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Saneouro apresenta “informações ambíguas” sobre hidrometração em Ouro Preto, diz vereador

Em reunião da Câmara Municipal, o superintendente da Saneouro afirmou que a hidrometração atingiu a meta de 90% neste mês e as tarifas começariam a ser cobradas a partir de dezembro.
Rômulo Soares 2 de dezembro de 2021 às 14:10
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4 min
Foto: Reprodução / CMOP
Foto: Reprodução / CMOP

Na 81ª reunião ordinária da Câmara de Ouro Preto, o superintendente da Saneouro, empresa responsável pelos serviços de abastecimento de água e tratamento de esgoto da cidade histórica, Cléber Salvi, compareceu até o Plenário para prestar alguns esclarecimentos, inclusive sobre a hidrometração no município.

Desde o início do ano, Cléber Salvi vem falando que as simulações das tarifas de água começaram a ser cobradas de fato quando 90% da cidade estiver hidrometrada, conforme foi acertado dentro do contrato de concessão assinado entre a Saneouro e a Prefeitura de Ouro Preto em 2019.


Na última quinta-feira, 25 de novembro, na reunião da Câmara Municipal, Cléber Salvi afirmou que a hidrometração atingiu a meta de 90% neste mês e, portanto, as tarifas começariam a ser cobradas a partir de dezembro em Ouro Preto.

No entanto, o vereador Wanderley Kuruzu (PT) fez uma denúncia através das redes sociais mostrando um trecho da participação de Cléber Salvi na reunião em que o superintendente diz que 12 mil hidrômetros foram instalados em Ouro Preto e que o número total de instalações é de 18 mil. Portanto, de acordo com o que foi dito pelo representante da Saneouro, apenas 66,6% da hidrometração foi alcançada, o que impediria a empresa a iniciar a cobrança da tarifa em dezembro.

Veja o trecho:

Em contato com o Mais Minas, a Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento Básico de Minas Gerais (ARISB-MG) disse que os dados mais recentes informados pela Saneouro não condizem com os números apresentados por Wanderley Kuruzu. No entanto, os dados apresentados pelo vereador foram expostos, na realidade, pelo próprio superintendente da concessionária em reunião ordinária da Câmara de Ouro Preto.

“Os dados mais recentes informados pela SANEOURO à ARISB-MG não condizem com os números apresentados pelo ilustre vereador, ou referem-se a objetos distintos. Quando a concessionária ou o poder concedente oficializar a esta agência reguladora que o percentual de 90% de hidrometração foi atingido, a equipe da ARISB-MG realizará as diligências necessárias para
verificação e em momento oportuno emitirá Nota Técnica tratando do assunto”, afirmou a Arisb-MG através de nota oficial.

No entanto, os dados apresentados pelo vereador foram expostos, na realidade, pelo próprio superintendente da concessionária em reunião ordinária da Câmara de Ouro Preto, conforme foi mostrado em vídeo acima. A redação do MM entrou em contato com a Saneouro, porém não houve resposta até o momento desta publicação.

Ainda de acordo com o que Cléber Salvi disse na reunião da Câmara, estima-se que 8 mil famílias receberão a tarifa de água para ser paga já em dezembro. De acordo com o contrato de concessão, para que haja a cobrança de forma definitiva, a residência tem que ter recebido no mínimo quatro simulações. A média do valor das tarifas, segundo Cléber, é de cerca de R$ 90.

Convite ao superintendente

Na 82ª reunião ordinária da Câmara de Ouro Preto, ocorrida nessa terça-feira, 30 de novembro, foi aprovado, por nove votos, o Requerimento nº 513/2021, que convida Cléber Salvi a comparecer ao Plenário, em caráter de urgência, para sanar as dúvidas geradas a partir do que ele disse em reunião especial, realizada em 25 de novembro, sobre a execução do contrato firmado entre o referido consórcio e a prefeitura.

A justificativa do Requerimento é: após a participação de Cléber Salvi na reunião do último dia 25, constatou-se que o mesmo prestou informações ambíguas, podendo, inclusive, ter faltado com a verdade perante o poder Legislativo.

“O Cléber Salvi está tão perdido ou faz tão descaso com essa Casa que ele sequer se preocupou em vir munido das informações básicas. Ele falou que já atingiu os 90%, mas ele mesmo falou que 100% são 18 mil e que colocaram 12 mil. Nem essa conta básica ele fez. Ou seja, não pode começar a cobrar. Ele tem que voltar aqui. Não podemos deixar que ele venha aqui e minta descaradamente daquela forma e fica por isso mesmo, desmoraliza completamente o Legislativo”, disse Wanderley Kuruzu, autor do Requerimento.

Durante a discussão do Requerimento, o vereador Matheus Pacheco (PV) pediu para assinar o documento junto com Kuruzu.”Precisamos reverter essa situação, principalmente, dando transparência em relação à execução do serviço da empresa”, disse.

Outro membro do poder Legislativo, Júlio Gori (PSC) também pediu para assinar o Requerimento.

ATENÇÃO: Ao copiar uma matéria do Mais Minas, ou parte dela, não se esqueça de incluir o link para a notícia original.

Última atualização em 2 de dezembro de 2021 às 14:11