água para o distrito de Cachoeira do Campo e região”, diz o comunicado.

Segundo a Saneouro, o sistema de abastecimento de água da ETA Funil teve que ser paralisado por algumas vezes devido a uma mudança significativa dos indicadores de cor e de turbidez da água, dificultando o tratamento para a distribuição. Os locais afetados foram: Cachoeira do Campo, Glaura, Santo Antônio do Leite, Amarantina, Chapada de Santo Antônio do Leite, Maracujá, Coelhos, Bandeirinhas, Gouveia e Catete.

Na segunda-feira, 3 de janeiro, outro comunicado foi feito pela Saneouro, informando que, em função das paradas do sistema de abastecimento da ETA Funil nos último dias, atribuídas às constantes chuvas e agravado aos reparos de vazamento em adutora e rede de água, o fornecimento de água para Cachoeira do Campo e região ainda não foi regularizado para todos os imóveis.

Com um novo reparo emergencial na segunda-feira, a ETA Funil foi paralisada novamente para limpeza da captação, que foi atingida por sedimentos que causaram o assoreamento. De acordo com a Saneouro, a equipe já finalizou os trabalhos e o abastecimento está sendo regularizado gradativamente. Os locais afetados foram: Cachoeira do Campo, Glaura, Santo Antônio do Leite, Amarantina, Chapada de Santo Antônio do Leite, Maracujá, Coelhos, Bandeirinhas, Gouveia e Catete

Em contato com o Mais Minas, a Saneouro confirmou que o período prolongado de intensas chuvas afetou consideravelmente o abastecimento para Cachoeira do Campo e região. Segundo a concessionária, a quantidade excessiva de sedimentos carreados pelo rio Funil causou o assoreamento da captação, além do aumento elevado da turbidez, resultando na paralisação do sistema por diversas vezes.

Portanto, o abastecimento de água foi interrompido para que fosse feito o desassoreamento da captação e para que a turbidez voltasse aos níveis possíveis de tratamento. A Saneouro garante que o abastecimento é regularizado de forma gradativa e pode levar até 48h para normalizar.

Além disso, a Saneouro ressaltou que contratou uma empresa especializada para fazer um estudo e descobrir a origem dos sedimentos que são carreados para a captação. A previsão é de que o relatório seja entregue em fevereiro. Paralelo a isso, a concessionária destaca que melhorias para regularizar o fornecimento de água para esta região estão em andamento. São elas:

  • Revitalização da ETA Funil – Adequação das instalações às normas técnicas de segurança, melhorias operacionais nos sistemas de dosagens, além da recuperação estrutural e proteção do reservatório de água tratada. Em setembro foram instalados novos painéis elétricos na captação de água bruta da ETA. Locais beneficiados: Cachoeira do Campo, Glaura, Santo Antônio do Leite, Amarantina, Chapada de Santo Antônio do Leite, Maracujá, Coelhos, Bandeirinhas, Gouveia e Catete.
  • Implantação de Redes de água e booster, na localidade do Catete e regularização do fornecimento de água para os moradores desta região que antes eram abastecidos por caminhão pipa. O booster é um sistema de bombeamento de água que fornece pressão regular e melhora a distribuição de água, principalmente em regiões mais altas ou distantes de grandes adutoras.

ATENÇÃO: Ao copiar uma matéria do Mais Minas, ou parte dela, não se esqueça de incluir o link para a notícia original.

Última atualização em 5 de janeiro de 2022 às 19:36