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Saneouro aciona polícia para conseguir hidrometrar o bairro Vila Aparecida, em Ouro Preto

Foram feitos dois boletins de ocorrência junto à polícia, um de autoria da Saneouro e outro dos moradores. O B.O dos populares diz que a empresa teria coagido os populares com um documento que não é o de decisão da Justiça.

Rômulo Soares 20 de setembro de 2021 às 15:44
Tempo de leitura
4 min
Foto: Comitê Sanitário de Defesa Social de Ouro Preto, Mariana e região
Foto: Comitê Sanitário de Defesa Social de Ouro Preto, Mariana e região

Mais problemas envolvendo a hidrometração em Ouro Preto voltam a aparecer na manhã desta segunda-feira, 20 de setembro, no bairro Vila Aparecida. A Saneouro, responsável pelo serviço de abastecimento de água e tratamento de esgoto na cidade, foi até a comunidade para instalar os hidrômetros, porém novamente foi impedida pelos populares.

Os moradores do bairro Vila Aparecida já haviam impedido a hidrometração no dia 3 de julho. Mas, dessa vez, a Saneouro tomou medidas mais drásticas, chamando a Polícia Militar (PMMG) para conseguir “abrir o caminho” e conseguir instalar os hidrômetros das casas da comunidade.

De acordo com o vereador Wanderley Kuruzu (PT), a Saneouro chamou a polícia com a justificativa de que possuir uma ordem do Ministério Público para hidrometrar a cidade. O membro do poder Legislativo de Ouro Preto disse que o primeiro policial que chegou ao local “lamentavelmente, colocou-se claramente na defesa da Saneouro”, mas que, posteriormente, com a chegada do Comandante, “o entendimento da PM mudou”.

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Reprodução / Instagram Wanderley Kuruzu

O tumulto aconteceu por volta das 11 horas, quando moradores impediram os funcionários da Saneouro de hidrometrar as casas do bairro. Clarisdey Aquino, morador da Vila Aparecida estava presente no momento em que a empresa tentou instalar os hidrômetros nas casas e posteriormente chamou a polícia.

Segundo ele, a comunidade já havia se reunido anteriormente e definiu que não iria permitir a hidrometração no bairro. Porém, segundo ele, uma representante da Saneouro, Michelle Pereira, alegou ter ordem do Ministério Público para hidrometrar as residências. No entanto, Clarisdey Aquino, alega que o documento apresentado se tratava apenas de uma ata de reunião e não uma decisão da Justiça.

“Nós fizemos uma reunião do bairro e definimos que não iríamos permitir a hidrometração, já havíamos dito isso. Aí eles vieram aqui com o papo que o Ministério Público havia liberado para eles hidrometrar o bairro, pedimos eles para trazerem esse documento. Só que é o seguinte: o Ministério Público não autoriza ninguém a fazer isso, quem autoriza é a juíza. A Michelle (assessora da Saneouro) disse que ela tinha a documentação assinada pela juíza. Ela trouxe o documento e ele não era expedido pelo juiz, ela estava usando uma ata de reunião como argumento que o Ministério Público tinha liberado eles hidrometrar as casas do bairro”, relatou o morador.

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Ainda segundo Clarisdey, foram feitos dois boletins de ocorrência junto à polícia, um de autoria da Saneouro e outro dos moradores. O B.O dos populares diz que a empresa teria coagido os populares com um documento que não é o de decisão da Justiça.

“Eles (Saneouro) estão usando o Ministério Público e a reunião que eles tiveram para coagir as pessoas do bairro, como se fosse a Justiça que estivesse obrigando a hidrometração. Nós fizemos um boletim de ocorrência junto com a Polícia Militar e vou pegar esse B.O depois para anexar no processo que estamos para montar em cima deles por calúnia e opressão”, contou Clarisdey.

Foto: Comitê Sanitário de Defesa Popular de Ouro Preto, Mariana e região

A redação do Mais Minas entrou em contato com a Saneouro, porém não obteve resposta até o momento desta publicação. Já a Polícia Militar disse não ter “nenhum registro acerca do fato”.

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Clarisdey afirmou que ficou acordado entre as partes de instalar hidrômetros apenas para os moradores que autorizassem na manhã de hoje.

CPI

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a chegada da Saneouro através do contrato de concessão já teve 15 reuniões e várias oitivas, inclusive do ex-prefeito de Ouro Preto, Júlio Pimenta. O relator da CPI está confiante na invalidação do contrato por uma série de recomendações, Renato Zoroastro (MDB) do Tribunal de Contas que não foram atendidas na elaboração do contrato.

Já o vereador Júlio Gori (PSC) acredita que a chegada da companhia da cidade pode ter sido um caso pensado de Júlio Pimenta e também crê que a Saneouro sairá de Ouro Preto.

Membros da CPI estarão na Vila Aparecida na noite de hoje, às 19h, para conversar com os moradores. Estão confirmados: Alessandro Sandrinho (Republicanos), Wanderley Kuruzu e Renato Zoroastro.